Seis rodadas, dez temas e um minuto e meio: como será o último debate
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam na Globo a dois dias da votação, com o Datafolha em 47% a 46% · 23 de outubro de 2026
1 · O encontro
A TV Globo realiza na noite desta sexta-feira 23 de outubro de 2026 o último debate presidencial antes do segundo turno. Participam Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente e candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência.
O programa começa às 21h20, horário de Brasília, logo depois do Jornal Nacional, e é transmitido ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A mediação é do jornalista César Tralli. A exibição simultânea ocorre pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1; a íntegra e a entrevista completa ficam disponíveis depois no Globoplay e no g1.
2 · O formato, bloco por bloco
O debate tem quatro blocos de perguntas e respostas entre os candidatos, além das considerações finais. Três blocos são de temas determinados, e um é de tema livre. A ordem das perguntas é definida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador.
|
Bloco |
Formato |
Tempo |
|
1º bloco |
Seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país, sorteadas, mais um tema prioritário de âmbito nacional. O candidato sorteado elabora a pergunta sobre a região para o adversário |
3 minutos por rodada, divididos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica |
|
2º bloco |
Os candidatos escolhem, entre os dez temas apresentados no telão, o assunto da pergunta que farão ao adversário |
3 minutos por rodada, na mesma divisão |
|
3º bloco |
Mesma dinâmica do segundo. Ao fim deste bloco, seis temas terão sido escolhidos pelos próprios candidatos |
3 minutos por rodada, na mesma divisão |
|
4º bloco |
Tema livre, sem limite de intervenções |
8 minutos de fala para cada candidato |
|
Considerações finais |
Fechamento de cada candidato |
1 minuto e 30 segundos para cada |
A Globo estabeleceu também regras de circulação pelo cenário. Nos três primeiros blocos, o candidato que estiver com a palavra pode se movimentar livremente, enquanto o adversário deve permanecer em seu púlpito até chegar a sua vez de falar. No quarto bloco, cada candidato pode circular pelo seu próprio lado do cenário.
A emissora estipulou ainda que, além das regiões, os candidatos devem abordar os temas de infraestrutura e exportação já no primeiro bloco.
3 · Os temas na mesa
No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolhem os assuntos das perguntas entre dez temas exibidos em um telão. A lista divulgada inclui:
-
Endividamento dos brasileiros
-
Ensino integral
-
Dívida pública
-
Inteligência artificial
-
Meio ambiente
-
Políticas sociais
-
Reformas
-
Relações com Estados Unidos e China
-
Retomada de territórios
-
Sistema Único de Saúde
A escolha dos temas é um dado relevante por si: em um formato que permite aos candidatos selecionar o que querem discutir, a agenda do debate é em parte definida por eles, e não pela emissora ou pelo mediador.
4 · Depois do debate
Encerrada a transmissão, os candidatos participam de entrevistas coletivas de dez minutos cada, na sala de imprensa. A ordem foi definida por sorteio: Lula primeiro, seguido por Flávio Bolsonaro.
A cobertura terá checagem de declarações feita pelo g1 em conjunto com O Globo, Extra, Valor Econômico e Rádio CBN. O Jornal da Globo, apresentado por Renata Lo Prete, exibirá análises do desempenho dos presidenciáveis após o debate.
5 · O que estava em jogo
O encontro ocorre a dois dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro. É o segundo confronto direto entre os dois na campanha — o primeiro foi o debate da Band, em 18 de outubro.
O cenário é de empate técnico. O Datafolha divulgado em 22 de outubro registra Flávio Bolsonaro com 47 por cento e Lula com 46 por cento. A rejeição dos dois é praticamente idêntica — 46 por cento para Flávio e 45 por cento para Lula. A avaliação do governo Lula aparece dividida: 49 por cento de aprovação contra 48 por cento de desaprovação.
Em uma disputa com essa margem, o debate carrega peso diferente de um encontro em cenário já definido. E as duas campanhas ajustaram estratégias para ele.
As orientações de cada lado
Segundo integrantes das duas equipes, os candidatos foram aconselhados em direções opostas quanto ao tom. Flávio Bolsonaro foi orientado a adotar postura menos confrontadora, reduzir os ataques diretos, dar mais espaço à apresentação de propostas e evitar atitudes que pudessem ser interpretadas como desrespeito à idade de Lula.
Lula, por sua vez, recebeu orientações para evitar provocações, diminuir os improvisos e administrar melhor o tempo das respostas — ajustes que as duas campanhas identificaram como pontos a corrigir no desempenho do primeiro debate.
A campanha de Flávio afastou o influenciador Pablo Marçal da preparação do candidato, o que foi lido nos bastidores como um sinal de que a equipe buscava um tom menos agressivo no encontro.
Enquanto um lado orienta contenção, o outro prepara mobilização paralela. O deputado André Janones (Rede-MG), administrador do canal "Exército do Lula" no WhatsApp, anunciou que fará uma live para reagir e comentar a transmissão, em vez de comparecer aos Estúdios Globo. O canal que ele opera passou de cerca de 50 mil seguidores no fim do primeiro turno para mais de 10 milhões nesta sexta-feira, poucas horas antes do debate.
Os dois movimentos apontam para estratégias distintas para a mesma noite. De um lado, um candidato orientado a reduzir o confronto e concentrar-se em propostas; do outro, uma estrutura de mobilização digital com milhões de seguidores preparada para operar em paralelo ao programa, comentando e reagindo em tempo real. O debate ocorre no estúdio, mas a conversa em torno dele acontece em vários lugares ao mesmo tempo — e é nesse entorno que parte da disputa desta reta final se dá.
6 · O que se sabe sobre o debate, e o que não se sabe
Este texto descreve o formato, os temas, o cenário eleitoral e as estratégias das campanhas — tudo o que estava definido antes do programa. Não há, no material consultado até o fechamento, relato do conteúdo do debate em si: quais temas foram sorteados, o que cada candidato disse, o desempenho de cada um ou a repercussão imediata.
Essa distinção importa. Um texto de preparação e um texto de resultado são peças diferentes, e o que se pode afirmar de um não se transfere automaticamente ao outro.
Nota metodológica
Este texto se baseia em reportagens do g1, de O Globo, da Folha de S.Paulo, do Estadão, da BBC News Brasil, do Poder360 e da CNN Brasil sobre o formato e as regras do debate da TV Globo, publicadas entre 22 e 23 de outubro de 2026, e em reportagem do g1 sobre as orientações dadas pelas campanhas aos candidatos. O horário de início segue informação do g1 (21h20, horário de Brasília), que diverge de outras publicações que registram 21h30. A lista de dez temas exibida no telão está reproduzida conforme divulgada pelo Poder360 e pelo RT Brasil. As cifras da pesquisa Datafolha são referidas conforme divulgadas em 22 de outubro, sem acesso ao relatório completo da pesquisa.