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Filhos de FHC, Covas e Gregori sobem ao palco por Lula — e o PSDB não vai junto

Por Redação EG News • 23/10/2026 às 17h05 (Atualizado em 23/10/2026 às 17h08) • ⏱️ 8 min de leitura
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Alckmin articula ofensiva sobre a centro-direita histórica em três movimentos, entre vídeo, carta e ato em São Paulo · 23 de outubro de 2026

 

1 · O que aconteceu, e quando

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição na chapa de Lula, articulou ao longo de outubro uma mobilização de integrantes de famílias históricas do PSDB em apoio à reeleição. O movimento não foi um ato único: foram três momentos distintos, com formatos e alcances diferentes.

O primeiro foi um vídeo divulgado em 16 de outubro, nas redes de Alckmin. O segundo, uma carta assinada por ex-ministros de gestões tucanas, em 17 de outubro. O terceiro, um ato presencial em São Paulo, em 22 de outubro, com discursos no palco.

Data

Formato

Quem participou

16 de outubro

Vídeo divulgado nas redes sociais de Alckmin

Beatriz Cardoso, filha de Fernando Henrique Cardoso; Maria Estella Gregori, filha do ex-ministro José Gregori; e Mário Covas Neto, o Zuzinha, filho do ex-governador Mário Covas

17 de outubro

Carta pela democracia assinada por ex-ministros

Ex-ministros de gestões tucanas, entre eles o autor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, além de Beatriz Cardoso

22 de outubro

Ato de frente ampla pela democracia, na Casa de Portugal, na Liberdade, em São Paulo

Beatriz Cardoso e Mário Covas Neto discursaram no palco, ao lado de Alckmin, políticos, intelectuais e lideranças de apoio a Lula

2 · O que cada um disse

No vídeo de 16 de outubro, os três declararam voto na chapa Lula-Alckmin. Beatriz Cardoso justificou a escolha pela defesa da democracia e pelo futuro das próximas gerações: "Pela democracia do Brasil e pelo futuro dos nossos filhos e netos eu voto no presidente Lula".

Mário Covas Neto dirigiu seu apelo a um público específico — os antigos eleitores do PSDB. "Para vocês, tucanos de raiz, aqui está o exemplo: temos que ser a favor da democracia. Por isso, domingo, é Lula", afirmou.

Maria Estella Gregori fechou o círculo: "Por isso dia 25, eu voto no Lula 13 e no Geraldo Alckmin para vice-presidente". A filha de José Gregori carrega um vínculo específico com a história que a mobilização invoca — seu pai, ex-ministro da Justiça, defendeu presos políticos durante a ditadura.

Alckmin, no mesmo vídeo, deu ao grupo o enquadramento que interessava à campanha: "Aqui há a representação de uma grande corrente de pensamento do centro, da social-democracia brasileira".

Uma semana depois, no ato de 22 de outubro, Beatriz Cardoso voltou ao tema com outra formulação: "Eu estou aqui em nome de um legado de democracia. É sobre isso que se trata essa eleição." Ela defendeu também a continuidade de programas de inclusão social.

3 · A carta do dia 17, e quem a assinou

Entre o vídeo e o ato presencial, houve um terceiro movimento: uma carta pela democracia assinada por ex-ministros de gestões tucanas. O texto sustenta que o Brasil "está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas" e que, neste segundo turno, "está em jogo" a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes e as liberdades democráticas.

A carta é assinada também pelo autor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff — um dado que dá dimensão à natureza do movimento. Não se trata apenas de herdeiros de nomes tucanos se posicionando, mas de figuras que participaram ativamente do confronto entre PSDB e PT ao longo de três décadas reassinando um compromisso em torno da democracia.

O documento se encerra com uma fórmula que amarra as duas candidaturas: "Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil. Uma declaração de apoio à reeleição de Lula e Alckmin".

4 · A leitura da campanha, e o que ela busca

Alckmin deu o tom do objetivo antes do encontro de São Paulo, em declaração a jornalistas: "Nós não queremos o Brasil indo para recessão, para o desemprego, para o fechamento de empresas. Queremos economia crescendo, distribuindo renda".

A mobilização é descrita por veículos que acompanham a campanha como uma ofensiva por votos da centro-direita — um esforço de ampliar o diálogo com eleitores moderados e com setores da direita democrática contrários ao bolsonarismo. É nesse ponto que a peça encontra seu argumento: a campanha de Lula investe não em converter oposição, mas em ativar memória. As três famílias representam um período em que a disputa política brasileira se dava entre PSDB e PT, e a mensagem dirigida aos "tucanos de raiz" apela diretamente a esse repertório.

O vídeo teve 256 mil visualizações e 6,3 mil comentários no Facebook. Entre os comentários mais curtidos, o registro é menos partidário do que nostálgico — "Que saudades de quando a discussão política era com essas figuras, as discussões eram sobre ideias", com 358 curtidas, e "Que este encontro sirva de exemplo para muitos políticos que estão se isentando neste momento tão importante da nossa democracia", com 459. São reações ao estilo do gesto, não ao conteúdo do apoio, e isso diz algo sobre quem a campanha espera alcançar.

5 · O contraponto: o PSDB não caminhou junto

A mobilização é de famílias e de ex-ministros — não do partido. O PSDB não declarou apoio a Lula, e o quadro interno está dividido: o diretório do PSDB do Piauí declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

A distinção importa porque o gesto, embora construído em torno de nomes tucanos e de um "legado de democracia", não representa posição institucional da sigla. É uma corrente, como disse Alckmin, e não o partido. Os herdeiros de três nomes históricos subiram ao palco; a legenda a que pertenceram seus pais não subiu junto.

A votação é no domingo, 25 de outubro, com a disputa dentro da margem de erro — o Datafolha divulgado em 23 de outubro registra Flávio Bolsonaro com 47 por cento e Lula com 46 por cento.

Nota metodológica

Este texto se baseia em registros de imprensa sobre a mobilização articulada por Geraldo Alckmin em outubro de 2026, incluindo o vídeo divulgado em 16 de outubro nas redes do vice-presidente, a carta pela democracia assinada por ex-ministros de gestões tucanas em 17 de outubro e o ato de frente ampla realizado em São Paulo em 22 de outubro, conforme relatado pela CNN Brasil, pelo UOL, por O Globo e pela Folha de S.Paulo. A grafia dos nomes segue a adotada pela CNN Brasil e pelo g1. A cifra da pesquisa Datafolha do segundo turno é referida conforme divulgada em 23 de outubro, sem acesso ao relatório completo. Os trechos entre aspas reproduzem as citações como publicadas pelas fontes consultadas. O número de visualizações e de comentários do vídeo foi registrado na publicação oficial de Alckmin e é informado pela própria plataforma, sem auditoria independente.

 

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