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Crise financeira ameaça atendimento no Hospital da Criança de Brasília

Por Redação 06/01/2026 às 13h37 • Atualizado em 06/01/2026 às 13h40
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Por: Silvana Scorsin
 
Foto: Reprodução

Atrasos milionários em repasses do GDF levaram ao fechamento de leitos e à suspensão de atendimentos, afetando diretamente famílias e crianças em tratamento de alta complexidade

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), referência nacional em atendimento pediátrico de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enfrenta uma grave crise financeira que já compromete serviços essenciais e acende um alerta sobre a assistência à saúde infantil no Distrito Federal.

A situação decorre, principalmente, do atraso nos repasses financeiros por parte do Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo apuração do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o hospital deixou de receber valores expressivos referentes a serviços já prestados nos últimos meses de 2025. O déficit acumulado ultrapassa R$ 118 milhões, somando repasses recentes em atraso e passivos financeiros anteriores.

Leitos fechados e atendimentos suspensos

A falta de recursos obrigou a administração do hospital a adotar medidas emergenciais. Entre elas estão o fechamento temporário de leitos, inclusive de UTI pediátrica, e a suspensão de primeiras consultas, exames e cirurgias eletivas.

De acordo com informações que constam em ações judiciais, cerca de 89 dos 212 leitos do hospital foram desativados temporariamente, impactando diretamente a capacidade de atendimento de crianças em estado grave ou com doenças crônicas e raras.

O HCB é referência no tratamento de câncer infantil, doenças raras, cardiopatias e outras condições de alta complexidade. A redução da capacidade assistencial afeta não apenas o fluxo de pacientes, mas também a continuidade de tratamentos que não podem ser interrompidos sem riscos à saúde.

Famílias vivem incerteza e angústia

Para pais e responsáveis, a crise se traduz em insegurança, atrasos no tratamento e aumento do desgaste emocional. Com menos leitos disponíveis, crianças podem enfrentar filas maiores, transferências para outras unidades e adiamento de procedimentos fundamentais.

Além do impacto clínico, há reflexos sociais: aumento de gastos com transporte, deslocamentos mais longos e a sobrecarga emocional de famílias que já lidam com diagnósticos complexos.

Justiça intervém para garantir funcionamento mínimo

Diante da gravidade do cenário, o MPDFT ajuizou ação civil pública, e a Justiça do Distrito Federal determinou o pagamento emergencial de cerca de R$ 69 milhões ao hospital, com prazo curto para liberação dos recursos. A decisão busca evitar o agravamento da crise e garantir a manutenção mínima dos serviços prestados à população.

O GDF, por sua vez, alega que os atrasos estão relacionados a entraves administrativos e orçamentários, envolvendo autorizações internas e trâmites com a Secretaria de Economia. No entanto, a situação evidenciou a fragilidade do modelo de financiamento quando os repasses não ocorrem de forma regular.

Um alerta para a saúde pública do DF

A crise no Hospital da Criança de Brasília vai além de um problema administrativo: ela expõe riscos concretos à saúde infantil, especialmente de crianças em situação de maior vulnerabilidade, que dependem exclusivamente do SUS para tratamentos complexos e continuados.

Enquanto se aguarda a regularização definitiva dos repasses, o caso levanta um debate urgente sobre priorização orçamentária, responsabilidade do poder público e garantia do direito à saúde, previsto na Constituição Federal.