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Trump autorizou a entrada e recusou o apoio: "não vou me envolver"

Por Redação EG News • 28/10/2026 às 16h32 (Atualizado em 28/10/2026 às 16h33) • ⏱️ 10 min de leitura
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O presidente americano confirmou que os EUA deram autorização para Flávio entrar, disse que a família foi "tratada de forma muito injusta" — e repetiu, sem provas, que a eleição brasileira foi "muito estranha" · a primeira versão da carta do senador lembrava a estratégia de Juan Guaidó · 28 de outubro de 2026

1 · A declaração

O presidente dos Estados Unidos, **Donald Trump**, falou a jornalistas nesta quarta-feira (28) e comentou pela primeira vez a situação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em território americano. Ele confirmou a autorização de entrada — e, ao mesmo tempo, recusou-se a endossar a autoproclamação do senador.

"Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo."

Em outro momento, questionado por um jornalista sobre **se concordava** com a afirmação de que Flávio seria o verdadeiro presidente do Brasil, Trump respondeu que não queria se pronunciar sobre o assunto — resposta reproduzida pelo g1.

Perguntado sobre **por que** o governo americano decidiu permitir a entrada dele e da família, Trump respondeu:

"Acho que foram tratados de forma muito injusta. Não tomei posição sobre a eleição, como vocês sabem, mas, quando vejo algo que é inapropriado, eu digo."

2 · O que Trump confirmou e o que não confirmou

A distinção importa, porque a manifestação tem duas metades com pesos diferentes.

O que ele confirmou

O que ele não fez

Que os EUA autorizaram a entrada de Flávio e da família

Não endossou a tese de que Flávio é o presidente eleito

Que a decisão se baseou em considerar a família "tratada de forma muito injusta"

Não anunciou qualquer medida de apoio político ou institucional

Que, na sua avaliação, a eleição brasileira foi "muito estranha"

Não disse o que faria em caso de pedido brasileiro de cooperação

É uma posição de **duas metades**: na primeira, o governo americano foi hospitaleiro e crítico do processo eleitoral brasileiro; na segunda, recusou o compromisso político que a carta de Flávio pediu ao agradecê-lo nominalmente.

3 · A sequência americana

A fala desta quarta não é isolada. Ela fecha uma escalada de quatro dias em que o governo americano foi ajustando a posição sobre o caso.

Data

O que aconteceu

27/10 (terça)

Trump diz, em comício no Texas, que a eleição brasileira "pareceu mais uma eleição fraudada" — sem provas

27/10

Perguntado se faria algo a respeito, responde que não governa o Brasil e que gosta de Lula

27/10

Departamento de Estado informa que concederá visto a Flávio e à família

28/10 (madrugada)

Trump diz que "aprovaria" a vinda e que a família são "boas pessoas"

28/10 (tarde)

Flávio desembarca em Miami; a carta é divulgada e depois reescrita

28/10 (fim de tarde)

Trump autoriza, recusa endosso e diz que não vai se envolver

Vale registrar o que Trump já havia dito quando a questão era o que fazer a respeito da eleição: **que não governa o Brasil** — resposta que ele mantém, no essencial, agora que o caso é outro.

4 · A crítica dos democratas

Nos Estados Unidos, a decisão de conceder os vistos produziu reação interna. O **Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados**, ligado aos democratas, criticou a medida — e **comparou a decisão à restrição de asilo** aplicada a pessoas que fogem de conflitos no **Sudão** e no **Haiti**.

É um contraste que a oposição americana explora: o mesmo governo que restringe o acolhimento a quem foge de guerra abriu a porta para um político em conflito com a Justiça de seu país.

5 · O que a carta pedia — e o que recebeu

A relação entre as duas manifestações do dia fica mais clara quando se olha o que cada lado entregou.

**Flávio** agradeceu nominalmente a Trump e a Milei, dizendo que o governo americano lhe deu "a segurança jurídica que não temos mais no Brasil". A carta, na primeira versão, o apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" — tese que, segundo a CNN, **lembrava a estratégia do venezuelano Juan Guaidó**, baseada na autoproclamação como presidente legítimo de um país governado por outro.

**Trump** devolveu hospitalidade e crítica eleitoral — não apoio. Não disse que Flávio é presidente, não disse que o resultado deveria ser anulado e não anunciou nenhuma medida. A frase que resume a posição é a do próprio presidente: **"não vou me envolver"**.

Pouco antes da fala de Trump, aliás, Flávio já havia recuado: **republicou a carta substituindo "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" por "o líder do Brasil"** — mudança que, segundo o SBT News, foi a única alteração do texto.

6 · O que muda a partir daqui

A declaração de Trump estabelece o limite prático do que Flávio pode esperar de Washington. **Entrada, sim. Escudo político, não** — pelo menos por declaração oficial.

Isso tem consequência direta em dois planos.

**No plano jurídico:** se o Brasil apresentar pedido de cooperação ou de extradição, o governo americano não terá sinalizado publicamente que fará dele uma causa política. A frase "não vou me envolver" é, nesse contexto, a mais relevante do dia — ela deixa a decisão em terreno jurídico e diplomático, e não em terreno de aliança.

**No plano político:** o discurso de Flávio nos Estados Unidos depende de interlocução com o governo americano. Sem endosso público à tese de que ele é o presidente legítimo, a projeção internacional que a carta buscava fica enfraquecida — e o recuo da autoproclamação, minutos depois, deixa de parecer coincidência.

7 · O que observar

●        se o governo americano confirma oficialmente os vistos concedidos e qual o status migratório dele;

●        se o Brasil apresenta pedido de cooperação e qual a resposta americana;

●        se Trump mantém a recusa de endosso caso Flávio intensifique a atividade política no país;

●        se o Comitê de Relações Exteriores leva o caso a audiência ou a proposta legislativa;

●        se Flávio ajusta o discurso diante do limite sinalizado por Washington;

●        se o PL ou aliados brasileiros usam a fala de Trump como argumento para reduzir o apoio ao senador.

8 · Nota metodológica

As declarações de Donald Trump foram feitas a jornalistas em 28 de outubro de 2026 e reproduzidas, entre outros, por Agência Brasil, g1, Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, CNN Brasil, CBN, InfoMoney, Correio do Povo, Jovem Pan e Times Brasil. As citações deste texto são as veiculadas nessa cobertura.

A concessão de vistos a Flávio Bolsonaro e à família foi informada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos a jornalistas, na terça-feira (27), e reproduzida pela Reuters e pelo g1.

As declarações de Trump sobre a eleição brasileira nos dias anteriores — chamando-a de "muito estranha", "fraudada" e "muito corrupta", sempre sem apresentar provas — constam da cobertura de 27 de outubro e são registradas como alegação do presidente americano, não como fato verificado.

A crítica do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, com a comparação à restrição de asilo a pessoas vindas do Sudão e do Haiti, consta de reportagem do g1.

O recuo de Flávio Bolsonaro na carta, substituindo "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" por "o líder do Brasil", foi noticiado por SBT News, Metrópoles, Congresso em Foco, Times Brasil, Veja, CNN Brasil, g1, Terra, Correio Braziliense e Tribuna do Planalto.

O paralelo com a estratégia de Juan Guaidó é observação registrada pela CNN Brasil na cobertura da primeira versão da carta, e o texto a atribui a esse veículo.

O texto não afirma que haja decisão do governo americano sobre eventual pedido brasileiro de cooperação ou extradição: registra as declarações públicas do presidente dos Estados Unidos e o que elas delimitam.