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Lula regulamenta o Marco Legal dos Games, abre a Lei Rouanet aos jogos e cria a Game Brasil, vitrine pública da produção nacional

Por Redação EG News • 14/10/2026 às 14h32 (Atualizado em 14/10/2026 às 14h35) • ⏱️ 8 min de leitura
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Lula regulamenta o Marco Legal dos Games, abre a Lei Rouanet aos jogos e cria a Game Brasil, vitrine pública da produção nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (14), no Palácio do Planalto, o decreto Desenvolve Gamers Brasil, que regulamenta o Marco Legal para a Indústria de Jogos Eletrônicos (Lei nº 14.852/2024). O texto busca ampliar o acesso a financiamento, formar profissionais e promover os jogos brasileiros no mercado nacional e internacional. Também define as responsabilidades dos órgãos públicos envolvidos, prevê ações de proteção aos usuários e trata da preservação de jogos financiados com dinheiro público e da propriedade intelectual.

A mudança central: game passa a ser tratado como cultura

Na prática, o decreto confirma os games como obras audiovisuais e produtos culturais. Essa classificação abre às produtoras de jogos instrumentos que o cinema e o audiovisual já usam, como o Rouanet Games, a Lei do Audiovisual e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, resumiu a ideia ao dizer que o decreto consolida os games como produtos culturais e obras audiovisuais interativas, com acesso a mecanismos de fomento que já existem. Segundo ela, o país tem cerca de 115 milhões de jogadores, e o setor movimenta entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões por ano. Lula disse que o Brasil não pode se limitar a ser grande consumidor de jogos criados em outros países.

Game Brasil: o que é e como deve funcionar

A novidade mais visível é a Game Brasil. Coordenada pelo Ministério da Cultura, a plataforma terá investimento inicial de R$ 1,4 milhão. Ela vai reunir informações sobre os jogos e seus desenvolvedores e indicar onde e em quais plataformas cada título está disponível.

Três pontos ajudam a entender o que ela é e o que não é:

•        É uma vitrine, e não uma loja. O catálogo não vende jogos: ele leva o jogador até onde o título já está disponível. O modelo é a Tela Brasil, plataforma do governo que exibe filmes e séries nacionais de graça.

•        Gratuita não quer dizer que os jogos sejam grátis. O acesso ao catálogo é livre, mas cada título segue com o preço definido por quem o publica.

•        Pode servir também à educação e à saúde. O MinC poderá manter, na plataforma ou em ambiente vinculado, um repositório de jogos financiados com verbas públicas, para uso de instituições de ensino, pesquisa e saúde, respeitando os direitos autorais. A redação é de possibilidade, e não de obrigação.

O dinheiro: o que está confirmado e o que ainda é estimativa

Medida

O que prevê

Situação

Chamada pública

R$ 200 milhões, por meio da Finep, para empresas brasileiras desenvolverem jogos e soluções digitais.

Anunciada

Crédito do FSA

Valor mínimo dos empréstimos cai de R$ 500 mil para R$ 150 mil, e os juros de TR + 2% para TR + 0,5% ao ano.

Proposta da Ancine; ainda passa pelo comitê gestor do fundo

Orçamento do FSA

R$ 460 milhões em crédito em 2026 para todo o audiovisual, incluindo jogos.

Não é verba exclusiva de games

Lei do Audiovisual

Projetos de jogos poderão captar investimento por incentivos fiscais.

Regras da Ancine ainda por definir

Rouanet Games

Busca atrair patrocínios pela Lei Rouanet para estúdios nacionais, em parceria com empresas públicas.

Anunciado

Metas do MinC para 2027

Duas iniciativas com captação estimada de R$ 50 milhões cada: laboratórios e espaços de desenvolvimento; e produção, lançamento e venda de jogos independentes.

Estimativa

Quem lê "R$ 460 milhões para games" está lendo errado: esse valor é do audiovisual como um todo.

Formação de profissionais

O pacote prevê cursos universitários específicos: são 230 vagas em graduações de cinco universidades federais. Há também qualificação pelo MinC, com a Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult) e o Centro Técnico Audiovisual (CTAv) oferecendo capacitações, com seis cursos previstos para 2027.

Propriedade intelectual e proteção ao usuário

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) deverá criar procedimentos administrativos simplificados para o registro de jogos eletrônicos e a proteção dos direitos de propriedade industrial. Sobre os jovens, Lula citou o ECA Digital e disse que o governo vai garantir um ambiente seguro para crianças e adolescentes na internet. O preço dos jogos não muda com o decreto.

O que a lei de 2024 já garantia

O decreto detalha uma lei que já trazia as regras de base: fabricação, importação, comercialização e desenvolvimento de jogos são atividades livres, sem autorização estatal prévia. O tratamento especial vale para empresas, cooperativas e MEIs com receita bruta de até R$ 16 milhões no ano anterior. A lei também reconhece profissões do setor e prevê um código próprio de atividade econômica.

O que fica de fora: apostas

O decreto trata de apoio à indústria de jogos digitais e não autoriza sites de apostas. A lei exclui apostas e jogos de azar e, segundo o Jornal de Brasília, os "fantasy games" também 

ficaram de fora.

Por que o setor importa

Segundo a Abragames, o Brasil é o 10º maior mercado de games do mundo e o líder da América Latina, e o número de desenvolvedoras passou de cerca de 200 em 2014 para mais de mil em 2023. A regulamentação é uma antiga demanda dessas empresas e está associada ao projeto de lei apresentado pelo deputado Kim Kataguiri.

Contexto político

O anúncio ocorre a 11 dias do segundo turno, em 25 de outubro, e Lula divulgou um vídeo jogando videogame com um grupo de jovens. A imprensa destacou a proximidade da votação. O governo apresenta o decreto como regulamentação de uma lei sancionada em 2024, resultado de um grupo de trabalho do MinC com a Abragames, instalado em fevereiro de 2026 para redigir a proposta.

O que ainda falta saber

•        A íntegra do decreto e a data de publicação no Diário Oficial da União. Até as primeiras matérias, o Planalto não havia divulgado o texto.

•        Quando a Game Brasil entra no ar, qual será o endereço e quem poderá se cadastrar.

•        Como será definido um "jogo brasileiro" e se o catálogo terá curadoria do MinC.

•        Se o comitê do FSA aprova o piso de R$ 150 mil e os juros menores.

•        As regras da Ancine para captação pela Lei do Audiovisual.

•        Datas e critérios da chamada pública de R$ 200 milhões.

 

 

CRÉDITO:

 

Presidente Lula em coletiva no evento em que assinou o decreto que regulamenta o Marco Legal para a Indústria dos Jogos Eletrônicos (YouTube/Reprodução)