Nas escolas públicas do Distrito Federal, há uma presença constante que nem sempre ganha visibilidade, mas impacta diretamente o dia a dia de estudantes em situação de vulnerabilidade: o educador social voluntário, que atua no acolhimento, na escuta e no acompanhamento desses alunos, aproximando escola, família e comunidade. O trabalho é lembrado em 28 de abril, data dedicada a esses educadores.
A rede pública conta hoje com cerca de 8.500 profissionais nessa função, distribuídos em diferentes unidades. São profissionais que permanecem ao lado dos estudantes, ajudam na adaptação às atividades e contribuem para que a inclusão aconteça de forma efetiva dentro da sala de aula e fora dela.
“O educador social voluntário é fundamental para que a inclusão aconteça de fato”, aponta a vice-diretora da Escola Classe Setor Militar Urbano (EC SMU), Virgínia Fernandes de Souza, que atua há 36 anos na rede pública de ensino do DF. “É ele que está ali com o aluno, incentivando, mediando. Quando a criança não quer fazer a atividade, ele conversa, dá uma voltinha pela escola e depois retorna com ela para a sala.”
“Eles têm um papel fundamental na inclusão, no crescimento da criança e na comunicação com ela”
Virgínia de Souza, vice-diretora da Escola Classe SMU
Neste ano, uma mudança na carga horária ampliou a presença desses profissionais nas escolas. Eles passaram a cumprir cinco horas diárias junto aos estudantes — antes, eram quatro. “Essa uma hora a menos ficava muito difícil para a gente”, afirma Virgínia.
O engajamento, enfatiza ela, vai além da ajuda de custo oferecida. O vínculo com os alunos aparece como principal motivação. “Eles estão aqui pelo amor que têm pelas crianças; a criança está esperando por eles”, explica. “Eles têm um papel fundamental na inclusão, no crescimento da criança e na comunicação com ela”.
Quem são os educadores
Levantamento do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) divulgado em dezembro de 2024 mostra que a maioria dos educadores sociais voluntários é formada por mulheres, que representam 83,5% do total. Os homens correspondem a 14,8%. O estudo também aponta motivações e desafios da função no contexto da educação inclusiva.