O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) apresentou oito novos “aspirantes” muito especiais esta semana: Duda, Delta, Dacota, Dora, Dom, Dante, Draco e Dexter — filhotes da raça golden retriever que poderão, no futuro, se tornar cães-guia. Este dia 29, a última quarta-feira de abril, marca o Dia Internacional do Cão-Guia e reforça a importância desses animais, que contribuem diretamente para a inclusão social e melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiência visual.
A “ninhada D” nasceu no Centro de Treinamento de Cães do CBMDF, a partir de um cruzamento entre cães com familiaridade para o trabalho. Os nomes seguem uma logística de controle: como é a quarta ninhada, todos começam com a quarta letra do alfabeto. São quatro fêmeas e quatro machos, filhos da cadela Áquila e do cão Fred. Nos próximos meses, eles serão encaminhados para famílias socializadoras voluntárias, responsáveis por uma etapa essencial do processo de formação.
As famílias socializadoras
O processo seletivo para participar do projeto com a socialização dos filhotes avalia o ambiente e o comprometimento de todos os integrantes da casa. Entre as famílias socializadoras do programa está a da servidora pública Roseliza Honda, 51, que mora no Lago Norte e cuida do pastor alemão Argos, que está para completar 8 meses de idade.
Roseliza explica que o processo de socialização começa após o ciclo vacinal e exige exposição gradual a diferentes estímulos, sempre respeitando o tempo do animal. A rotina inclui passeios em ambientes variados, com atenção especial a locais movimentados, sons e interações com pessoas. “O papel da família é justamente esse: socializar. Levar para todos os ambientes possíveis, fazer ele viver diferentes situações. A gente vai aos poucos, leva em horários mais tranquilos no começo, adapta no metrô, shopping, consultórios e ele vai evoluindo”, relata.
Apesar do avanço na aceitação dos cães-guia, a servidora aponta que ainda há desafios relacionados ao desconhecimento ou discriminação da população sobre o papel desses animais. Situações envolvendo outros tutores de pets e questionamentos sobre o acesso a estabelecimentos ainda são comuns, ainda que haja identificação — tanto dos tutores do projeto, com crachá, quanto do animal de serviço, com o lenço — além da proteção pela norma 11.126/05, regulamentada pelo Decreto 5.904/2006, conhecida como a Lei do Cão-guia, que assegura o direito de ingressar e permanecer com o animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo.
Mas o ponto principal ressaltado por Roseliza é o suporte oferecido pelo Corpo de Bombeiros durante todo o período de socialização, com equipes que fornecem orientação, acompanhamento técnico e custeio de despesas como alimentação do animal e cuidados veterinários, o que contribui para a adesão das famílias.