O campo no Distrito Federal vive um período de modernização e expansão robusta. Entre 2019 e 2025, o número de produtores rurais ativos atendidos pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) saltou de 18.667 para 23.174 — crescimento de 24%.
Por trás desse aumento estatístico, existem laços de amizade e confiança que transformam a assistência técnica em um apoio vital para quem produz o alimento que chega à mesa do brasiliense.
Um desses rostos é o de Marilúcio da Silva, 47 anos, que trouxe de Piatã, na Chapada Diamantina (BA), o legado da agricultura familiar para Brasília em 2003. Na sua propriedade de 12 hectares, entre Santa Maria e São Sebastião, ele coordena uma produção anual de 150 toneladas de alimentos orgânicos certificados, pela Opac-Cerrado e pelo Ecocert, um selo internacional para produtos orgânicos e naturais que reconhece práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva.
O morango é o principal destaque, mas também há folhagens, tomate, batata e cebola. “A gente produz de tudo um pouquinho”, descreve, enquanto caminha por entre as fileiras da plantação. “Mas o carro-chefe tem sido o morango. Estamos na época do plantio, a colheita começa em junho, às vezes no finzinho de maio, e vai até outubro”, acrescenta.
Parceria que gera frutos
Marilúcio não faz isso sozinho. Ele tem como braço direito a engenheira agrônoma Lídia Jardim, gerente do escritório local da Emater-DF em São Sebastião. A relação entre o produtor e a técnica transcende a formalidade do serviço público, em que o conhecimento científico se une à realidade de cada família. “O diferencial da Emater é essa presença, esse dia a dia com o produtor. A gente sabe a realidade dele, como funciona, e esse contato humano a tecnologia não substitui”, afirma Lídia.
O papel da Emater-DF vai muito além de apenas indicar o combate a uma praga no milho ou à mosca-branca. A empresa atua em diversas frentes: oferece assistência técnica gratuita, desenvolve projetos de crédito rural, organiza atividades coletivas como cursos, palestras e oficinas, e faz o acompanhamento direto nas propriedades. Além disso, a empresa é essencial na regularização e certificação, ao emitir declarações técnicas que validam a produção perante órgãos fiscalizadores.
"A Emater ajuda muito na questão de projetos e na certificação. Precisamos de várias declarações que só eles, que acompanham a produção de perto, têm conhecimento para validar. E eles estão sempre à disposição"
Marilúcio da Silva, produtor rural
Para Marilúcio, esse suporte é o que garante a viabilidade de sua produção 100% orgânica. “A Emater ajuda muito na questão de projetos e na certificação. Precisamos de várias declarações de que só eles, que acompanham a produção de perto, têm conhecimento para validar. E eles estão sempre à disposição”, destaca o produtor. Ele explica que, sem esse aval técnico sobre o manejo do solo e dos insumos, seria impossível manter os selos exigidos da produção orgânica.
Atuação tecnológica
A modernização digital também é um pilar da atuação do órgão. A Emater-DF implementou um chatbot no site institucional que faz uma triagem automática das demandas e direciona casos complexos para especialistas. O uso do WhatsApp também se tornou rotina para orientações rápidas.
Mesmo com o auxílio da tecnologia, Lídia ressalta que o papel do técnico é ser uma ponte humana para quem tem pouca familiaridade com o mundo digital. “Muitos produtores têm dificuldade na tecnologia. Às vezes, a gente ajuda a solicitar serviços que hoje são só digitais, como o Gov.br ou o e-mail cadastrado. A gente pega o telefone do próprio produtor e ajuda a solicitar o serviço”, relata Lídia. Esse suporte personalizado garante que o agricultor familiar, que muitas vezes produz primeiro para o próprio consumo, consiga acessar políticas públicas modernas.
Assistência e equilíbrio natural
Os dados confirmam que essa rede de apoio tem se interiorizado. O número de assentamentos e acampamentos atendidos pela Emater-DF subiu de 42 em 2019 para 53 em 2025, com o total de produtores vinculados saltando de 651 para 1.538. Atualmente, a agricultura familiar representa 43,26% (10.026 pessoas) de todos os produtores ativos atendidos pela empresa no DF.
1.538
Entre 2019 e 2025, o trabalho fundamental da Emater-DF alcançou 55.015 propriedades assistidas na capital federal. Esse suporte contínuo foi materializado em 103.844 visitas técnicas no mesmo período e garantiu que a inovação e o conhecimento cheguem diretamente ao dia a dia do campo.
A filosofia de Marilúcio resume bem o impacto dessa assistência no bem-estar de quem produz. “É muito prazeroso a gente não ter contato com agrotóxico, ter um alimento saudável. A natureza se equilibra sozinha quando a gente não usa as coisas convencionais”, compartilha o produtor, ao reforçar que a técnica da Emater ajudou a entender que o equilíbrio ambiental é o melhor caminho para a produtividade.
Frutos colhidos e investimentos
O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, cita que os resultados são reflexo direto de uma estratégia de maior proximidade com o campo e do fortalecimento da assistência técnica. “Destaco, principalmente, a ampliação do acesso às políticas públicas voltadas à agricultura familiar, o fortalecimento das ações de assistência técnica e extensão rural e a crescente valorização da produção local pelo GDF, que tem olhado atentamente à população rural”, afirma.
Duval avalia que a Emater-DF consolida seu papel estratégico como uma “porta de entrada para políticas públicas no campo”, o que tem motivado os agricultores a buscarem a formalização para acessar crédito rural, capacitações e novos mercados institucionais.
Para mitigar os impactos das mudanças climáticas e garantir a segurança hídrica no Distrito Federal, a empresa tem investido em infraestrutura e novas tecnologias de manejo. Além da instalação de 247 tanques lonados para armazenamento de água e piscicultura, a recuperação de canais de irrigação tornou-se uma marca da atual administração.