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BRASIL Saúde

HUB é o primeiro hospital público do DF a realizar hemodiálise através de acesso vascular totalmente arterial

Por Redação 23/03/2026 às 16h22 • Atualizado em 23/03/2026 às 16h24
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O procedimento é utilizado em casos mais graves quando há falência de acesso
venoso para hemodiálise

 

Brasília (DF) – O Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), se tornou o primeiro hospital público do Distrito Federal (DF) a oferecer o procedimento de acesso vascular totalmente arterial para hemodiálise. No dia 24 de fevereiro, Antônio Carlos, de 60 anos, foi o primeiro paciente a realizar procedimento, que é indicado para casos em que haja falência de acesso venoso.

 

Para uma melhor compreensão dessa novidade que chega ao HUB e ao Sistema Único de Saúde (SUS) no DF, é importante entender primeiramente como acontecem as doenças renais. Nesse caso, os rins são órgãos com funções muito importantes para a sobrevivência humana. Uma das principais diz respeito à filtração do sangue em nosso organismo, pois removem substâncias tóxicas (ureia, potássio e fósforo, entre outros) que são eliminadas na urina. Quando essa funcionalidade vital é comprometida o médico especialista em doenças dos rins – nefrologista – avalia a necessidade de o paciente iniciar a diálise.

 

Diálise

Existem dois tipos de diálise: a hemodiálise (HD) e a diálise peritoneal (DP). Esta última acontece na casa do próprio paciente utilizando o peritônio (membrana abdominal) como filtro. Já a HD é um procedimento que acontece no hospital através de uma máquina que contém o dialisador (filtro) que faz o papel dos rins, pois ela recebe o sangue, realiza a sua filtração e o devolve ao corpo sem impurezas.

 

Esse procedimento pode ser realizado tanto via cateter como através de uma fístula arteriovenosa (FAV). Nesse sentido, a FAV é feita através de um procedimento cirúrgico em que há a ligação de uma veia à uma artéria para que essa veia fique mais resistente às punções para a retirada e devolução do sangue ao organismo.

 

Nova alternativa

No entanto, há pacientes que, devido ao tempo de tratamento e pelo agravamento do caso clínico, desenvolvem a falência de acessos venosos, como é o caso de Antônio Carlos. Buscando ser uma solução para esses casos mais graves, o HUB, de forma inédita na saúde pública do DF, também passa a oferecer diálise de acesso vascular totalmente arterial.

 

“O paciente Antônio tem histórico de múltiplos acessos venosos pra hemodiálise e problema de disfunção dos cateteres ou infecção de corrente sanguínea associada ao cateter, [o que] necessitou trocar os dispositivos várias vezes, levando à falência de acessos venosos para Hemodiálise”, destaca Karine Lora, responsável técnica (RT) da Unidade de Nefrologia do HUB.

 

“Esse procedimento é inédito porque as hemodiálises são realizadas via cateter ou fístulas arteriovenosas, ou seja, quando há conexão de uma artéria e uma veia. No caso [de seu Antônio], foi utilizado apenas artéria para confeccionar o acesso”, explica Larissa Gouveia, cirurgiã vascular do HUB, que integrou a equipe de médicos que realizou a cirurgia em seu Antônio.

 

Após o procedimento, o paciente encontra-se bem, em casa e realiza hemodiálises três vezes por semana no Centro de Diálise do HUB, com acompanhamento da equipe de nefrologia do hospital.

 

“Hoje temos uma parceria próxima com a equipe da Cirurgia Vascular do HUB e saber que podemos contar com algo inovador como esse procedimento é inspirador e nos motiva sempre na tentativa de entregar o melhor cuidado, a melhor prática assistencial”, comenta Karine.

 

“O procedimento será disponibilizado para os pacientes que necessitarem, porém, é um acesso com critérios de elegibilidade bem definidos para ser realizado. O paciente precisa de esgotamento de outras vias para poder chegar nesse estágio e precisar desse acesso”, conclui Larissa.

 

Sobre a Ebserh 

O HUB-UnB faz parte da Rede Ebserh desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

Créditos:

Foto: Karina Zambrana.