Suspeito de matar a ex-companheira em Rifaina é encontrado morto, e o inquérito do feminicídio deve ser arquivado
Pecuarista que era procurado desde 27 de outubro foi achado em área de mata de sua propriedade; a família da vítima fica sem resposta judicial.
O pecuarista João Roberto Bolelli foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (2), em uma área de mata de uma propriedade rural dele em Rifaina (SP), no interior paulista. Ele era o principal suspeito do feminicídio de Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, morta a tiro na noite de 27 de outubro, e estava foragido desde que a Justiça decretou sua prisão preventiva.
Com a morte do investigado, o inquérito policial do feminicídio deve ser arquivado pela Justiça. É o desfecho que a família da vítima procurava evitar: o caso caminhava para julgamento, e agora tende a se encerrar sem condenação.
1 · O crime
Priscila foi baleada na noite de 27 de outubro, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio.
Ela havia ido à cidade acompanhada do irmão e de uma amiga para devolver uma caminhonete de Bolelli. Segundo testemunhas, os dois discutiram e ele atirou contra ela antes de fugir no próprio veículo.
O celular da vítima foi apreendido para perícia. O inquérito é coordenado pelo delegado Fábio Branquinho, e a Polícia Civil informou que investigava o caso como feminicídio.
2 · O que a vítima havia relatado antes
Segundo o boletim de ocorrência, a jovem havia relatado agressão e ameaça de morte dias antes do crime. Uma amiga confirmou o relato às autoridades.
E há um dado que agrava o histórico do suspeito: em 2021, Bolelli já havia sido condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a outra ex-companheira. Ou seja, ele já havia respondido judicialmente por violar uma proteção contra violência doméstica antes deste caso.
3 · A prisão preventiva
A Justiça decretou a prisão preventiva de Bolelli em 28 de outubro, um dia após o crime. O documento da Vara Única da comarca classificou a fuga como "ato de covardia" e justificou a medida cautelar como forma de preservar a tranquilidade das testemunhas durante os depoimentos.
O mandado era pelo crime de feminicídio.
4 · A morte do suspeito
O corpo foi localizado pelo genro do pecuarista, em um morro da propriedade, nas proximidades do km 452 da Rodovia Cândido Portinari. Estava em avançado estado de decomposição.
A Polícia Militar foi acionada e isolou a área até a chegada da perícia. O ponto onde o corpo foi achado fica próximo de onde a caminhonete de Bolelli havia sido encontrada na semana anterior.
A causa da morte não foi divulgada até o fechamento desta edição.
A advogada da família, Lauriane Baldini França, afirmou que o corpo não apresentava marcas de violência — nenhuma perfuração de arma de fogo e nenhuma lesão corporal. Segundo a defesa, a suspeita principal é de infarto, e nenhuma arma foi recolhida junto ao investigado.
A defesa sustenta ainda que a morte tenha ocorrido na própria terça-feira (27), o mesmo dia em que Priscila foi morta.
5 · O que acontece agora
O inquérito de feminicídio deve ser arquivado. Sem o suspeito vivo, o processo perde seu objeto — e o caso deixa de ter um responsável a julgar.
A situação das investigações sobre a morte de Bolelli segue sob apuração. O caso foi inicialmente tratado como possível suicídio e passou a ser investigado como morte suspeita, segundo informações divulgadas pela imprensa e confirmadas pelo teor das apurações policiais disponíveis.
6 · Cronologia
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Data |
O que aconteceu |
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2021 |
Bolelli é condenado por descumprir medida protetiva concedida a outra ex-companheira |
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27/10 (ter) |
Priscila é baleada às margens da SP-334, em Rifaina, quando devolvia uma caminhonete; o suspeito foge no veículo |
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28/10 (qua) |
Justiça decreta a prisão preventiva do pecuarista pelo crime de feminicídio |
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02/11 (seg) |
Corpo de Bolelli é encontrado em área de mata de sua propriedade, em avançado estado de decomposição |
7 · Nota metodológica
As informações sobre o crime, a prisão preventiva e a descoberta do corpo foram apuradas em reportagens do g1 (Ribeirão Preto e Franca), do Terra, do Estadão, do UOL, da EPTV e de veículos regionais, com datas entre 28 de outubro e 2 de novembro de 2026. A informação sobre o histórico de 2021 consta de apuração do próprio g1 junto às autoridades.
As declarações sobre a ausência de marcas de violência, a hipótese de infarto e a não localização de arma são de Lauriane Baldini França, advogada da família, e representam a posição da defesa — não um laudo oficial.
Há divergência entre fontes sobre a idade de Bolelli: o g1, o Terra, o UOL e o SpaceMoney informam 62 anos; a BNews São Paulo informa 64. Esta reportagem usa 62 anos, por ser a versão de maior convergência editorial.
A causa da morte do suspeito não foi divulgada por nenhuma fonte oficial até o fechamento desta edição. Esta reportagem não a afirma e apresenta as hipóteses como o que são: manifestações da defesa e linhas de apuração em curso. O texto também não afirma que tenha havido suicídio — a expressão "morte suspeita" reproduz a classificação usada pelas fontes consultadas.
A informação sobre o provável arquivamento do inquérito consta de apuração jornalística; o arquivamento depende de decisão judicial e não havia sido formalizado até o fechamento.
Foto: Reprodução.