Anitta também separou direita de bolsonarismo e afirmou que os conflitos atuais extrapolaram a disputa política tradicional. Segundo ela, o movimento estimula radicalização, intolerância e brigas até entre parentes e amigos. Eu encostei numa vitrine no Centro Histórico de Sintra e pensei: quando a política vira campeonato de grito, ninguém sai campeão, só sai rouco.
A artista criticou ainda o que chamou de uso da religião e das redes sociais para confundir a população. Para Anitta, o bolsonarismo transforma polêmica, ofensa e desinformação em combustível eleitoral, enquanto debates sobre propostas e necessidades reais do país ficam empurrados para o canto.
Na parte mais afiada do vídeo, Anitta atacou o alinhamento de setores bolsonaristas aos Estados Unidos. “É o fanatismo ao governo estadunidense ao ponto de entregar nosso país e toda a nossa riqueza nas mãos de um cara que tá cagando e andando pro Brasil e pro povo brasileiro”, disparou. Eu, com açúcar da Piriquita nos dedos, digo que não existe patriotismo em vender o país embrulhado para presente.
A cantora afirmou que seu apoio a Lula não começou agora e citou causas que defende há anos, como direitos das mulheres, preservação ambiental, combate ao racismo religioso, povos indígenas e o fim da escala 6×1. Ela disse ter perdido milhões de seguidores por se posicionar: “Sem medo. Perdendo milhões de seguidores, não é milhares, é milhões”.
Anitta resumiu a mensagem que deixou a internet em ebulição: “Posicionamento não é um dia, não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias”. Eu sigo rumo à manicure em Sintra dizendo que, enquanto muita gente faz pose de isenta para não perder público, Anitta escolheu o lado e segurou o rojão.
Fonte: Jornal de Brasília