Homem que dopou filhos e tentou matar ex é condenado a 83 anos de prisão
Material cedido ao Metrópoles
João Paulo de Oliveira Costa Pereira foi condenado por tentar matar a ex-companheira após dopar os dois filhos, de 5 e 9 anos, em Ceilândia
O Tribunal do Júri de Ceilândia condenou, nesta quinta-feira (8/10), João Paulo de Oliveira Costa Pereira a pena de 83 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira e por tentativa de homicídio contra os dois filhos do casal, de 5 e 9 anos.
Os jurados reconheceram as qualificadoras do emprego de meio cruel e emboscada no crime contra a mulher, além do uso de veneno e dissimulação nos crimes praticados contra as crianças.
Para o Conselho de Sentença, ficou comprovado que o réu tentou matar a ex-companheira, em contexto de violência doméstica e familiar, e que o feminicídio não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade.
Em relação aos filhos do casal, o júri entendeu que o acusado praticou duas tentativas de homicídio qualificado por envenenamento com substância clonazepam.
Também foram reconhecidas as qualificadoras do emprego de veneno e da dissimulação, além das circunstâncias de as vítimas serem menores de 14 anos e de os crimes terem sido praticados pelo próprio pai.
Ao fixar a pena, o magistrado observou as decisões tomadas pelos jurados e considerou, entre outros fatores, os antecedentes do condenado, a reincidência e as circunstâncias dos crimes.
Na sentença, o juiz determinou a execução imediata da condenação e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade. Também foi decretada a incapacidade para o exercício do poder familiar em relação aos filhos em comum.
Relembre o caso
O crime ocorreu em janeiro de 2025, na casa da mulher, na QNP 09, em Ceilândia.
O caso começou quando João Paulo teria ido até a residência da ex-companheira, pouco antes das 17h do dia 13 de janeiro. O homem era monitorado por tornozeleira eletrônica, usada como cautelar devido ao descumprimento da Lei Maria da Penha contra a ex-companheira, e teria retirado o equipamento antes de ir ao imóvel.
Os filhos do casal estavam na casa onde moravam com a mãe quando, enquanto a mulher estava fora de casa, na academia, o homem teria dopado as crianças com um medicamento sedativo, e trocado o cadeado.
O agressor foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) quando tentava fugir. Durante o trajeto à delegacia, agressor contou com frieza que dopou filhos para que eles “não presenciassem a morte da mãe”.
“Ela chegou, chamou o mais velho, chamou o nome dele, só que ele não respondeu. Aí, chamou o outro também, e ele não respondeu”, contou Lucinete Mourão, 61, vizinha da vítima. A mulher chamou um chaveiro. Quando conseguiu entrar no imóvel, viu os filhos dopados.
“Ela pediu para o chaveiro entrar com ela. Ela entrou no quarto e viu os meninos lá já praticamente desmaiados. Aí ela virou, viu que os meninos já estavam babando, espumando pela boca. Ela pediu o chaveiro para chamar os bombeiros”, contou a vizinha ao Metrópoles à época do ocorrido.
No momento em que o profissional saiu do imóvel, João Paulo esfaqueou a vítima e fugiu em direção a uma barbearia, onde solicitou um transporte por aplicativo para a casa da mãe, no Riacho Fundo II.
A mulher sofreu três perfurações de faca e teve uma hemorragia intensa. Ela e os dois filhos foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia.
As crianças apresentavam sonolência e vômitos. Depois de passarem por lavagem estomacal, ficaram bem. A mulher também recebeu atendimento médico e teve alta dois dias depois.