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Leandro Grass cobra investigação imediata e explicações públicas sobre sociedade de Celina Leão com empresário do transporte

Por Redação 13/07/2026 às 18h52 • Atualizado em 13/07/2026 às 15h55
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Pré-candidato ao GDF afirma que caso pode configurar quebra do princípio da impessoalidade

O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que os fatos revelados pela reportagem de Daniela Lima, do UOL, sobre a governadora Celina Leão são "graves" e precisam ser investigados pelos órgãos de controle. A jornalista informou que Celina e seu marido adquiriram, em sociedade com o empresário Edmundo Pinheiro, metade de um embrião de gado Nelore durante um leilão realizado em setembro de 2025. Edmundo é proprietário da concessionária Urbi, uma das empresas responsáveis pelo transporte coletivo do Distrito Federal. Segundo a publicação, o negócio foi avaliado em aproximadamente R$ 500 mil.

A revelação ocorre em um momento em que os contratos do transporte público do DF permanecem sob questionamentos e análises dos órgãos de controle. Nos últimos anos, o modelo de remuneração das concessionárias, baseado na chamada tarifa técnica - paga pelo GDF para cobrir a diferença entre a tarifa cobrada do usuário e o custo reconhecido da operação - tornou-se alvo de investigações, auditorias e disputas judiciais. Segundo a reportagem do UOL, somente entre 2019 e maio de 2026 a tarifa técnica foi revisada 63 vezes, e a Urbi está entre as empresas envolvidas no debate sobre revisões tarifárias e eventual devolução de valores pagos indevidamente.

Para Leandro Grass, a sociedade entre a governadora e um empresário cujos negócios dependem de decisões do Executivo amplia as dúvidas sobre a observância dos princípios da administração pública. "Isso aqui é grave e precisa ser investigado a fundo. Primeiro para entender se esses leilões de gado serviram como lavagem de dinheiro”, apontou o petista. “Depois para que seja explicada a quebra de impessoalidade entre a atual governadora e um dos maiores empresários do setor de transporte". O pré-candidato ainda afirmou que espera uma atuação célere dos órgãos responsáveis pela apuração. "O MPDFT e a Polícia Civil têm trabalho pela frente e a população espera respostas rápidas."

Leandro também destacou que a gravidade do caso é ampliada pelo volume de recursos públicos envolvidos no sistema de transporte coletivo do Distrito Federal. Segundo a reportagem do UOL, a Urbi recebe atualmente cerca de R$ 9,78 por passageiro a título de tarifa técnica, mecanismo pelo qual o GDF complementa a remuneração das concessionárias para manter congelado o valor da passagem. Ao todo, os repasses do governo às empresas de ônibus chegam a aproximadamente R$ 200 milhões por mês.

"O problema não é um investimento privado em si. O problema é quando a governadora mantém uma sociedade comercial com um empresário que depende de decisões do próprio governo para receber centenas de milhões de reais em recursos públicos”, evidenciou Leandro. “É exatamente por isso que a Constituição exige impessoalidade e transparência na administração pública. A população tem o direito de saber se houve conflito de interesses e espera uma investigação rigorosa.”

Histórico de questionamentos

Grass lembrou que esta não é a primeira vez que questiona relações envolvendo leilões de gado e integrantes do governo do Distrito Federal. “Em 2021, quando era deputado distrital, denunciei ao MPDFT o patrocínio do BRB em leilões de gado Nelore nos quais Ibaneis negociava seus bois”, destacou. À época, Leandro sustentou que a utilização de recursos de um banco público em eventos privados ligados ao chefe do Executivo merecia investigação pelos órgãos de controle.

Agora, segundo o pré-candidato, as novas informações divulgadas pelo UOL ampliam as preocupações sobre a relação entre agentes públicos e empresários com interesses econômicos diretamente vinculados ao Governo do Distrito Federal.

Para ele, diante da gravidade das informações divulgadas, a governadora deve prestar esclarecimentos públicos sobre a natureza da sociedade firmada com um empresário que possui contratos milionários com o GDF. "Celina precisa parar tudo que está fazendo e explicar em detalhes que tipo de relação é essa. Os órgãos investigativos, como o MPDFT e a PCDF, também precisam elucidar o caso. Havendo ilícito, ela precisa ser afastada imediatamente do cargo e responder na Justiça. É o que toda a população aguarda neste momento", concluiu.