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DE OLHO NA POLÍTICA

Ferido de morte: “O Rei Está Nu”

Por Redação 25/05/2026 às 10h01 • Atualizado em 25/05/2026 às 07h02
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Foto: Reprodução

O desgaste do escândalo BRB/Master e a soberba no embate com Celina Leão expuseram a solidão política de Ibaneis, que agora tenta desfazer o mal feito

O poder costuma produzir uma ilusão perigosa: a de que aplausos são eternos, aliados são fiéis e silêncio significa respeito. Em Brasília, quase nunca significa. Às vezes, silêncio é apenas abandono esperando a hora certa para se revelar. Foi exatamente isso que aconteceu no embate entre a governadora Celina Leão e o ex-governador Ibaneis Rocha.

Ibaneis resolveu partir para o confronto imaginando ainda possuir o mesmo exército político dos tempos em que ocupava o Palácio do Buriti. Descobriu tarde demais que boa parte daquela tropa não era lealdade. Era conveniência.

O episódio serviu para desnudar uma realidade incômoda: o escândalo envolvendo BRB e Banco Master corroeu parte importante da autoridade política do ex-governador. Brasília, cidade movida à sobrevivência, percebe quando um líder começa a carregar mais desgaste do que utilidade. E ninguém gosta de permanecer abraçado a uma estrutura que ameaça afundar.

Ao responder publicamente, Celina Leão deixou claro que não aceitaria o papel decorativo de herdeira política. Falou como governadora, com dureza, sem pedir licença. E a reação dos antigos aliados de Ibaneis talvez tenha sido mais devastadora do que a fala dela.

Vieram o silêncio, a distância e o sumiço estratégico. A antiga blindagem política simplesmente não apareceu. Muitos dos que frequentavam o gabinete do então governador, disputavam espaço em fotografias oficiais e se acotovelavam em busca de prestígio preferiram a cautela. Outros mergulharam numa conveniência constrangedora: fingiram não ver o conflito.

Na política, abandono coletivo nunca acontece por acaso.

O entorno de Ibaneis percebe que o escândalo BRB/Master deixou de ser apenas um problema administrativo ou financeiro. Transformou-se num passivo político pesado, tóxico e imprevisível. O caso passou a rondar o poder como uma nuvem carregada sobre o grupo que comandou o Distrito Federal nos últimos anos.

Celina entendeu isso antes de muita gente. Resolveu endurecer cortes, reduzir contratos, enxugar despesas e tentar reconstruir um discurso de responsabilidade fiscal diante do rombo encontrado nas contas públicas. Pode até desagradar setores do próprio sistema político, mas produz um efeito importante: reposiciona sua imagem para longe da crise que hoje consome antigos pilares do ibaneísmo.

Ibaneis, ao contrário, entrou no confronto olhando pelo retrovisor. Apostou na memória do poder que já teve. E descobriu, da forma mais cruel, que Brasília não costuma demonstrar gratidão. Demonstra interesse.

Talvez a cena mais simbólica tenha sido justamente a ausência de vozes inflamadas em sua defesa. Nenhuma reação contundente. Nenhuma mobilização espontânea. Nenhum gesto de força real. Apenas notas mornas, apoios burocráticos e o velho silêncio calculado dos que já começam a reorganizar o próprio futuro político.

Neste fim de semana, o reizinho sem coroa correu atrás da agenda da governadora, na tentativa de transmitir ao eleitorado a imagem de que tudo não passou de um mal-entendido. Fotografias, vídeos, apertos de mão e sorrisos calculados passaram a compor uma encenação política improvisada para tentar apagar o estrago público do rompimento.

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Mas há um problema que Brasília conhece bem: fotografia não reconstrói confiança política destruída diante das câmeras.

Coincidência ou não, Celina segue sua agenda sem olhar para trás. Mantém o cronograma de pré-campanha, conversa com aliados, reorganiza o tabuleiro e evita qualquer gesto que pareça submissão ao antigo padrinho político. Age como quem entendeu que o eleitor procura liderança, e não tutela.

Nos bastidores, a impressão que cresce é a de desespero. Ibaneis percebeu tarde demais que muitos dos aliados que o cercavam migraram silenciosamente para o entorno de Celina Leão. Parlamentares, empresários e operadores políticos começaram a fazer aquilo que Brasília faz como poucas cidades no país: abandonar rapidamente quem transmite fragilidade e se aproximar de quem aparenta continuidade de poder.

O rei, finalmente, percebeu que caminhava sozinho. E Brasília percebeu junto.

Agora pode ser tarde demais. O rei está nu.