Esporte deve ser política de Estado e não depender de emendas, defende Ricardo Vale
Em entrevista ao programa "Esporte em Ação", do Pod Cast EG News, apresentado por Paula Amidani, o deputado distrital destaca o papel das escolinhas comunitárias na periferia e propõe levar atletas campeões para inspirar jovens em escolas públicas.
O esporte tem o poder de transformar realidades, mas, no Distrito Federal, ainda carece de uma política pública contínua que independa de quem está no comando do governo. Essa é a principal tese defendida pelo deputado distrital Ricardo Vale (PT) em entrevista recente ao canal EG NEWS. Nascido e criado na periferia de Sobradinho, o parlamentar usou sua própria história familiar e sua trajetória no futebol amador para cobrar mais investimentos na base e menos burocracia para os atletas locais.
Durante o bate-papo conduzido pela atleta e apresentadora Paula Amidani, Ricardo Vale argumentou que investir em modalidades esportivas no contraturno escolar é, antes de tudo, uma estratégia econômica e de saúde pública. "Investir no esporte faz o jovem ter saúde física e mental. Ele não vai virar um presidiário, não vai virar uma pessoa doente para aumentar as filas no hospital. É muito mais barato investir no esporte antes", afirmou.
O desafio da política de Estado vs. Emendas Parlamentares é um dos pontos centrais tocados pelo deputado foi a instabilidade dos projetos sociais do DF. Atualmente, muitas escolinhas e ligas amadoras sobrevivem graças a emendas parlamentares individuais ou ao esforço financeiro dos próprios idealizadores, que tiram o sustento de suas famílias para manter os jovens longe das ruas.
Para Vale, o esporte precisa ter um orçamento robusto e garantido por lei, nos mesmos moldes da educação e da saúde. Ele relembrou a época em que o governo local assumia os custos de arbitragem de ligas amadoras — um dos maiores gargalos financeiros das competições —, ressaltando que o esporte de base não deveria ficar refém de "o deputado gostar ou não da área".
Com referencia a Inspiração olímpica e heróis locais, o parlamentar citou o marchador Caio Bonfim, medalhista e um dos maiores nomes do atletismo nacional, também cria de Sobradinho, como exemplo de superação. Vale pontuou as extremas dificuldades estruturais enfrentadas pela família de Caio antes do reconhecimento mundial e criticou o abandono de praças esportivas, quadras e estádios nas cidades satélites.
Como desdobramento prático da entrevista, surgiu a ideia de criar um projeto de lei para levar atletas e ex-atletas consagrados do DF — como a corredora Carmen de Oliveira e o ex-jogador de futebol Lúcio — para palestrar em escolas públicas. O objetivo é duplo: resgatar a memória viva dos heróis esportivos de Brasília e afastar as crianças do uso excessivo de telas, oferecendo o esporte como uma perspectiva real de futuro.
No tocante a Conexão com pautas sociais e de segurança, a entrevista também abriu espaço para debater como o esporte se conecta com outras pautas urgentes, como o combate ao machismo estrutural e à violência doméstica. Ricardo Vale mencionou projetos de sua autoria que debatem a igualdade de gênero nas escolas, enquanto a apresentadora Paula Midani compartilhou sua vivência no Kung Fu, iniciado aos 10 anos, como ferramenta essencial de autoconfiança e defesa pessoal após passar por situações de abuso na infância.
Ao final, o deputado colocou seu mandato à disposição de líderes comunitários e coordenadores de projetos sociais no DF que busquem apoio para iniciativas que gerem inclusão social genuína.
EG NEWS