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Anistia de dívidas, novo teto e Pix MEI: o que está proposto para o microempreendedor

Por Redação EG News • 13/10/2026 às 15h56 (Atualizado em 13/10/2026 às 16h00) • ⏱️ 7 min de leitura
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Matéria traça a trajetória do MEI desde 2009 e detalha a situação de cada medida anunciada

 

Em 17 anos, o Microempreendedor Individual saiu de uma lei complementar para virar o tipo de empresa mais comum do país. Nesta terça-feira (13), voltou ao centro do debate: o presidente Lula anunciou um pacote de medidas para a categoria, a 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

O começo: 2008 e 2009

O MEI foi criado pela Lei Complementar 128, de 19 de dezembro de 2008, que alterou a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. A lei foi sancionada em 2008, mas só entrou em vigor em 1º de julho de 2009. A ideia era trazer para a formalidade milhões de autônomos que atuavam sem amparo da lei e sem acesso à Previdência Social.

No desenho original, o faturamento bruto máximo era de R$ 36 mil por ano, com pagamento de um valor fixo mensal referente à Previdência e aos tributos do negócio.

A expansão: 2012 a 2020

O teto foi sendo ampliado. Em 2012, o limite passou de R$ 36 mil para R$ 60 mil, e em 2018 foi reajustado para R$ 81 mil. Esse último valor veio da Lei Complementar 155, de 27 de outubro de 2016.

O crescimento foi rápido. Até fevereiro de 2013, o programa já havia formalizado 2.747.426 MEIs. No começo de 2020, o país chegou a 10 milhões de microempreendedores e terminou o ano com mais de 11 milhões.

O MEI hoje

Em junho de 2026, o Brasil tinha 17,163 milhões de MEIs, o equivalente a 16,8% dos ocupados e 66,1% dos trabalhadores por conta própria. Entre dezembro de 2019 e junho de 2026, o número cresceu 82%.

O ritmo segue forte: mais de 1,59 milhão de novos MEIs foram registrados entre janeiro e abril deste ano, quase 15% a mais que em 2025, e eles já representam 78% das empresas abertas no país.

O teto, porém, ficou parado: o limite de R$ 81 mil está congelado desde 2018. Em 2026, o DAS varia de R$ 82,05 a R$ 87,05, conforme a atividade. A Receita também apertou a fiscalização, com foco em práticas como abrir MEIs em nome de terceiros para dividir receitas.

O anúncio: o "Prospera MEI"

Em cerimônia no Palácio do Planalto, Lula apresentou um pacote de cinco medidas, chamado Prospera MEI, que reúne perdão de dívidas com a União, compra de débitos bancários, apoio financeiro de até R$ 5 mil, ampliação do limite de faturamento e esclarecimentos sobre a dispensa de nota fiscal.

Perdão de dívidas. A proposta é de perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas com a União, que pode beneficiar 3,6 milhões de microempreendedores. Foi enviada em projeto de lei complementar, com anistia a partir de 2027 e dependência de aprovação do Congresso. O governo diz que não haverá nova despesa, porque os débitos estão na Dívida Ativa e, em grande parte, são considerados irrecuperáveis pela PGFN. Por outro lado, os R$ 12,6 bilhões são o estoque de dívidas, e o ministério não informou quanto esperava recuperar nem o impacto na arrecadação.

Dívidas bancárias (Desenrola 3.0). O edital terá descontos mínimos de 90% nos leilões de carteiras de dívidas bancárias. O governo ainda não informou o volume de recursos nem as condições.

Pix MEI. É um apoio de até R$ 5 mil, que não é empréstimo, para equipamentos, melhorias e investimentos. O programa ainda está em estruturação: o ministério não detalhou regras de acesso, número de beneficiários nem orçamento, e o financiamento será discutido na elaboração da Lei Orçamentária Anual. Separadamente, o ministério estuda um fomento produtivo de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2030, com prioridade para mulheres de menor faturamento.

Novo teto. A proposta é anterior ao anúncio: o PLP 186/2026 foi enviado ao Congresso em 29 de junho e eleva o limite de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. Também permite contratar até dois funcionários, em vez de um. O texto tramita em comissão especial na Câmara, sob relatoria do deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC).

Nota fiscal. Um decreto presidencial, de efeito imediato, esclarecerá a dispensa de nota nas vendas e serviços do MEI a pessoas físicas. A medida alcança também os nanoempreendedores: quem fatura até metade do teto do MEI ficaria dispensado de abrir CNPJ e de emitir nota nas vendas a pessoas físicas.

Licitações. O pacote também eleva de R$ 80 mil para R$ 100 mil o limite das licitações exclusivas para micro e pequenas empresas.

Situação de cada medida

Medida

Situação

Perdão de dívidas

PLP enviado ao Congresso

Compra de dívidas bancárias

Edital do Desenrola 3.0

Pix MEI

Em estruturação

Teto do MEI

PLP 186/2026, em comissão especial na Câmara

Nota fiscal

Decreto, efeito imediato

Fomento de R$ 5 bilhões

Em estudo (2027 a 2030)

O que vale hoje e o que depende de aprovação

Vale desde já: apenas a medida sobre nota fiscal, que será formalizada por decreto presidencial e tem efeito imediato.

Depende do Congresso: o perdão de dívidas, com anistia prevista a partir de 2027, e o novo teto do MEI, previsto para 2027 (R$ 110 mil) e 2028 (R$ 140 mil). Em ambos os casos, as datas 

valem se os projetos forem aprovados e sancionados.

Sem data definida: o Desenrola 3.0, que será regulamentado por edital específico, e o Pix MEI, que ainda está em estruturação, sem regras de acesso nem orçamento definidos. O fomento de R$ 5 bilhões está em estudo para o período de 2027 a 2030.

Enquanto isso, as regras atuais seguem valendo: teto de R$ 81 mil por ano, um funcionário e pagamento mensal do DAS.

Contexto e próximos passos

O anúncio ocorre durante a campanha do segundo turno, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Lula já havia antecipado a iniciativa no sábado (10), em ato em Natal. No evento, ele disse que ninguém quer ser MEI a vida inteira e que as pessoas querem crescer.

Na prática, o que depende do Congresso ainda não vale: a anistia e o novo teto precisam ser aprovados e sancionados. Defensores das medidas lembram que o teto está parado há quase uma década. Já pontos como o custo para os cofres públicos e as regras do Pix MEI ainda não foram detalhados pelo governo.