Em entrevista a Higino França na TV EG NEWS, Carol Fleury detalha propostas para o Entorno, defende passe livre e critica a "caixa-preta" do transporte
"A população passa quatro horas por dia enlatada dentro de um ônibus", isso é lamentável e para tentar sanar esse problema, fui uma das articuladoras de um consórcio interfederativo (envolvendo União, DF e Goiás)", Carol Fleury
A candidata a deputada federal Carol Fleury foi a convidada do programa comandado pelo apresentador Higino França, na TV EG NEWS. Durante a sabatina, a cientista política relembrou sua trajetória técnica nos bastidores governamentais, pontuou os desafios enfrentados à frente da Secretaria do Entorno e apresentou suas principais bandeiras políticas, com grande foco em mobilidade urbana, saúde integrada e educação.
De Manaus para os bastidores de Brasília
Nascida em Manaus (AM) devido à residência médica de seu pai, Carol mudou-se para Brasília aos dois anos de idade. Filha de mãe goiana e pai mineiro, formou-se em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), onde iniciou sua vida pública por meio de movimentos estudantis.
Com uma extensa carreira técnica, Fleury acumulou experiências na consultoria legislativa do Senado, em gabinetes da Câmara dos Deputados e como Secretária de Assuntos Parlamentares da Presidência da República. Essa vivência, segundo ela, foi o que lhe deu a verdadeira noção da importância de propostas que tenham viabilidade orçamentária e foco em resultados na ponta.

A crise de mobilidade no Entorno do DF
O ápice do debate ocorreu ao abordarem a mobilidade urbana da região metropolitana do DF. Carol Fleury compartilhou sua experiência recente como titular da Secretaria do Entorno, cargo que assumiu a convite do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ela identificou o transporte como o maior e mais urgente desafio da região.
"A população passa quatro horas por dia enlatada dentro de um ônibus", lamentou a candidata. Para solucionar o problema, Carol foi uma das articuladoras de um consórcio interfederativo (envolvendo União, DF e Goiás) com foco em infraestrutura e divisão de subsídios. Fleury também não poupou críticas à atual gestão do transporte público do DF, destacando a ausência de novas licitações e concorrência há 16 anos. Para a candidata, os altos valores de subsídios gastos hoje pelo governo deveriam viabilizar a tarifa zero para a população.
Saúde Sem Fronteiras e Educação em Tempo Integral
A integração entre DF e Goiás também foi defendida na área da saúde. Fleury argumentou que a regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser pensada por região e não por fronteiras estaduais, garantindo que o dinheiro público financie o local onde o paciente foi efetivamente atendido. Ela deu exemplos práticos de partos e acidentes em regiões de fronteira, que exigem o atendimento no hospital mais próximo, independentemente de ser gerido pelo DF ou por Goiás.
Outro pilar da conversa foi a Educação. Carol e Higino concordaram que é necessário impulsionar o ensino técnico, garantindo uma profissão aos jovens antes mesmo do ensino superior. Além disso, a candidata defendeu que a escola em tempo integral é uma ferramenta crucial de autonomia financeira para as mulheres. Segundo ela, garantir que a criança esteja segura na escola o dia todo permite que a mãe se insira no mercado de trabalho — um fator com impacto direto na diminuição das taxas de violência doméstica.
A entrevista rendeu discussões muito profundas sobre gestão pública e os desafios práticos da região metropolitana. Carol citou mais detalhes técnicos, vejam alguns:
Os Bastidores e a Ciência Política
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Da Medicina para a Política: Carol contou que quase seguiu os passos do pai, que é ginecologista, mas desistiu de cursar Medicina após passar mal ao assistir a um parto no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O teste vocacional na UnB a direcionou para a Ciência Política.
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Choque de Realidade: Ela revelou que, ao trabalhar na Secretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, precisou vetar projetos que, embora bem-intencionados, chegavam do Legislativo sem qualquer viabilidade orçamentária, evidenciando a desconexão entre a teoria da lei e o cofre público.
Transporte: A "Guerra de Vaidades"
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O Acordo Travado: Carol detalhou que a criação de um consórcio interfederativo de transporte chegou a ser desenhada tecnicamente: a União investiria em infraestrutura, enquanto o DF e Goiás dividiriam os subsídios. Apesar das reuniões bem-sucedidas, o projeto travou por falta de vontade política e "brigas de vaidades".
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Fronteiras Invisíveis: Foi citado o caso de áreas como a Cidade Ocidental, onde ônibus não podem ultrapassar a divisa por uma distância de apenas 1,5 km. Isso obriga trabalhadores e mães com crianças a caminharem diariamente para conseguir embarcar.
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Tecnologia Ausente: Foi criticado o fato de que aplicativos como Uber rastreiam veículos em tempo real, enquanto o transporte público opera "às cegas" para o usuário. Além disso, denunciaram que as concessionárias recebem pelo que foi contratado no papel, e não pelo serviço efetivamente executado nas ruas.
Economia e Burocracia no Entorno
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A "Fronteira" do Queijo e do Peixe: Carol usou um exemplo prático sobre a burocracia agropecuária: um queijo produzido e certificado em Goiás perde sua validade comercial ao simplesmente cruzar a rua para o DF. Ela defendeu um selo interestadual unificado para desburocratizar as vendas dos pequenos produtores.
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Parcerias Público-Privadas (PPPs): A candidata defendeu que o Estado não precisa gastar energia construindo o prédio de um hospital se não tem expertise na área de engenharia, devendo usar a iniciativa privada para a obra e focar o serviço público em fornecer os médicos e o atendimento na ponta.
Educação e Alerta Social
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Impacto das "Bets": Higino França fez um forte desabafo sobre o suicídio recente de um conhecido devido a dívidas com jogos de aposta online, usando o caso dramático para ilustrar a falta de perspectivas e a necessidade de uma educação de base estruturada.
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Jornada 6x1: O apresentador argumentou que o desgaste do trabalhador com a escala 6x1 está diretamente ligado à mobilidade urbana; se o cidadão não perdesse tantas horas diárias no trânsito, sua qualidade de vida e tempo com a família seriam muito maiores.
Rumo à Câmara dos Deputados
Ao final do bate-papo, Carol Fleury (que concorre sob o número 5555) pediu um voto de confiança aos eleitores e reforçou a importância do legislativo na fiscalização de contratos e na melhoria da qualidade de vida.
"A política vale a pena e é o instrumento para transformar vidas. A gente precisa fazer o que mexe na vida das pessoas", concluiu.
Link para a entrevista na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=vPl_g0x4uNY
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