Rádio EG News Segunda, 24 de agosto de 2026 24/08/2026
EG News
Siga-nos
BRASIL Saúde

Alfabetizar também é incluir: letras, autoestima e cidadania para transformar vidas

Por Redação 24/08/2026 às 18h10 • Atualizado em 24/08/2026 às 12h14
Imagem da matéria

Estácio Brasília realiza programa de alfabetização e letramento. Ação é voltada a pessoas com mais de 18 anos que não tiveram oportunidade de aprender a ler e escrever

Escrever o próprio nome. Ler sozinho o destino de um ônibus. Entender uma mensagem no celular, uma placa na rua, uma receita, um documento ou uma informação que chega pelo WhatsApp. Atos aparentemente simples fazem parte de uma autonomia que nem todos tiveram a oportunidade de conquistar ao longo da vida. É para ajudar a mudar histórias como essas que a Estácio Brasília oferece gratuitamente o Projeto de Extensão Alfabetização e Letramento, destinado a pessoas com mais de 18 anos que não foram alfabetizadas.

As aulas começaram em 19 de agosto, serão realizadas duas noites por semana e o programa tem duração de um ano. Mais do que ensinar letras, palavras e frases, a proposta é fazer da leitura e da escrita instrumentos de independência, cidadania e participação na vida cotidiana.

“Alfabetizar um adulto vai muito além de ensinar a ler e escrever: significa oferecer autonomia, independência e segurança. O aprendizado transforma situações cotidianas e também a forma como essa pessoa se enxerga. É um instrumento de cidadania e participação social”, avalia Kézia Balena, coordenadora do Programa de Alfabetização e Letramento de Adultos da Estácio Brasília.

E é justamente aí que se encontra a diferença entre alfabetizar e letrar. A alfabetização está relacionada à aprendizagem do sistema de escrita e ao desenvolvimento das habilidades necessárias para ler e escrever. O letramento vai além: significa conseguir utilizar a leitura e a escrita nas práticas sociais, compreendendo textos, informações e situações presentes no dia a dia. São processos diferentes, mas que caminham juntos.

Para um adulto que passou boa parte da vida sem dominar a leitura e a escrita, esse aprendizado pode significar muito mais do que decifrar palavras. Pode ser assinar sem depender de outra pessoa, acompanhar melhor a vida escolar dos filhos ou netos, compreender uma orientação de saúde, preencher um formulário, utilizar serviços digitais ou simplesmente escolher e ler algo porque teve vontade.

O projeto parte também do reconhecimento de que um adulto que chega a uma sala de alfabetização não chega sem conhecimento. Ao contrário. Chega carregando uma vida inteira de experiências, estratégias, memória, trabalho, relações e saberes construídos fora dos livros. O desafio da educação é encontrar esse repertório e acrescentar a ele uma ferramenta que, por diferentes circunstâncias, não pôde ser adquirida antes.

“Não considero mais fácil nem mais difícil, mas diferente. O adulto traz uma grande bagagem de vida, mas muitas vezes também carrega insegurança e medo de errar. Alfabetizá-lo exige sensibilidade, paciência e respeito ao seu tempo e às suas experiências”, explica Kézia.

Autoestima

Ao desenvolver a alfabetização associada ao letramento, a iniciativa busca fortalecer não apenas a aprendizagem, mas também a autoestima e a autonomia dos participantes, ampliando possibilidades para que cada aluno circule pela sociedade com mais independência.

Para quem ensina, acompanhar essas conquistas também tem um significado especial. “É uma experiência muito especial e emocionante, porque cada aluno chega com sua história, dificuldades e sonhos. Pequenas conquistas podem representar vitórias enormes para essas pessoas. Para o professor, participar desse processo é muito gratificante”, afirma a coordenadora.

SERVIÇO

Projeto de Extensão Alfabetização e Letramento – Estácio Brasília
Público: pessoas com mais de 18 anos que não foram alfabetizadas
Aulas: duas noites por semana
Duração: um ano
Investimento: gratuito