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Marqueteiro de Flávio reconhece repugnância de mulheres a Bolsonaro

Por Redação 20/08/2026 às 12h02 • Atualizado em 20/08/2026 às 09h01
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O marqueteiro Duda Lima, integrante da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), admitiu, publicamente, que o “jeito duro de falar” de Jair Bolsonaro (PL) provoca resistência entre as mulheres e classificou isso como um “desafio de comunicação”.

As declarações foram feitas durante uma palestra promovida pela Companhia de Negócios, em São Paulo, onde Lima também reconheceu que o presidente Lula tem maior capacidade de estabelecer uma “conexão emocional” com o eleitorado, em contraste com a relação que definiu como “mais racional” do campo bolsonarista.

 

Ao diagnosticar os obstáculos da campanha de Flávio Bolsonaro, o publicitário foi direto: o estilo do ex-presidente Jair Bolsonaro afasta mulheres.

“Quando você pega alguém como Jair, que tem essa estrutura militar, motociata, essa coisa toda, esse jeito duro de falar, normalmente, mulher tem uma certa repulsão a isso. Então, é muito mais forma, muito mais jeito do que conteúdo. E esse, de fato, é um desafio de comunicação mesmo”, afirmou Lima.

A tentativa de classificar o problema à “forma” e não ao “conteúdo” é, em si, uma escolha política: ao enquadrar a rejeição feminina como questão de estilo, Lima busca preservar o legado ideológico do bolsonarismo enquanto admite que sua embalagem repele metade do eleitorado.

O marqueteiro também reconheceu abertamente a vantagem de Lula (PT) nesse terreno. Segundo ele, o presidente petista consegue “tocar as pessoas” pela sua trajetória e habilidade de comunicação, estabelecendo uma “conexão emocional” que o campo bolsonarista, por sua vez, não consegue replicar, operando em uma relação que Lima classificou como “mais racional”.

 

Peso do eleitorado feminino e estratégia bolsonarista

O diagnóstico de Lima não é pouco importante. As mulheres representam 52,8% das pessoas aptas a votar no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados em junho, o que torna qualquer rejeição estruturada nesse segmento um problema aritmético antes mesmo de ser um problema de narrativa.

A preocupação com o eleitorado feminino já havia moldado a estratégia bolsonarista em 2022, quando a campanha de Jair Bolsonaro apostou na maior exposição de Michelle Bolsonaro para tentar suavizar a resistência das mulheres na reta final da disputa.

Agora, o desafio de Lima é ainda mais delicado: construir uma identidade própria para Flávio que mantenha o sobrenome e o capital político herdado do pai, mas que consiga mitigar a rejeição acumulada pelo ex-presidente em segmentos onde o bolsonarismo encontra maior resistência.