Kwibuka 32: CLDF realiza sessão solene em memória do genocídio dos tutsis em Ruanda
No dia 7 de abril de 1994, começava um dos maiores massacres da história da humanidade. O genocídio contra a etnia tutsi em Ruanda perdurou até o dia 4 de julho daquele ano, resultando na morte de mais de 1 milhão de pessoas. A tragédia foi tema de uma sessão solene nesta terça-feira (7) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), por iniciativa da deputada Doutora Jane (Republicanos).
\n“Como parlamentar negra, considero muito importante reafirmar o compromisso com a não violência e a não opressão de pessoas e povos”, afirmou a deputada. Ela ressaltou o sentido de Kwibuka, palavra que significa “lembrar” em Kinyarwanda, a língua nativa de Ruanda. O ano de 2026 representa o 32º Kwibuka, período anual de luto e memória sobre o genocídio.
\n“Nesse caso, lembrar não é apenas olhar para o passado. É proteger o futuro. É lembrar para que a dor não seja apagada, para que a verdade não seja negada, para que a barbárie jamais se repita”, disse Doutora Jane.
A prevenção a episódios semelhantes foi um dos principais temas da solenidade. O embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, enfatizou que a prevenção exige o reconhecimento de genocídios conforme o direito internacional. “Preservar esse entendimento é muito importante para evitar que minimizem a gravidade. A distorção do genocídio é um problema que diminui o que as vítimas e os sobreviventes passaram”, disse o embaixador.
\n\n
O tema não está distante dos dias atuais, lembrou o representante do Itamaraty, Márcio Augusto dos Anjos, chefe da seção de África Oriental e do Norte. “Continuamos a ver surgirem novos conflitos na Europa, no Oriente Médio e na África. E novamente permanecemos atônitos e sem ação. Assistimos ao aumento da desigualdade e da pobreza, criando terreno para ressentimento, revolta e novos conflitos. Continuamos a ouvir discursos de ódio, xenofobia, racismo e intolerância”, analisou.
O caso de Ruanda representou uma “falha de ação” da comunidade internacional, ressaltou o decano do Grupo de Chefes de Missões Africanas em Brasília, Martin Mbeng. “As pesquisas e investigações independentes da ONU concluíram que a resposta internacional falhou em aspectos cruciais de prevenção deste genocídio”, disse Mbeng.
\nA violência teve origem em discriminações acentuadas pelo colonialismo da Bélgica. Entre outras medidas, os colonizadores instituíram cartões de identificação étnica e priorizaram a minoria tutsi para cargos do governo, provocando tensões crescentes com a maioria hutu.
\n“O genocídio não começa com assassinatos e massacres, ele começa com ideias. O genocídio não foi um ato de ódio espontâneo, mas algo completamente planejado”, definiu o professor Jean-Pierre Karegeye. “No início dos anos 90, as milícias foram treinadas e as armas foram distribuídas. Estávamos lidando com um plano deliberado de genocídio e extermínio”, detalhou o professor.
\nA solenidade completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.
\n