Com o aval de Kassab, Arruda volta ao centro das articulações nacionais e transforma o DF em palco estratégico de 2026
Gilberto Kassab não joga para perder. Quem acompanha a política brasileira sabe: o presidente nacional do PSD tem faro de poder, leitura fina de cenário e uma capacidade rara de se posicionar sempre próximo ao centro das decisões. Não importa quem esteja no Planalto — Lula ou Bolsonaro — Kassab quer influência real, espaço institucional e controle de palanques. E o movimento mais ousado de 2026 passa, claramente, pelo Distrito Federal.
Hoje, o PSD é o segundo maior partido da Câmara dos Deputados, reúne seis governadores, domina os estados mais ricos do país e comanda o maior número de prefeituras do Brasil — 885, fruto de uma estratégia municipalista que agora se projeta para o plano nacional. Kassab não esconde o objetivo: ampliar bancadas, eleger senadores, governadores e transformar o partido no eixo central da próxima correlação de forças do país.
É nesse contexto que surge a aposta no ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Ao trazer Arruda para o PSD, Kassab sinaliza algo muito maior do que uma filiação: trata-se de recolocar um nome com densidade eleitoral, memória administrativa e capilaridade política no DF no jogo grande de 2026. Arruda, goste-se ou não, segue sendo um dos poucos políticos capazes de mobilizar bases populares, quadros técnicos e setores tradicionais da política brasiliense.
Kassab conhece o DF. E sabe que não se vence eleição majoritária apenas com marketing ou improviso. É preciso história, estrutura e voto real. Arruda entrega isso.
O movimento se soma a outro gesto estratégico: a filiação de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, ao PSD, com discurso de pré-candidatura à Presidência da República. O detalhe revelador é que o partido já conta com outros dois presidenciáveis naturais: Ratinho Jr., governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Três nomes, um partido, uma eleição. Isso não é confusão — é método.
A tese dos bastidores é clara: Kassab não está montando um projeto presidencial individual, mas construindo um partido grande o suficiente para mandar no jogo, independentemente de quem encabece a chapa. Presidência é parte da equação, não o todo. O verdadeiro objetivo é estrutural: controle de palanques estaduais, força no Congresso, influência sobre ministérios e estatais.
O tabuleiro montado impressiona. O PSD já tem ou pode ter protagonismo em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Pernambuco — os seis estados mais ricos e politicamente estratégicos do país. E não é irrelevante o fato de que Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite podem, no momento certo, abrir mão da disputa presidencial para disputar o Senado, fortalecendo ainda mais a bancada do partido.
Nesse cenário, o Distrito Federal deixa de ser periferia política e volta ao centro das articulações nacionais. Com Arruda, Kassab não apenas aposta em um nome competitivo, mas sinaliza que o DF terá papel estratégico no desenho de poder de 2026. É um recado direto aos adversários locais: o jogo agora é nacional — e Arruda voltou com padrinho forte.
Na política, nada é por acaso. E quando Kassab se move, é porque já enxergou o próximo lance.
Fonte: https://impactowiki.com.br/com