Parlamentares expuseram casos de corrupção da atual administração e demonstram confiança em uma virada da esquerda.
A sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) desta terça-feira (6), dois dias depois do primeiro turno das eleições, foi marcada por agradecimentos de parlamentares ao resultado eleitoral e críticas ao governo Celina Leão (PP), que disputará o segundo turno das eleições ao Governo do DF com Leandro Grass (PT) no dia 25 de outubro.
Reeleitos para mandato na CLDF a partir de 2027, Rogério Morro da Cruz (PSD), Pastor Daniel de Castro (PP), Pepa (PP), Eduardo Pedrosa (União), Chico Vigilante (PT), Gabriel Magno (PT) e Max Maciel usaram a tribuna. Eleitos para um mandato na Câmara Federal Thiago Manzoni (PL) e Fábio Felix também agradeceram os votos e falaram sobre a disputada no segundo turno.
Chico Vigilante (PT) agradeceu aos mais de 50 mil eleitores e eleitoras que compareceram às urnas e escolheram o seu nome. “Isso traz uma responsabilidade gigante, mas também uma felicidade enorme. Estou indo para meu sexto mandato de deputado distrital, morando no P Sul (Ceilândia) e casado com a mesma mulher”, afirmou, ratificando o compromisso com as pessoas idosas, trabalhadores terceirizados e servidores públicos.
Reeleito com 42.331 votos, Gabriel Magno (PT) comemorou a votação recebida, que o reconduziu ao cargo de deputado distrital, e afirmou que “a Educação continua tendo um mandado na Casa Legislativa”. O parlamentar saudou representantes de entidades de trabalhadores que prestam serviço à Secretaria de Desenvolvimento Social, presentes nas galerias durante a sessão, e que pedem a votação de um crédito suplementar ao Orçamento para receber pelos serviços prestados. Ele também teceu críticas à Celina e citou o escândalo do caso Master como um dos motivos que impediu a reeleição dela ainda no primeiro turno.
“Ela não consegue responder onde está o dinheiro do BRB dessa cidade, que pode estar nas maracutaias com Vorcaro. Ela não consegue responder porque, no orçamento do Distrito Federal, estão parados em uma conta CDB R$ 3,5 bilhões, enquanto a saúde está sem receber. R$ 120 milhões do Fundo de Saúde foram ilegalmente transferidos para o CDB do BRB”, aponta o parlamentar.
Magno criticou a postura de Celina de tentar se desassociar da figura de Ibaneis Rocha (MDB), que deixou o governo em março deste ano para concorrer ao Senado, pré-candidatura que não avançou. O deputado também mencionou o resultado desfavorável dos 11 ex-secretários de Ibaneis como símbolo da derrota do ex-governador.
Reeleito para um segundo mandato como deputado distrital, Max Maciel (Psol) foi o mais votado com mais de 90 mil votos. “A conquista é um marco importante para um mandato sem corporação, sindicato, empresa ou sobrenome por trás. Nós dialogamos nas redes e nas ruas. Eu digo a cada jovem da periferia do que sim, nós podemos. Temos repertório para dizer que a periferia nunca foi problema, mas a solução. O Psol fez história. Nossa missão era manter a bancada na CLDF e eleger Fábio Félix deputado federal, e assim fizemos”.
Lugar na Câmara Federal
Deixando o parlamento local como o mais votado para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, Fábio Felix (Psol) avaliou que os 224.224 votos recebidos foi “resultado de um trabalho sério de fiscalização e defesa dos Direitos Humanos”. Acrescentou não ter cometido “estelionato eleitoral”, enfatizando que as pautas que defendeu na campanha “foram as mesmas do mandato”. Externando “orgulho do trabalho realizado” na CLDF, ressaltou que será “combatente e corajoso em defesa da população do DF no Congresso Nacional”.
No pronunciamento, Felix também falou sobre o caso do Banco Master e atribuiu a falta de orçamento do DF ao escândalo. “Se as entidades sociais hoje estão pagando a conta de não terem dinheiro para pagar seus trabalhadores, é porque tem um caso de corrupção que foi feito nessa cidade pelos gestores e muita gente está pagando essa conta”, criticou.
Felix lamentou o avanço da extrema direita, que conseguiu eleger um grande número de senadores, deputados federais e senadores no país. No entanto, demonstrou confiança em uma possível virada da esquerda no segundo turno para impedir a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência e a reeleição de Celina ao governo do DF.
“Não achem que nós saímos intimidados das urnas. A gente sabe que o resultado não foi aquele que a gente esperava, mas continuamos de pé e vamos lutar nesse segundo turno para denunciar o desgoverno Celina Leão e reeleger o presidente Lula”, afirmou.
*Com informações da Agência CLDF.