Síndico ou Líder? Especialista Paula Camilo desvenda os pilares da Inteligência Emocional na gestão condominial
No videocast Universo Condominial, a mentora de líderes Paula Camilo discute a importância da comunicação assertiva e da empatia para transformar a gestão de condomínios.
Ser síndico vai muito além de gerenciar contratos, aprovar orçamentos e fiscalizar obras. Em um ambiente onde o coletivo se encontra com as mais diversas individualidades, a verdadeira diferença entre o fracasso e o sucesso de uma gestão está em uma palavra: Liderança.
No recente episódio do videocast "Universo Condominial", transmitido pela TV EG NEWS, a Dra. Mylena recebeu Paula Camilo, pedagoga com quase três décadas de experiência, especialista em neurociência, comunicação e mentora de líderes. Durante o bate-papo, Paula trouxe reflexões profundas sobre como a inteligência emocional tem se tornado o principal pré-requisito para quem assume a cadeira de síndico (seja morador ou profissional).
Gestor x Líder: Qual é a diferença?
Ao longo da entrevista, Paula enfatizou que muitas pessoas são qualificadas e contratadas pelos seus currículos técnicos, mas acabam "demitidas" pela falta de inteligência emocional. No universo condominial, isso se traduz no síndico que é um excelente administrador de planilhas, mas foge quando há um atrito entre vizinhos ou uma assembleia acalorada.
“O gestor administra, cobra e faz a gestão financeira. Mas, por trás de toda gestão, existe a humanização. O síndico precisa gostar de gente, desenvolver a capacidade de escuta ativa e ter disponibilidade para se conectar com as pessoas”, explica Paula.
A especialista destacou que problemas rotineiros raramente são puramente técnicos; na imensa maioria das vezes, a queixa do condômino está ligada à forma como a situação foi conduzida ou como a comunicação falhou. Um líder de excelência foca na solução do problema – e não em gastar horas procurando um culpado para os fatos.

Comunicação Assertiva e Humanidade na Prática
Um dos momentos mais tocantes do episódio ilustrou perfeitamente o papel humanizado do síndico. Paula compartilhou uma experiência pessoal recente: ao se mudar para um novo apartamento, descobriu posteriormente que uma tragédia havia ocorrido no local. Incomodada com a descoberta e com a forma como a informação foi omitida, ela procurou o síndico.
Em vez de respostas frias, ela encontrou um líder empático. O síndico escutou suas angústias, validou seus sentimentos e a ajudou a ressignificar o espaço, orientando-a sobre o poder de trazer sua própria energia para o ambiente. O posicionamento simples e acolhedor resolveu um conflito que poderia facilmente resultar em quebra de contrato, provando o valor incomensurável de uma comunicação não violenta (CNV).

Mitos e Verdades sobre a Liderança
Para sintetizar os conceitos, o programa trouxe uma dinâmica rápida de "Mito ou Verdade" com Paula Camilo, desconstruindo crenças populares que frequentemente travam a atuação de novos gestores:
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Um bom líder precisa ser querido por todos? MITO. O líder não está no cargo para ser "bonzinho", mas para ser respeitado. É possível ter afinidade pessoal e não gostar de uma liderança, assim como é possível respeitar um síndico firme mesmo sem ter intimidade com ele.
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Demonstrar emoção é sinal de fraqueza? MITO. O líder é um ser humano e pode mostrar sensibilidade. A diferença é que ele o faz com inteligência e no momento correto, mantendo o controle da situação.
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Dizer "Não" prejudica a relação com as pessoas? MITO. Segundo Paula, dizer não fortalece relações, pois as pessoas confiam naqueles que têm posicionamento firme, regras claras e que não cedem às pressões individuais em detrimento da coletividade.
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Quem tem autoridade não precisa explicar suas decisões? MITO. Uma verdadeira autoridade traz clareza para suas ações. Prestar contas e explicar as motivações é o que constrói a confiança com a comunidade.
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Inteligência Emocional significa nunca perder a paciência? MITO. Todos perdem a paciência, mas a inteligência emocional é a ferramenta que devolve as emoções ao seu lugar, permitindo que o gestor aja com a razão e foque no presente, sem explodir.
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O líder precisa resolver todos os problemas? MITO. Nem todo problema possui uma solução imediata ou fácil, mas o líder precisa estar presente em todos eles, garantindo que a melhor solução possível está sendo buscada.
A liderança pode (e deve) ser desenvolvida
Ao final da matéria, ficou uma mensagem clara para os síndicos que se sentem sobrecarregados ou que têm dificuldade de lidar com pressões e cobranças: ninguém nasce sabendo tudo. Liderança não é apenas um dom, mas um conjunto de habilidades treináveis.
Seja para enfrentar uma assembleia turbulenta, saber como penalizar um vizinho fora da regra, ou mediar conflitos internos, o autoconhecimento é a chave. Como Paula Camilo conclui, o síndico é o verdadeiro maestro do condomínio: quando ele rege com inteligência emocional e comunicação clara, a harmonia deixa de ser exceção e passa a ser a regra da casa.
Você pode conferir a entrevista completa da Paula Camilo no canal do YouTube "EG NEWS": https://www.youtube.com/watch?v=QzfsmMVocy4