"O Governo da Mudança": PSB lança Ricardo Cappelli ao Buriti sob o legado e a articulação de Flávio Dino
Por: Eugênio Piedade
Com o discurso afiado de quem promete romper com a atual dinâmica administrativa da capital, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) oficializou no último fim de semana a pré-candidatura do jornalista e gestor público Ricardo Cappelli ao governo do Distrito Federal para as eleições de 2026. Sob o lema de um "governo da mudança", o evento marcou o início de uma articulação que busca unir o campo progressista e de centro em uma frente ampla.
O ato, realizado na região central de Brasília, reuniu figuras históricas da legenda, como os ex-governadores Rodrigo Rollemberg e Cristovam Buarque, além de lideranças de outros partidos. Mas a principal força motriz da campanha de Cappelli vem de sua trajetória recente ao lado de um dos nomes mais influentes da República: o atual ministro do STF, Flávio Dino.
Embora Flávio Dino, por sua posição na Suprema Corte, não possa participar ativamente de palanques eleitorais, a imagem de Cappelli é indissociável de seu ex-chefe. Considerado o "braço direito" de Dino — tendo sido seu secretário no Governo do Maranhão e secretário executivo no Ministério da Justiça —, Cappelli herda o capital político e o modelo de gestão que a dupla implementou.
Para os apoiadores presentes no evento, a candidatura de Cappelli representa a "chancela" do estilo Dino de governar: pulso firme em momentos de crise e foco em resultados institucionais. Foi essa mesma confiança que levou o presidente Lula a nomear Cappelli como interventor da Segurança Pública do DF após os atos de 8 de janeiro de 2023, episódio que o projetou nacionalmente e o conectou diretamente aos desafios da capital federal.
Durante o lançamento, Cappelli centrou fogo nas desigualdades crônicas do Distrito Federal. "Brasília não cabe em um cartão-postal". Ele relatou que passou os últimos 17 meses em uma "imersão" pelas diferentes Regiões Administrativas do DF, vivendo a realidade fora do Plano Piloto.
"Eu decidi o seguinte: se eu vou participar, eu quero conhecer o Distrito Federal real, que é o Distrito Federal que não cabe no cartão-postal. É o Distrito Federal que não está na foto da Ponte JK ou no Eixo Monumental", declarou o pré-candidato.
A principal vitrine de seu plano de governo será a saúde pública. Cappelli apontou uma contradição que considera inaceitável: o fato de o DF possuir o maior orçamento do Brasil (R$ 74 bilhões em 2026, com cerca de R$ 1 bilhão mensal destinado à saúde) e, ainda assim, manter mais de 33 mil pessoas na fila de cirurgias e 120 mil aguardando especialistas.
Para combater esse cenário, ele anunciou o programa "Fila Zero", prometendo um choque de gestão na rede hospitalar caso seja eleito.
Para viabilizar o "governo da mudança", Cappelli deixou claro que uma chapa puramente de esquerda não será suficiente para vencer a máquina do atual governo (representada pela governadora Celina Leão e o ex-governador Ibaneis Rocha).
O PSB já iniciou diálogos com o PT, PSOL, PDT, PSDB e Solidariedade. A estratégia é clara: atrair eleitores de centro e formar uma coalizão robusta que veja em Cappelli a renovação administrativa necessária para tirar os serviços públicos do DF da atual crise.
Além de Cappelli, já se colocaram como pré-candidatos ao governo do DF, até o momento: Celina Leão (PP), Kiko Caputo (Novo), Leando Grass (PT), Izalci Lucas (PL), Paula Belmonte (PSDB) e José Roberto Arruda (PSD).
Quem é Ricardo Cappelli?
Ricardo Cappelli ganhou projeção nacional em 2023 ao ser nomeado interventor federal na Segurança Pública do Distrito Federal após os atos golpistas de 8 de janeiro.
Após a intervenção no DF, Cappelli ainda acumulou funções no governo federal, incluindo uma passagem como ministro‑chefe interino do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Em seguida, comandou a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria, entre fevereiro de 2024 e abril deste ano. Cappelli deixou o cargo com a intenção de disputar a eleição para governador.