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“Paulo Henrique Costa já está preso. Daniel Vorcaro já está preso. Falta responsabilizar o ex-governador Ibaneis Rocha, que possivelmente também será preso" Dário Durigan Ministro Interino da Fazenda.

Por Redação 02/06/2026 às 12h18 • Atualizado em 02/06/2026 às 08h19
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Marcelo Camargo/Agência Brasil

REPRODUÇÃO

Dario Durigan: a fala que fere de morte política Ibaneis Rocha

O escândalo BRB/Master deixou de ser um assunto restrito ao mercado financeiro. Tornou-se um problema político

Nos bastidores, costuma-se falar de fatos sem atribuir nomes e responsabilidades. Assumindo a fala desta vez, o ministro interino da Fazenda, Dário Durigan, deixou bem claro o ponto de vista do governo Lula. Nos corredores do poder, em Brasília, o que se está acostumado a ouvir são autoridades falando de inflação, juros, arrecadação e déficit fiscal. Não de prisão. Por isso, a declaração do ministro Durigan, caiu como uma bomba política.

Ao comentar a crise do BRB, Durigan não falou como economista. Falou como quem acredita conhecer o destino dos personagens envolvidos no caso. A frase foi curta e devastadora:

Não foi uma observação lateral, nem uma frase perdida no meio da entrevista. Foi um diagnóstico. Mais do que isso, uma sentença política.

Durigan poderia ter falado sobre passivos, recuperação financeira, liquidez ou responsabilidade fiscal. Preferiu outro caminho. Colocou o ex-governador do Distrito Federal no centro da crise e o associou diretamente aos desdobramentos que, segundo ele, ainda estão por vir.

Em outro trecho da entrevista, o tom foi igualmente duro. Para Durigan, o problema do BRB/Master não pode ser transferido para a União. A conta, disse ele, pertence ao Distrito Federal. Segundo suas palavras, a crise nasceu dentro do próprio governo local, quando Ibaneis era o responsável pelo Banco de Brasília, e deve ser resolvida pelo próprio GDF.

Ao rejeitar qualquer hipótese de socialização do prejuízo, Durigan deixou claro que Brasília não encontrará socorro no governo federal. Ou melhor, não encontrará socorro no governo petista.

A declaração tem peso porque parte de alguém que conhece os bastidores da negociação envolvendo o BRB, participou das discussões sobre o tema e fala de uma posição privilegiada dentro da estrutura econômica do governo. Foi exatamente isso que chamou atenção.

A entrevista produziu uma pergunta inevitável nos corredores do poder: o que leva uma autoridade desse nível a falar com tamanha convicção?

Em política, palavras raramente são inocentes. Quando vêm acompanhadas de tanta certeza, costumam carregar mais do que opinião. Carregam mensagem.

Foto Brenno Carvalho /AG

E a mensagem de Durigan foi compreendida imediatamente pelos personagens que acompanham o caso BRB/Master. O banco continua no centro da tempestade. Mas, depois da entrevista, ficou evidente que a tempestade já não é apenas financeira. Ela é política. E pode estar apenas começando.

O recado foi dado.