“Faca não entrou no peito de Vanilma por acidente”, diz promotor

Marlon Fernandes, do Tribunal do Júri do Gama, critica resultado do julgamento do ex-marido da vítima, morta em 2019

Arquivo pessoal

ARQUIVO PESSOAL

Acusado de matar a própria esposa, Vanilma Martins dos Santos, 30, com uma facada no tórax na frente do filho, que tinha 3 anos na época, o homem saiu do tribunal, na terça-feira (21/01/2020), com a condenação de 8 anos de prisão em regime semiaberto e com o direito de responder ao processo em liberdade.

Ainda no júri, logo após saber da sentença, a promotoria de Justiça interpôs recurso pedindo anulação do julgamento por decisão contrária às provas nos autos.

“A defesa sustentou a tese de que o crime foi um acidente, porém, isso seria fisicamente impossível. Uma faca não vai parar no peito de uma mulher por acidente. Seria impossível a lâmina ter escapado da mão de Tiago e voado até o peito de Vanilma, perfurando-lhe pele, músculos e o pulmão esquerdo”, contestou Marlon Fernandes ao Metrópoles.

Para o promotor, uma decisão que desconsidera o crime com a quantidade de provas que foram apresentadas e diante das circunstâncias é preocupante.

“Representa um retrocesso nessa luta, que vem desde a Lei Maria da Penha. Todo esse conjunto de medidas visa interromper esse ciclo de violência. A essa altura, uma faca cravada no peito de uma mulher, na frente do filho, no local onde ela deveria se sentir mais segura, ser considerado acidente é difícil de acreditar”, afirmou o promotor.

Marlon Fernandes afirmou que a decisão surpreendeu todos: “Foi um resultado totalmente inesperado, difícil até mesmo de entender. Respeitamos a decisão dos jurados, mas não podemos concordar nesse caso”.

O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) vai recorrer e, se a Justiça acolher o pedido, um novo julgamento será realizado. Porém, Tiago continuará respondendo em liberdade até lá. Ele ficou preso por um ano por matar a mulher e foi liberado na terça-feira (21/01/2020).

Os jurados não reconheceram o crime de homicídio doloso (com intenção de matar) e o desclassificaram para homicídio culposo (sem intenção). No momento da sentença, a juíza Maura de Nazareth condenou o acusado por lesão corporal seguida de morte, o que deu a ele uma pena de 8 anos em regime semiaberto. Se o réu fosse condenado por feminicídio, a pena poderia chegar a 30 anos de prisão.

A história de Vanilma foi tema do projeto Elas por Elas, do Metrópoles, que retratou os feminicídios ocorridos no DF em 2019.

Fonte: Metropoles