A evolução para uma ruralidade moderna no Distrito Federal

Por: Salin Siddartha

A população rural do Distrito Federal ainda está distante dos benefícios da Internet, pois somente 22,6% dela têm acesso a esse serviço. Os empresários rurais necessitam investir em tecnologias da informação para tomar decisões em nível crítico de gestão; diante dessa premência, é importante identificar quais são as atividades que estão utilizando a tecnologia da informação na gestão das empresas rurais em Brasília.

Uma agricultura de precisão pode racionalizar o sistema de produção agrícola moderno e o emprego de agroquímicos, reduzindo os custos, minimizando impactos ambientais e melhorando a qualidade dos produtos agrícolas. O comércio eletrônico possibilita a compra e a venda de produtos e insumos agropecuários, além de disponibilizar informações que cobrem amplas atividades agropecuárias.

Apesar da importância de que se avoluma a informatização, apenas uma minoria dos administradores rurais utiliza a tecnologia da informação para a gestão eficiente de dados; entretanto pode-se aplicar a tecnologia da informação ao empresário do campo, capacitando e atualizando tecnologicamente os administradores e gerentes daquelas empresas, bem como amenizando fatores sobre os quais os produtores não têm controle, como a dependência das condições climáticas para produzir. Desse modo,

o uso correto da informática pode oferecer ao agronegócio recursos tais como o diagnóstico de doenças em plantas ou animais a partir de informações prestadas pelo agricultor, além de cursos de treinamento a distância.

Por outro lado, e lamentavelmente, os usuários rurais internautas também são desconhecidos do Governo do Distrito Federal, que pouco ou nada tem feito no sentido de interagir administrativamente e pedagogicamente para pôr em andamento uma nova forma de gestão do negócio agropecuário e para conscientizar o produtor rural sobre as ferramentas que podem estar em suas mãos, a fim de otimizar o processo produtivo. Destarte, a palavra de ordem em pauta deve ser o substantivo QUALIFICAÇÃO.

Muitas empresas do segmento agrícola não possuem técnicas de gerenciamento hábil devido à falta de qualificação do empresariado rural. Quando essas aziendas passam a utilizar um sistema de informação, elas organizam-se e determinam-se a um sistema de trabalho bem definido.

Precisa-se reestruturar ruralmente o DF, evoluindo para uma ruralidade agrária moderna, com empresa familiar, mas capaz de articular estratégias pluriativas, concretizando-se na mobilização e sensibilização dos produtores e da comunidade de que fazem parte, priorizando problemas, potencialidades e construção participativa das soluções. De fato, o incremento de políticas comunitárias para o desenvolvimento rural ajudará a operacionalização de programas e iniciativas positivas da comunidade.

Uma estratégia de desenvolvimento rural há de orientar um modelo de agricultura sustentável com múltiplas funções, assim como proteger o patrimônio ecológico por intermédio de medidas agroambientais concentradas em cinco eixos: água, solo, riscos naturais, biodiversidade e paisagem. À vista dessas providências, dez pontos devem ser destacados: extensão da produção agrária, as variáveis nativas de espécies vegetais, técnicas ambientais de racionalização de produtos químicos, luta contra erosão em meios frágeis, proteção da fauna e flora, economia de água fluvial, fomento da intensificação da produção, proteção de paisagem, prevenção contra incêndios e gestão integrada das explorações pecuárias.

Uma política de desenvolvimento rural deve concentrar-se na melhoria da paisagem e do ambiente rural, na promoção da qualidade de vida na zona rural e na diversificação da sua economia. A área rural do DF pede infraestrutura, amparo à saúde, melhorias na educação, emprego, saneamento rural e melhor e maior articulação do campo com a cidade – uma das maiores necessidades continua a ser o aperfeiçoamento do crédito rural para aumentar a produção.

O tamanho da população camponesa brasiliense é uma razão suficiente para um programa de desenvolvimento que amenize ou inverta o viés urbano-industrial; porém a elevação da pobreza no campo mostra a falta de investimento público na agricultura. Tem-se de estimular os programas destinados a famílias da área rural com renda “per capita” abaixo de um salário mínimo, criar agroindústrias e prestar assessoria para que as famílias obtenham financiamentos, desenvolvam a produção e comercializem o produto final. Após a instalação das pequenas agroindústrias, o GDF tem de fornecer treinamento para os agricultores e possibilitar a aquisição de insumos, embalagens e demais itens para a apresentação comercial e o “marketing” do produto.

Em suma, tem-se de proporcionar os meios para um avanço que possibilite a instauração de uma nova mentalidade e funcionamento das forças produtivas do campo no rumo de uma ruralidade moderna, adaptando-a e inserindo-a em um controle socioeconômico compatível com a realidade pós-moderna mundial, suprindo as exigências que o mercado externo apresenta,mas que o mercado interno e local ainda não o faz.

Cruzeiro-DF, 7 de setembro de 2019

Fonte: Jornal Info Cruzeiro