Bolsa bate ouro e lidera entre melhores investimentos do ano

Ao longo da década, no entanto, crise fez metal ganhar e Ibovespa ficar abaixo da inflação em retorno ao investidor

Internet/reprodução
INTERNET/REPRODUÇÃO

Ano em que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, bateu recordes, 2019 termina com o mercado de ações liderando, ainda que tenha ficado perto do ouro, entre os rendimentos que tiveram maior retorno real, acima da inflação. Os dados foram compilados pela empresa de informações financeiras Economática.

Entre o último dia do ano passado e 30 de dezembro de 2019, o Ibovespa deu retorno real (descontada a inflação) de 27,6%, ficando em vantagem em relação ao ouro, que teve retornos de 24,22%.

De acordo com o gerente de relacionamento institucional da Economática, Einar Rivero, o ouro teve uma volatilidade bastante acentuada, mas muitos investidores acabam vendo o metal como alternativa, quando os mercados internacionais oscilam muito — como ocorreu ao longo de 2019.

Logo em seguida, aparecem a poupança, que teve retorno real de 2,96%, o CDI, com 2,72%, e o dólar (0,88%). Nesse mesmo período, o euro foi o único entre os principais investimentos que servem de referência para comparação com a Bolsa que teve queda real, de 1,35%.
MAIS SOBRE O ASSUNTO

Historicamente, o investidor brasileiro costuma dar preferência para a renda fixa. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que levam em conta os fundos de investimento no mercado de varejo, apontam que mais de 75% do volume financeiro está alocado em renda fixa, somando um montante de R$ 468 bilhões.

Em contrapartida, nos fundos de ações, a alocação fica em 5% do total, ou R$ 32,7 bilhões.

No entanto, com as quedas consecutivas da taxa básica de juros, a Selic, que atingiu o piso histórico de 4,5% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os investimentos em renda fixa acabaram perdendo rentabilidade.

Aplicações tradicionais, como caderneta de poupança, fundos atrelados à taxa DI, que acompanha de perto a taxa Selic, e os títulos do Tesouro Direto indexados pela Selic não devem conseguir proteger o investimento do brasileiro de perdas inflacionárias projetadas para o IPCA no ano que vem.

Década
Nos últimos dez anos, a Bolsa viveu períodos marcantes, acompanhando as reviravoltas do cenário político nacional, que acabaram afetando o desempenho. Ao longo da década, o ano de 2015 marcou um momento significativo, lembra Rivero, da Economática.

Se, entre 2009 e 2015, o Ibovespa teve uma queda real de retorno de 57,55%, do fim de 2015 até agora, o ganho real de retorno supera os 129%.

“O que definiu um momento de forte queda e de forte alta foi o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a posterior mudança de governo. Pela crise que se estendia, tudo o que se perdeu em seis anos está sendo recuperado agora”, diz Rivero.

Se considerados os resultados de toda a década, o Ibovespa acaba perdendo para a inflação, tendo queda real de retorno de 3,27%.

No período, o ouro ganhou com folga entre os principais investimentos, com retorno de 87,52%, seguido por CDI (45,90%) e dólar (32,81%).

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: Metropoles