Pretos e pardos morrem mais por agressão do que brancos no DF

Informações do Ministério da Saúde analisadas pelo (M)Dados mostram as causas de óbitos por raça e cor

Andre Borges/Esp. MetrópolesANDRE BORGES/ESP. METRÓPOLES

Agressões são a quarta maior causa de morte entre pardos no Distrito Federal e apenas a 12ª para brancos, de acordo com informações do Ministério da Saúde analisadas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles. Juntando pardos e pretos, foram 500 óbitos por agressão em 2017 – último ano disponível do levantamento. Já entre os brancos, foram 113 casos.

Os dados utilizados são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), que reúne informações sobre as causas dos falecimentos em todo o Brasil. Eles são utilizados em diversos estudos sobre violência no Brasil por serem mais completos e sistematizados do que outras bases públicas.

No Distrito Federal, 3,57% dos brancos morreram por agressão em 2017. Entre os pardos, esse índice sobe para 14,08%, enquanto fica em 8,57% para os negros. O professor do departamento de Assistência Social da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Ortegal explica que há uma seletividade nas mortes violentas, que vitima mais negros e pardos do que brancos.

“Diversas estruturas sociais vão deixando o jovem negro e pardo em espaços de maior vulnerabilidade. Isso [as mortes por agressão] não acontece nos bairros ricos, mas sim na periferia. Um exemplo é o que aconteceu em Paraisópolis“, destaca. Ele se refere à ação da polícia em uma festa de rua no bairro da periferia de São Paulo, que resultou em nove mortes.

“É o racismo que autoriza esse tipo de atitude. Isso está internalizado no imaginário do agente do estado e até entre os próprios pares. Se [quem cometeu o crime] for preso, ele sabe que aquela morte não terá tanta repercussão [se a vítima for preta ou parda]”, acrescenta.

De acordo com o Datasus, os que mais morrem por agressão são os categorizados como “amarelos”, com 14,81%. No entanto o universo desses casos registrados para pessoas de origem asiática é muito inferior aos demais, o que distorce a comparação – quatro de 14 mortes, ao total. O mesmo acontece com os indígenas (12,5%), que têm um total de seis óbitos.

Soluções

Para Ortegal, a solução para diminuir os casos de agressão de pretos e pardos está longe. “O governo despreza essa realidade. O Juventude Viva foi um dos primeiros programas cortados na crise ainda no governo Dilma”, lembra.

Agora, aponta o professor, o governo Bolsonaro “disse que ia tirar a centralidade do programa no jovem negro para jovens vulneráveis, mas o que temos nos dados é o escândalo de mortes de jovens negros”. “A seletividade acontece nas periferias, nos territórios pobres, porque no Plano Piloto não morre ninguém por agressão”, acrescenta.

“Muitas coisas levam aos homicídios. Uma pessoa atirando na outra é o ato final. Para isso acontecer, tem problema de educação, de saúde, de emprego e renda. Para desfazer esse nó precisa voltar esse caminho”, finaliza.

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Fonte: Metropoles