Coronavírus: alunos do DF se adaptam à rotina de estudos on-line

Com os colégios fechados devido à pandemia, crianças e adolescentes aproveitam videoaulas e plataformas de ensino oferecidas pelas escolas

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ARQUIVO PESSOAL

Devido à pandemia do novo coronavírus e com o intuito de tentar conter a disseminação da doença, diversas medidas foram adotadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) no início de março. Entre as quais está a suspensão de aulas presenciais – que podem permanecer proibidas por mais 15 dias, conforme antecipado pelo Metrópoles na segunda-feira (30/03). Com isso, as escolas foram obrigadas a fechar as portas e milhões de estudantes receberam orientação para permanecerem em casa.

Como os últimos anos escolares já são considerados desgastantes para os jovens que vão prestar vestibular, muitos precisam, na atual situação, se reorganizar a fim de manter a frequência de estudos e não perder o ritmo de preparação para as provas.

Maria Luiza Asfora Lira (foto de destaque), 17 anos, é estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Maristão, na Asa Sul. As aulas dela foram suspensas por mais de 20 dias.

“Aula presencial faz falta, mas os professores estão colocando todas as atividades com bastante dinamismo na internet e substituindo o que a gente precisa”, destacou.

Maria Luiza quer fazer faculdade de economia. “Quero passar na Universidade de Brasília (UnB), sou muito focada e não quero perder o ritmo, porque sei que, se eu parar, não vou conseguir retomar novamente. Separei um ambiente em casa só para estudar e passo boa parte do dia me dedicando. As videoaulas estão me ajudando bastante. Conseguimos interagir com os professores e isso alivia a preocupação”, ressaltou.

O adolescente Otávio Mendonça Costa, 17, também está no 3º ano do Maristão. Ele relata que, no primeiro momento, a notícia de que não haveria aula por um período tão longo foi um choque. “Os professores publicam a videoaula para os estudantes tirarem dúvidas e interagirem por meio de um fórum de troca de mensagens, como se fosse uma rede social”, explicou.

Otávio descreveu o que muda quando se estuda em casa. “Aqui tem mais distrações e preguiça, a gente olha para a TV e para o celular e dá vontade de não estudar. Mas como a escola começou com as aulas on-line, acredito que teremos motivação maior para participar”, comentou.

“Até agora, só tivemos aulas gravadas e, a partir da semana que vem, elas serão ao vivo. A plataforma que usamos funciona muito bem e o conteúdo está sendo repassado a contento. A nossa maior preocupação agora é com as datas de provas para o ensino superior e a falta de informações por parte das instituições que ainda não definiram novos calendários de provas”, acrescentou.

Na rotina, Otávio está tentando manter o mesmo horário de estudos de uma semana comum. Ele acompanha as videoaulas durante a manhã e, à tarde, costuma realizar as questões indicadas pelos professores.

Segundo o coordenador pedagógico do ensino médio do Maristão, Matheus Kaiser, a escola está tentando trabalhar com a realidade que tem. “Não estamos fazendo muitas previsões para o futuro. Ao invés disso, nós utilizamos plataformas e aplicativos com professores que já possuem habilidades para atuar e operar no meio digital”, assegurou.

A instituição utiliza a plataforma Blackboard. “O nosso material está sendo postado. Temos aulas ao vivo e gravadas, fora atividades, testes e processos avaliativos, tudo disponível virtualmente. São muitas metodologias e instrumentos variáveis a serem utilizados neste momento. Acreditamos que o processo de aprendizagem precisa de motivação e que os alunos se sintam estimulados. Nosso objetivo é não deixá-los prejudicados durante o período”, completou.

Os pequenos do Colégio Marista (Maristinha), da educação infantil, também estão sendo abastecidos de informações. Eles contam com brincadeiras, jogos e atividades lúdicas que podem ser realizadas de acordo com a rotina da família. Os alunos do ensino fundamental anos iniciais (do 1º ao 5º ano) têm contato com os professores pelas plataformas digitais e todos os dias exploram duas disciplinas diferentes que fazem parte do currículo.

Já os estudantes do ensino fundamental dos anos finais e ensino médio (idades entre 12 e 18 anos, em média) precisam manter, diariamente, a atenção na rotina e dedicação ao conteúdo repassado pelos docentes.

A modalidade de aulas domiciliares está prevista para ocorrer até 5 de abril, mas pode ser alterada de acordo com as orientações de autoridades do Estado e sanitárias.

Quarentena

Segundo a professora de química Daniela Trovão, 40, alguns dias depois de o colégio ter entrado em quarentena, docentes e direção já se mobilizaram para dar início às atividades via internet.

“Independentemente de valer como dia letivo ou não, achamos importante entrar com a atividade para que os meninos não saíssem do ritmo.”

De acordo com a professora, em um primeiro momento, os conteúdos seriam para reforçar o que já estavam trabalhando. Com o retorno positivo, passaram a fazer videoaulas com novas matérias. “Começamos a executar isso on-line e temos uma atuação bacana dos alunos. Não são todos que entram, mas também estamos tirando relatórios dos que estão participando e acionando os que não estão ativos. Não queremos deixar a peteca cair”, pontuou.

Veja o conteúdo produzido pela professora Daniela para alunos do 1º e 3º anos do ensino médio:

Classroom

A modalidade de ensino on-line tem sido grande aliada no período de quarentena. A plataforma Classroom, utilizada pelo Colégio Objetivo DF, auxilia os professores a repassarem um conteúdo mais explicativo aos estudantes e serve de apoio para os alunos neste momento de aprendizagem em casa.

Segundo a instituição, os docentes fazem lives pelo YouTube das 9h às 18h. Dessa forma, os alunos podem tirar dúvidas on-line. O retorno é positivo, com diversos adolescentes interessados e participando da atividade.

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Educadores do Colégio Objetivo DF fazem live no Youtube com os alunos

Professora de sociologia do Objetivo, Maria Clara Araújo, 21, dá aulas nas unidades de Taguatinga Norte e Sul e em Águas Claras.

“Todos os docentes estão fazendo conteúdos de qualidade para tentar suprimir um pouco a falta que a presença do professor em sala faz. As dinâmicas das lives estão bem atrativas. Os alunos estão gostando muito. É importante até para se distraírem da sensação de isolamento e das notícias ruins reforçando a todo momento tudo o que estamos passando”, assinalou.

Assista a uma das lives dos professores do Objetivo DF no Youtube:

Aluno do 3º ano do ensino médio, Victor Fernandes Xavier aprova a metodologia adotada pela escola. “É uma experiência muito válida, mas requer certo autodidatismo. O colégio está fazendo a sua parte. O problema maior é por que não é suficiente para repor as aulas que estamos perdendo. Entendemos como uma tentativa”, avaliou.

Em sua nova rotina, Victor, que deseja cursar ciências sociais, escolheu estudar nos horários das aulas e dar mais atenção às disciplinas que têm mais peso para o curso, além de se dedicar àquelas que sente mais dificuldade. “Estou focado”, frisou.

Outros colégios, como o Leonardo da Vinci e a Casa Thomas Jefferson – que dá aulas de inglês – iniciarão as aulas ao vivo a partir de segunda-feira (30/03).

Rede pública

Apesar de as escolas da rede pública de ensino ainda não terem adotado o modelo on-line, professores e alunos do Centro Educacional 6 (CED 6) de Ceilândia estão se comunicando e trocando dicas sobre a rotina de estudos em aplicativos de mensagens.

O docente Kléber Caverna, como é conhecido, mandou vídeo aos alunos para incentivá-los. “A dica é para que revejam o que já foi trabalhado. Também podem assistir a um bom filme sobre questões históricas, além de aulas na internet”, disse o educador.

Aluno do 3º ano do CED 6, Matheus Andrade também se manifestou sobre a rotina no período de quarentena: “Tem sido um pouco complicada porque não tem o auxílio de um professor para tirar dúvidas. Estou contando com a ajuda das apostilas e videoaulas. Consigo estudar, mas não é a mesma coisa que estar em sala de aula”.

Outros professores do CED 6 também estão publicando conteúdos no Instagram

Assista:

Conselho de Educação

Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) estuda implementar o ensino a distância na Conselho de Educação (CEDF) da rede pública. A medida foi aprovada pelo Conselho de Educação (CEDF) na última terça-feira (24/03).

Segundo estimativa da pasta, se o decreto que suspendeu temporariamente o ano letivo nas escolas públicas e privadas for prorrogado, a modalidade on-line poderá ser adotada a partir de 6 de abril. Com a indefinição da quarentena, há também a possibilidade de o ano letivo nas redes de ensino avançar para 2021.

Inicialmente, as aulas on-line devem ser levadas a 80 mil estudantes do ensino médio, sendo estendidas, posteriormente, aos anos finais e iniciais do ensino fundamental.

Na rede pública, serão viabilizadas aulas on-line por meio da plataforma Moodle, que poderá ser acessada pelo computador ou por aplicativo para celular.

O estudante entrará, com login e senha, numa versão virtual de sua escola, e poderá visualizar sua turma e os componentes curriculares. As aulas serão desenvolvidas por meio de atividades e recursos diversos.

A depender da estrutura de conectividade, será possível desenvolver tarefas de modo on-line ou off-line. Assim, professores e estudantes poderão estar juntos durante os 50 minutos de aula.

Há também a opção de os alunos baixarem (fazer download) as atividades e desenvolvê-las no tempo e espaço que melhor atenderem as condições de cada escola e estudante, sendo possível disponibilizar outros vídeos da internet, além de materiais produzidos pelos docentes.

Para o diretor do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Samuel Fernandes, o ensino a distância (EAD) pode ser útil neste momento de pandemia, mas não é a melhor solução.

“O EAD cumpre um papel específico no processo educativo, porém, não supre a necessidade de situações de aprendizagem dos estudantes da educação básica no que se refere a aulas presenciais”, salienta.

Ainda segundo o sindicalista, “o problema da EAD na rede pública de ensino básico não é somente o fato de boa parte de o seu público estudantil não ter acesso à internet. Defendemos que, após o fim da pandemia, seja reorganizado um novo calendário e discutido com a categoria”.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: Metropoles

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