Sob o comando petista há 16 anos na Bahia… um terço da população não estuda, não trabalha e não faz faculdade

No estado, o percentual de adultos com nível superior praticamente não mudou entre 2017 (9,9%) e 2018 (10,1%). Nesse período, o estado foi ultrapassado por Alagoas (de 8,4% em 2017 para 10,3% em 2018) e Pará (de 9,1% para 10,7%).

Aliado a isso, a Bahia tem outro dado preocupante, na avaliação de especialistas: o percentual de pessoas de 15 a 29 anos de idade que não estavam estudando e nem trabalhavam avançou pelo segundo ano consecutivo e chegou a 28,2% em 2018 – quase um milhão de pessoas nessa situação (962 mil).

Para além da educação, os resultados revelados pela Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua) apontam para um futuro preocupante da juventude baiana. Hoje, um terço da população do estado não estuda, não trabalha e ainda tem acesso limitado ao ensino superior.

“Estamos diante de um cenário muito preocupante. O número da Bahia é muito baixo mesmo em relação ao do Brasil, cuja média já é muito baixa. Se olharmos países em desenvolvimento, a taxa de população com ensino superior é de 30% a 35%”, avalia Tarso Nogueira, pró-reitor de Graduação do Senai Cimatec.

Ele cita os casos de Israel e Coreia do Sul, países que passaram por um ciclo curto de desenvolvimento e hoje se destacam em inovação tecnológica. “São países que têm mais de 50% da população com ensino superior. Isso é importante porque estamos vivendo grandes transformações tecnológicas e isso vai se acelerar muito nos próximos anos, a chamada sociedade 5.0, amplamente conectada. O Brasil precisa de uma massa populacional preparada para essas transformações”, ressalta.

Nogueira pontua ainda que a tecnologia está em franca expansão e não se relaciona apenas com as engenharias, mas entra em áreas como Direito, Medicina e Ciências Sociais. “Nos EUA, as Ciências Sociais já estão estudando a relação de humanos e robôs. Na Universidade de Illinois, cursos de Medicina estão sendo integrados com Engenharia”, conta.

Razões
O estudante de Jornalismo Cássio Moreira, 21 anos, enfrenta essa realidade. No quinto semestre em uma instituição privada de Salvador, ele precisou trancar o curso: “Tive que sair do estágio, que era uma fonte de renda, e meu pai sofreu um acidente, tive que cuidar dele. Fiquei apertado e tive que trancar”.

Cássio espera voltar ainda este ano, mas não esconde a preocupação. “Tem sido bastante difícil com esses cortes e contingenciamentos, o que prejudica o acesso às instituições públicas. As instituições particulares não oferecem alternativas nem condições para que os estudantes possam permanecer”, diz.

Embora, na Bahia, o número de pessoas que terminaram o ensino superior seja o segundo pior do país, a realidade do estado não difere muito do resto do Brasil. A coordenadora de projetos do Todos Pela Educação, Thaiane Pereira, diz que o percentual de pessoas jovens que não trabalham nem estudam preocupa. No Brasil, em 2018, eram 23% daqueles com idades entre 15 a 29 anos.

“Os gestores públicos precisam entender quem são esses jovens que estão fora da escola e do mercado. Tem uma massa enorme de jovens, com alto potencial, subaproveitados”, diz Thaiane.

Desigualdades
Thaiane afirma que este cenário é reflexo da realidade do país de desigualdades sociais. Na Bahia, a taxa de pessoas com ensino superior completo entre a população branca foi de 17,9%. Entre negros e pardos, o número cai pela metade (8,4% deste grupo).

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Fonte: A Trombeta