Publicitária do DF que tomou vacina da Johnson & Johnson relata experiência

Bibiana Lima, de 39 anos, faz parte do grupo de 800 voluntários selecionados na capital para testar imunização contra Covid-19

Bibiana Lima - voluntária da vacina Johnson & Johnson

BIBIANA LIMA/ IMAGEM CEDIDA AO METRÓPOLES

A possibilidade de contribuir para o desenvolvimento de uma vacina capaz de conter a pandemia de Covid-19 encorajou a publicitária brasiliense Bibiana Lima, 39 anos, a se candidatar como uma das voluntárias da 3ª e última fase dos ensaios clínicos da vacina Johnson & Johnson. Ela recebeu a dose única do imunizante, na terça-feira (17/11), em uma clínica da Asa Sul.

“O sentimento é de colaboração, de contribuir para sairmos da pandemia. As pessoas criaram um medo de tomar vacina e isso é ruim para todo mundo”, afirmou ao Metrópoles.

Desde março, Bibiana está trabalhando em home office, mas a ideia de voltar ao trabalho presencial antes do fim da pandemia a deixa preocupada pois ela mora com os pais. Além da idade avançada, o pai da publicitária é ex-fumante e hipertenso.

Apesar de não saber se recebeu a vacina contra Covid-19 ou um placebo – por se tratar de um estudo com grupo controle e duplo-cego – , Bibiana contou que sentiu fadiga, coriza, dor de cabeça e dor no braço por dois dias.

Nos primeiros sete dias, os participantes passam informações diárias sobre o estado de saúde. Nos três meses seguintes, o monitoramento começa a ser semanal e vai se espaçando ao longo dos 24 meses. “A gente tem dentro do aplicativo um espaço para perguntas e um canal para ligações. Se eu tiver qualquer sintoma de Covid-19, eu tenho que reportar para eles”, conta.

A possibilidade de ter tomado a vacina não fez Bibiana baixar a guarda contra o vírus. Os cuidados com a saúde permanecem iguais aos adotados desde o início da pandemia. “Para mim, é como se eu não tivesse tomado (a vacina). Estou me cuidando do mesmo jeito”, conta.

A candidata à vacina contra Covid-19 da gigante farmacêutica Johnson & Johnson está na fase 3 dos ensaios clínicos, sendo avaliada em 60 mil voluntários no mundo. O Brasil participa com 7 mil pessoas, 800 delas selecionadas no Distrito Federal.

Diferentemente dos estudos de outras vacinas, este não se restringe aos profissionais de saúde na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Pessoas de qualquer profissão se inscreveram por meio do site do Instituto L2IP.

Os voluntários foram divididos em quatro grupos: jovens saudáveis, jovens com comorbidades, idosos saudáveis e idosos com comorbidades. A previsão é que os 800 voluntários recebam a vacina até janeiro de 2021 e que o estudo seja concluído em abril.