O pesadelo de Piñera

Diante da violenta repressão do governo aos protestos populares, deputados de sete partidos de oposição assinam pedido de impeachment do presidente chileno

Crédito:  Pedro UGARTE / AFP

VIOLÊNCIA Conflitos no Chile deixaram 26 mortos e 230 pessoas sem a visão de um dos olhos: crime de Estado e violação dos direitos humanos (Crédito: Pedro UGARTE / AFP)

Vicente Vilardaga

Até agora há milhares de feridos, 26 mortos e pelo menos 230 pessoas que perderam a visão de um dos olhos por causa dos conflitos que assolam o Chile desde o dia 18 de outubro. A reação da polícia ao movimento social tem sido altamente violenta e desproporcional à capacidade de enfrentamento dos manifestantes. Por causa da truculência do governo, onze deputados de oposição oficializaram na semana passada uma acusação constitucional que pode levar ao impeachment do presidente Sebastián Piñera.

IMPASSE Sebastián Piñera: demora para reagir às reivindicações e falta de empatia com o povo (Crédito:Javier TORRES / AFP)

Em um documento de 110 páginas, os parlamentares descrevem os excessos cometidos na repressão aos protestos e responsabilizam diretamente Piñera pelas violações dos direitos humanos no país. As manifestações começaram
depois que o governo decidiu elevar o preço das tarifas de metrô em 30 pesos, fazendo com que atingissem um valor máximo de 830 pesos (R$ 4,40 na cotação atual).

Desigualdade social

Parlamentares de sete partidos — PC, PS, PPD, FRVS, PH, PL e RD — assinaram o pedido de impeachment. A maior surpresa ficou por conta de dois deputados do Partido Socialista. Eles engrossaram o coro dos descontentes. Há duas semanas, o partido ficou em cima do muro e se omitiu nas acusações contra Piñera, alegando que seria um erro responsabilizá-lo e tentar uma ação para tirá-lo do cargo. Para prosperar, o pedido de impeachment precisa passar pela Câmara, onde é necessário o apoio de mais de 50% dos deputados, e pelo Senado, em que se exige o voto de dois terços dos representantes. Na sexta-feira 15, o Congresso chileno chegou a um acordo para convocar em abril do ano que vem um plebiscito sobre uma nova Constituição para substituir a atual, em vigor desde a ditadura de Augusto Pinochet.

Os protestos no Chile evidenciaram as limitações da política liberal no país, que aumentou a desigualdade social e penalizou a classe média e os mais pobres. Também se acusa o presidente de demora para reagir às reivindicações populares e de falta de empatia com os problemas da população. Piñera anunciou uma série de medidas econômicas, a “agenda social para a unidade nacional”, que incluem o cancelamento do aumento de 9,2% nas contas de luz, além de promessas de subir aposentadorias e pensões em 20%, mas não tem sido capaz de pacificar o Chile. Na segunda-feira 18, milhares de pessoas tomaram a Praça Itália, no centro de Santiago. A maioria dos manifestantes eram estudantes, que reclamam da falta de recursos para a educação, outro problema que Piñera tem de enfrentar.

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Fonte: IstoÉ