O mundo parou! E agora?

Por: Dra Eunice Nóbrega Portela Psicanalista da Rede Living

Esse tem sido o comentário mais recorrente nos últimos 4 meses. Estamos passando por uma crise profunda em todos os setores. Não sabemos ao certo quais são as medidas mais eficazes que deverão ser adotadas. A situação é complexa, assustadora para os brasileiros e para a população mundial. No entanto, existe de fato um clima de medo que paralisou a rotina de todos criando a insegurança de muitos trabalhadores quanto a manutenção do seu emprego, do sustento da família e da sensação de fragilidade diante das vulnerabilidades. Não se trata apenas de grupos de risco de contaminação com o novo coronavírus. Trata-se, do mesmo modo, a situação de vulnerabilidades social que tende a agravar-se com a crise na saúde pública que afeta diretamente a economia e à segurança pública. Estamos alimentando e encubando outro vírus altamente destrutivo que pode afetar de forma incontrolável a vida das pessoas: o desemprego, a fome, a violência, o endividamento e a saúde mental. Hoje ouvi diversos pacientes com quadro de depressão, síndrome do pânico dentre outros transtornos psíquicos totalmente descompensadas, em crise diante da incerteza, do medo, da ociosidade, da falta de perspectivas. Não é tarefa fácil reunir essas queixas e voltar para casa como se nada estivesse acontecido. É fato o aumento das queixas de depressão, ansiedade, insônia, transtorno obsessivo compulsivo, pânico e apatia.

Estamos em processo de adoecimento mental acelerado, todos estão sentindo um mal-estar. Alguns demonstram irritabilidade, tristeza, insônia, ansiedade, medo ou outro sofrimento psicossomática que não é percebido ainda como um problema de saúde mental.
Vivemos várias guerras, crises, pandemias, epidemias. Foram momentos de grandes inquietações tais como as que estamos vivendo hoje. Se a situação atual é a mais grave não se sabe, existem divergências nesse quesito, inclusive, para a comunidade científica. Para alguns o vírus é letal e todos que contraírem a doença morreram, para outros, a situação requer cuidados mais existe tratamento. Para esses últimos cientistas algumas pessoas são contaminadas e não apresenta nenhum dos sintomas do Covid 19. Parece existir maior nível de comprometimento em idosos que tenham outras comorbidades . Esses infectados podem morrer em decorrência do agravamento da saúde e vir a falecer por outra comorbidade e não por causa exclusiva do coronavírus.
O SUS tem sido eficiente quanto aos protocolos de atendimentos adotados e condutas de tratamento. Existe mobilização dos governos para fortalecer o SUS no atendimento a pessoas infectadas pelo coronavírus. Do mesmo modo, alguns artistas doaram dinheiro para socorrer as ações e criar as condições necessárias para atendimento aos pacientes positivos sintomáticos. Previsões de colapso no sistema de saúde pública pode ter sido um alerta para criação e ampliação da capacidade de atendimento. Diferentemente da Itália, que foi atingida em massa pelo coronavírus sem tempo de planejamento de crise. O Brasil tem esse tempo, pois ainda não temos registros de colapso em nenhum estado da federação.
A fome, desemprego e a violência é um colapso que atingirá à população e poderá causar mais danos e até óbitos em grupos que entrarão em estado grave de vulnerabilidade social , fome, miséria, pobreza extrema e agravamento na saúde dessa população.
Resta saber quem vai matar mais. Essa é uma estatística só vai revelar a falta de união dos poderes. Em nome do bem nacional não cabe mais nenhum jogo político partidário. Não é momento para montar “ fantoches” é momento de unir forças, fazer a gestão eficaz da crise e todos são responsáveis por ela, afinal estamos no mesmo barco.
Está virando consenso entre membros da sociedade de que é melhor formar os equipamentos de proteção individual de proteção e combate ao vírus do que manter um salário para todos ficarem em casa. Proteger a população é algo bem mais amplo do que deixá-lo improdutivo. Apesar da opção do home office vale ressaltar que não é aplicável a todos os trabalhadores. Portanto, assistiremos o aumento do nível de estresse da população geradores de mal-estar. É importante pontuar o papel do desejo que está relacionado com a motivação do sujeito para o trabalho. Uma coisa é o sujeito não desejar trabalhar e outro ficar totalmente privado do seu desejo.
Educar para o combate é proteção ao vírus é mais viável do que desativar as engrenagens que colocam o Brasil em movimento.
Educar é, sobretudo, criar um novo padrão comportamental de responsabilidade e cuidado com a sua saúde e a do outro.
Essa é uma
Estratégia de enfrentamento da crise. No entanto, não passaremos por esse aprendizado sem sofrimento e algumas perdas, infelizmente. Preparar a população para proteger-se da contaminação pelo coronavírus pode ser melhor do que tirá-lo do mercado de trabalho.
Os grupos de riscos devem ser protegidos e ter garantia de sobrevivência e mantidos em segurança em seus lares. Os que precisam trabalhar redobrem os cuidados com o uso de máscaras, higienização das mãos e superfícies, mantenham a distância de 2 metros entre outras pessoas, mantenham o local arejado, limpo e a mente otimista de que breve tudo voltará ao normal.
Nós vamos vencer essa crise juntos.
Dra Eunice Nóbrega Portela
Psicanalista da Rede Living

Fonte: http://egnews.com.br

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