Empreendedorismo: Sebrae Capital Digital lota o Biotic no DF

Os 800 participantes inscritos participaram da programação, no Parque Tecnológico de Brasília, que incluiu 10 palestrantes

JP Rodrigues/MetrópolesJP RODRIGUES/METRÓPOLES

Cidade da inovação. É por esse apelido que Brasília foi chamada durante o Sebrae Capital Digital, evento de marketing digital e empreendedorismo nesta sexta-feira (23/08/2019), no Parque Tecnológico Biotic, próximo à Granja do Torto.

A primeira edição do evento foi criada para debater duas temáticas atuais: empreendedorismo e plataformas digitais. Valdir Oliveira, superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF), conta que a ideia é ensinar empresários a se adaptarem às novas tendências tecnológicas do mercado.

“Estamos aqui para preparar um lojista, um comerciante, um prestador de serviços. Ele precisa usar o canal digital como ferramenta de interação com o cliente”, explica. Para o Sebrae-DF, a capital do país é o cenário ideal para o crescimento nessa área. O evento tem 800 participantes inscritos e 10 palestrantes, com programação até este sábado (24/08/2019).

Capital empreendedora

“Aqui em Brasília a gente tem um consumidor privilegiado, com servidores públicos com salário acima da média. Se não prepararmos o empresário do DF para esse novo ambiente tecnológico, vamos perder o que temos de melhor: o cliente. Se o comprador não consumir aqui, vai consumir fora da cidade”, alerta o superintendente do Sebrae-DF.

Para Valdir Oliveira, o Parque Biotic é um espaço que ajuda a incentivar a produção em Brasília. Inaugurado em junho de 2018, o edifício abriga empresas de base tecnológica, startups e instituições vinculadas à ciência, tecnologia e inovação. O Biotic é uma subsidiária integrante da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap).

“O Sebrae tem um laboratório dentro do Biotic. É um espaço colaborativo. Em um ano, fizemos mais de 400 eventos, com mais de 10 mil pessoas participando. O parque é um grande exemplo do que essa nova matriz de desenvolvimento pode trazer”, explica Oliveira.

A programação desta sexta-feira começou às 9h, mediada por Tony Ventura. Além de apresentar o evento, o especialista em tecnologia mostrou, durante os intervalos, dicas de aplicativos, sites e serviços on-line que ajudam a deixar o cotidiano da população mais dinâmico.

O jornalista e escritor Marcos Piangers foi o primeiro palestrante do dia. Aos participantes, ele falou sobre como o empreendedor pode se adaptar ao mercado digital e às redes sociais sem sentir medo. “A quantidade de novidades é o que mais assusta, o empreendedor se sente inseguro, pois é muita coisa acontecendo o tempo todo. É importante que ele ouça alguém falando de forma técnica e inspiradora sobre o assunto. Inovações partem de pessoas inspiradas.”

Depois, foi a vez de Rafael Rez conversar com o público sobre marketing de conteúdo. Fundador da empresa de consultoria Web Estratégica e da Nova Escola de Marketing, Rez explicou sobre como e-books, séries de vídeos, planilhas, apresentações de slides e podcasts podem ser ferramentas para ajudar os empresários na interação com o cliente e na venda do produto.

“Começamos a fazer a festa há 14 anos, mas trazer conteúdo para Brasília era muito caro. Então, começamos a investir em festas de outros lugares e passamos a trazê-las para Brasília. Quando fazíamos isso, o evento ganhava nome, mas quem levava o mérito era a festa, não a gente”, narrou.

“Nossa solução foi começar a criar os nossos conteúdos. Se eu não tivesse tido essa dificuldade, a gente seria apenas uma ponte, não conseguiríamos ter essa característica criativa que temos hoje. Precisamos inovar para o negócio continuar”, completou o empresário.

Logo em seguida, os participantes do evento assistiram à palestra de Carla Sarni, proprietária da clínica odontológica Sorridents. Na ocasião, a empresária contou histórias pessoais e orientou empreendedores a saber como passar por situações de dificuldade financeira.

“Se vocês colocarem foco nas soluções dos problemas, vão começar a encontrar oportunidades nesses problemas. Nós tínhamos 75% dos nossos pacientes que não voltavam após os tratamentos, só depois de quatro anos, quando estavam com dor de novo. Então, criamos um plano odontológico. Hoje, os nossos pacientes voltam a cada seis meses para fazer limpeza. Trouxemos uma oportunidade de fidelizar o cliente e cuidamos dele”, exemplificou.

“O Sebrae pensa em atender micro e pequenas empresas para capacitá-las em marketing digital. A entidade trouxe vários palestrantes reconhecidos, com muitas soluções, para oferecer uma imersão mesmo, com conteúdos novos, uma gama de informações para pessoas que às vezes não têm acesso a essas ideias ou até têm, mas querem se capacitar mais”, afirmou.

Ainda segundo o gestor, “este é um evento que está movimentando a cidade. É um ambiente aberto para as pessoas que querem trazer suas inovações e fazer parte desse sistema”.

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Gustavo Dias Henrique, presidente do Biotic
Cidade Digital

De acordo com o presidente do Biotic, o Parque Tecnológico de Brasília, existente há um ano, foi criado com o objetivo de, primeiramente, gerar empregos para os moradores do Distrito Federal.

“É um ambiente em que se encontram entidades, empresas e startups. Quase toda semana, temos eventos aqui. O que buscamos é a geração de emprego e renda, que é o que o governador Ibaneis Rocha determinou. Pela idade do parque, ele já está bombando. As coisas estão acontecendo”, disse.

Segundo Henrique, nos próximos anos, a gestão do Biotic irá ampliar ainda mais o parque. “Agora, vamos construir uma cidade digital. Este é o primeiro prédio de um ambiente que vai ter vários outros edifícios. A proposta é uma cidade digital, com a interação de várias empresas, comércio e espaço universitário”, descreveu.

Ainda de acordo com o presidente do Biotic, a área de 1 milhão de metros quadrados próxima à Granja do Torto deve receber, a médio prazo, 794 empresas. “É o que chamamos de conceito de morar, viver e trabalhar. Tudo em um mesmo lugar”, explicou.

Gustavo Dias Henrique destacou, ainda, a participação da academia nesse processo. “Tudo na nossa vida é inovação. Temos conversado muito com a Universidade de Brasília [UnB]. Queremos juntar pessoas que têm ideias para gerar soluções e negócios. O mundo da inovação não existe sem que esse ecossistema se comunique”, acrescentou.

Fonte: Metropoles