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sábado, setembro 21, 2019

Comentário desagradável do marido faz mulher descobrir câncer de mama

Comentário desagradável do marido faz mulher descobrir câncer de mama

Por iG Saúde 

É melhor ser rude do que ficar em silêncio”, diz ela, que talvez não tivesse descoberto o diagnóstico a tempo sem a interferência do parceiro

A britânica Louise Stephens-Pantoja, de 48 anos, diz que deve sua vida a um comentário “mal educado” do marido. De acordo com ela, Oliver, com quem é casada há 15 anos, comentou que seu seio estava “um pouco esquisito” durante uma manhã de domingo. O comentário a motivou a fazer exames que levaram ao diagnóstico de câncer de mama .

cicatriz de cancer de mama
shutterstock

Louise descobriu um câncer de mama após marido alertar sobre marca “esquisita” em seu seio

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Ao portal The Sun , a mulher compartilhou a importância de os parceiros observarem os corpos uns dos outros e comentarem se algo estiver diferente. “Eu ainda não tinha percebido nada estranho. Se não fosse por ele eu poderia não descobrir a tempo”.

“É fundamental que os maridos e namorados saibam reconhecer o câncer de mama também e tenham a confiança de contar se algo estiver errado”, reforça. “Eu quero passar essa mensagem para frente: é melhor ser rude do que ficar em silêncio”.

O sintoma era um pequeno caroço do tamanho de uma ervilha, localizado logo acima do mamilo esquerdo de Louise. Após o diagnóstico, ela diz que “fez o possível para se manter positiva”.

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Louise precisou se submeter a uma mastectomia completa, além da quimioterapia. Ou seja, retirou o seio esquerdo em cirurgia. Felizmente, agora a mãe de dois filhos diz que se sente bem e pretende “deixar a doença para trás”.

Além da contribuição do parceiro, é importante não descuidar do autoexame , fundamental para um diagnóstico precoce do câncer de mama . De acordo com especialistas, a mulher deve estar atenta a qualquer alteração na coloração da pele dos seios, descamações, nódulos ou crescimento sem explicação aparente.

Fonte: Saúde – iG @ https://saude.ig.com.br/2019-09-20/comentario-desagradavel-do-marido-faz-mulher-descobrir-cancer-de-mama.html

“Bumbum de pêssego” da noiva chama a atenção em casamento e viraliza no Twitter

“Bumbum de pêssego” da noiva chama a atenção em casamento e viraliza no Twitter

Por iG Delas  – Atualizada às 

A verdade é que tudo não passou de uma ilusão de ótica causada por uma das madrinhas no momento em que a foto foi tirada

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O bumbum de uma noiva deu o que falar nas redes sociais depois de uma foto postada por seu companheiro, Truman Burbank, da Jamaica, no Twitter. O casal estava prestes a selar a união quando o registro foi feito. Clique na imagem abaixo e amplie.

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bumbum da noiva chama a atenção no casamento
Reprodução/Twitter/@brandoattacks

O tamanho do bumbum da noiva chamou a atenção por causa de uma ilusão de ótica causada por uma das madrinhas

“Aquele momento em que um casamento jamaicano começou na hora”, diz Burbank na legenda da foto, que tinha como intenção mostrar que 70 convidados estavam atrasados para a cerimônia. Entretanto, o que realmente surpreendeu foi o “tamanho” do bumbum da noiva.

A imagem mostra os noivos no altar, acompanhados pelos padrinhos. Uma das madrinhas está abaixada na frente da pretendida e, no momento do clique, gerou uma ilusão de ótica em relação ao bumbum.

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Não demorou muito para a postagem se espalhar pelo Twitter, com mais de três mil curtidas. “Levei alguns segundos para perceber que há duas mulheres nessa foto”, diz um internauta.

“Há uma ilusão de ótica acontecendo aqui. Fiquei confuso por um tempo”, conta outro. “Finalmente vejo que tem outra mulher. Agora eu gostaria de perguntar: ‘O que ela está fazendo?'”, questiona uma usuária da rede social.

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Além do ” bumbum de pêssego” da noiva, outro detalhe chamou a atenção e foi pontuado por um internauta: “Eles começaram [a cerimônia de casamento ] sem os convidados. Perfeito!”, comenta.

Fonte: Delas – iG @ https://delas.ig.com.br/noivas/2019-09-20/bumbum-de-pessego-da-noiva-chama-a-atencao-em-casamento-e-viraliza-no-twitter.html

Após ser indiciada pela Polícia Civil, Najila é acusada de dois crimes pelo MP

Após ser indiciada pela Polícia Civil, Najila é acusada de dois crimes pelo MP

Por iG Esporte 

Modelo é acusada pelo Ministério Público de São Paulo por denunciação caluniosa e extorsão no caso em que acusaou Neymar de estupro

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Najila Trindade
Reprodução / Renato S Cerqueira/ Futura

Najila Trindade, a modelo que acusou Neymar de estupro em Paris

A modelo Najila Trindade Mendes de Souza foi denunciada na última terça-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de denunciação caluniosa e extorsão no caso em que acusou o jogador Neymar de ter cometido um estupro em um encontro dos dois na cidade de Paris, na França.

A acusação não é a primeira contra Najila , que já havia sido indiciada pela Polícia Civil também por fraude processual, denunciação caluniosa e extorsão . O ex-marido da modelo, Estivens Alves, também foi denunciado por fraude processual e por divulgação de conteúdo erótico de sua ex.

Na última quarta-feira (11), Najila prestou depoimento, no caso em que acusa  Neymar  de divulgar imagens íntimas suas na internet. Ao deixar a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), na Cidade da Polícia, zona Norte do Rio, ela manteve suas denúncias contra Neymar, incluindo a de que ele cometeu o estupro  num hotel de Paris, em maio.

“Minha vida está devastada. Quem comete um crime público é bem capaz de cometer um crime privado. Já conseguiram provar que eu não fui violentada nem nada, mas não conseguiram indiciar ele por esse crime que ele fez. Ele tá trabalhando igual no futebol: driblando e caindo”, ironizou Najila

Fonte: Esporte – iG @ https://esporte.ig.com.br/futebol/2019-09-18/apos-ser-indiciada-pela-policia-civil-najila-e-acusada-de-dois-crimes-pelo-mp.html

A mulher assassinada dentro da Secretaria de Educação do DF

Foi um choque. Samuel, irmão mais velho da vítima e grande parceiro das brincadeiras e piadas nos encontros de família, não fazia ideia dessa relação. Ele tinha visto Debora acompanhada de Sérgio apenas duas vezes, na igreja. Inclusive perguntou quem era. A caçula desconversou, disse que era apenas um amigo.

“Talvez fosse um rolo, algo que estava começando. Minha irmã era muito reservada, não apresentaria se não fosse importante”, diz Samuel, acostumado com o jeito discreto de Debora, principalmente quando o assunto era a própria intimidade. O primogênito, aliás, nunca soube o nome do homem até 20 de maio deste ano.

Naquela tarde de outono, aos 43 anos, Debora Tereza Corrêa foi assassinada por Sérgio Murilo dos Santos, policial civil de 47 anos. Ela estava no trabalho. O feminicida entrou no prédio da Secretaria de Educação, na 511 Norte, identificou-se na portaria e caminhou até a sala onde ela trabalhava. Pouco depois, após discutirem no corredor, sacou a arma, matou a professora e, em seguida, suicidou-se.

Arte/Metrópoles
Ilustração/Metrópoles

Xará e amiga de infância, Débora Mazzei também não sabia desse envolvimento. Estudaram na mesma escola, foram vizinhas na 307 Norte, viraram companheiras de viagens, eram rivais no jogo War e se tornaram parceiras na preparação das mousses de maracujá. Ela nunca viu Sérgio, tampouco ouviu falar dele. Sequer tinha conhecimento de que a colega sentia medo e estava sendo perseguida.

Arquivo Pessoal
Débora Mavvei e Debora Tereza
Débora Mazzei e Debora Tereza

Conhecia alguns relacionamentos antigos e mais sólidos da amiga. “Éramos próximas havia bastante tempo. Apesar dos nomes iguais, tínhamos naturezas diferentes. Ela era tranquila, reservada, calma, meiga e mansa. Não era de balada. Saía mais para comer do que para beber. O contrário de mim”, confidencia Débora. As duas conviveram por 35 anos. Mas sobre Sérgio, nada sabia. Foi um choque.

A maior paixão de Debora era bem conhecida do irmão e dos amigos mais próximos: os gatos de rua. A professora andava com ração no carro caso encontrasse algum animal abandonado. Chegou a ter seis de uma vez. Abrigava os felinos e cuidava deles até encontrar uma família que julgasse acolhedora. Amava também cachoeira e mato. Pirenópolis estava entre seus passeios favoritos. Era louca por crianças, mesmo não sendo mãe.

Ana Cláudia, companheira de viagens, grande amiga e colega de trabalho, foi a primeira chefe de Debora na Secretaria de Educação do Distrito Federal – quando esta passou no concurso da pasta em 2007. Era uma das poucas pessoas que sabiam da existência de Sérgio. Tinha, porém, conhecimento só de uma parte. Acompanhou a perseguição do policial, especialmente quando o assédio à docente se intensificou, no final de 2018. Mas, segundo relatos de Debora, nos últimos meses, as brigas haviam diminuído e tudo estava sob controle. Ana Cláudia entendia o motivo pelo qual a colega trocava frequentemente o número do celular.

Arquivo Pessoal
Ana Cláudia sabia que Sérgio ameaçava Debora, mas não tinha conhecimento dos detalhes mais preocupantes
Ana Cláudia sabia que Sérgio ameaçava Debora, mas não tinha conhecimento dos detalhes mais preocupantes

Debora dava aulas em uma escola para crianças especiais em Sobradinho, região administrativa onde morava. Tinha achado seu cantinho no DF – uma cidade calma, quase interiorana, na qual fez muitos amigos, pessoas de vida simples, afáveis, como ela própria. Sérgio chegou a ir à instituição onde a ex-namorada trabalhava fazer ameaças. Por isso, a professora deixou a unidade de ensino: foi transferida para o núcleo de cadastro, na Asa Norte.

Sérgio era policial civil e não a deixava em paz. Além do novo cargo, Debora precisou procurar outro lugar para residir. Alugou um apartamento no CA do Lago Norte. “Não fez nenhuma conta no nome dela: nem luz, nem celular e nem internet. Ela falou que estava com muito medo naquela época”, relata Ana Cláudia.

A amiga também se lembra de quando Sérgio precisou responder perante a Justiça sobre as ameaças e perseguições feitas à professora. Debora tinha ido à delegacia, acionado a Lei Maria da Penha e conseguido uma medida protetiva. Ana Cláudia sabia. Respirou aliviada.

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Depois de mudar de trabalho e de casa, a docente tocou menos no assunto. “Tudo parecia ter se acalmado. Nos encontramos cerca de 20 dias antes do crime, a Debora disse que estava tudo bem, não contou mais nada”, relata Ana Cláudia. Apesar de saber das histórias, ela também não conheceu e nem conviveu com o assassino da amiga.

Ana Cláudia não imaginava que Sérgio tinha revertido a medida protetiva após apresentar recurso em segunda instância. O policial civil havia recuperado o direito de andar armado. Mesmo conhecendo parte da história, sim, foi um choque.

Júnio sabia. Mas, de novo, só de alguns trechos. O pedagogo era colega de sala, grande amigo e parceiro de Debora. Gostavam de passar o tempo juntos, mesmo quando não falavam ou faziam nada. Para ele, a professora confidenciou viver um relacionamento esgotado e estar incomodada. “Na verdade, ela não aguentava mais aquela situação”, diz o servidor público. Ele não conheceu Sérgio, apenas o viu de longe em duas oportunidades, em janeiro deste ano.

Arquivo Pessoal
Sérgio era policial civil. Ele conseguiu reverter a medida protetiva pedida por Debora
Sérgio era policial civil. Ele conseguiu reverter a medida protetiva pedida por Debora

Ao se lembrar das conversas com Debora, Júnio acredita que a relação era recente, no máximo dois meses, e estava prestes a terminar. O pedagogo não sabia das ameaças à vida dela. Não imaginava que as mudanças de trabalho e de moradia estavam relacionadas à tentativa de escapar de Sérgio.

Júnio já viu de perto um caso de violência doméstica. Precisou tirar a mãe e a irmã de casa após o padrasto ameaçá-las de morte. Por isso, desconfiava das ligações insistentes do policial para Debora, principalmente a partir de fevereiro deste ano. Percebia que, constrangida, a docente se dirigia ao corredor para falar ao telefone com Sérgio.

Cerca de um mês antes da morte de Debora, Júnio mandou uma mensagem via WhatsApp para a amiga. Ele não se esquece daquele 21 de abril. Eram exatamente 21h25 e o pedagogo queria checar se estava tudo tranquilo. A professora nem chegou a ler a mensagem. “Eu olhava o tempo todo para saber se ela ia me responder, mas ficava aquele único tracinho.”

Debora sumiu o fim de semana inteiro. Quando chegou ao trabalho, na segunda-feira à tarde, explicou. Não, o celular não quebrou. Ela destruiu o aparelho, de raiva. Passou o sábado e domingo se desfazendo de tudo que pudesse lembrar Sérgio. Levou móveis e objetos de casa para um brechó.

Arte/Metrópoles
Ilustração/Metrópoles

Naquela semana, Júnio passou no apartamento de Debora para usar a internet e transmitir a declaração de imposto de renda. Notou uma casa cheia de espaços vazios. “Apesar de muito reservada, de contar as histórias de forma fragmentada, ela estava claramente em um processo de limpeza. Estava se desfazendo de tudo: móveis, celular, dele”, conta o amigo. Desconfiado, Júnio passou a acompanhá-la até o estacionamento. Ligava para ela com frequência. No entanto, não imaginava que as ameaças eram tão graves. Sim, foi um baita choque.

A amiga de infância Débora acredita que a professora não compartilhou a situação por vergonha de se envolver com alguém tão perigoso. Samuel crê que o medo tenha reforçado o jeito calado da irmã. A parceira de viagens Ana Cláudia acha que a docente parou de relatar os problemas porque tudo havia se acalmado. O amigo Júnio imagina que a colega de sala revelou poucos detalhes porque o policial também ameaçava a família dela. A educadora teria ficado quieta para proteger os seus. Todos só puderam supor. Debora, reservada como era, não confidenciou muito. Eles não tinham como saber.

PS.: os nomes completos dos entrevistados citados nesta reportagem são: Samuel Corrêa, 53 anos, militar da reserva; Ana Cláudia Dias, 40, professora; Débora Mavvei, 44, secretária-executiva; Júnio César Ferro, 47, servidor e pedagogo.

Maria Clarice Dias

Maria Clarice Dias

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduada em Parlamento e Direito pelo Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor) da Câmara dos Deputados. Foi repórter e editora do jornal Correio Braziliense e repórter na revista Época. Vencedora da primeira edição do Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo e finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, com reportagem especial sobre abuso sexual. É jornalista da Câmara dos Deputados há 14 anos e há 4 anos é editora-chefe do Programa A Voz do Brasil, da Câmara Federal.

Elas por elas

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

Até sexta-feira (06/09/2019), 10.906 mulheres do DF já procuraram delegacias de polícia para relatar abusos, ameaças e agressões que vêm sofrendo por parte de maridos, companheiros, namorados ou pessoas com quem um dia se relacionaram. Já foram registrados 20 feminicídios. Com base em informações da PCDF, apenas uma pequena parte das mulheres que vivenciam situações de violência rompe o silêncio para se proteger.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

Veja os perfis anteriores

  • JACQUELINE DOS SANTOS

    A vítima de feminicídio que morreu com a medida protetiva no bolso

    A vítima de feminicídio que morreu com a medida protetiva no bolso

  • MARIA DE JESUS

    “O Henrique me matou”, escreveu a mulher antes de ser assassinada pelo marido

Feminicídio: servidor público mata ex com facada no coração, no Paranoá

Segundo a Polícia Civil, o autor, que é servidor público, e a vítima do crime estavam separados, mas homem teve ciúmes de relacionamento da ex e a esfaqueou


Resultado de imagem para feminicidio

Uma moradora do Paranoá foi assassinada a facadas pelo ex-marido na manhã desta quinta-feira (12/9). Lilian Cristina da Silva Nunes tinha apenas 25 anos e foi morta com uma facada no coração. Segundo informações preliminares enviadas pela Polícia Civil, os dois estavam separados e viviam no mesmo lote. Com este caso, pelo menos 20 mulheres mulheres já foram vítimas de feminicídio no Distrito Federal somente este ano.

O assassino tem 41 anos, é servidor público e trabalha em um dos centros de internação de jovens infratores no DF. Vítima e autor moravam no Núcleo Colombo Cerqueira. O crime teria sido motivado por ciúmes que o ex marido sentia em função do novo relacionamento dela. Os dois brigaram depois que ela voltou para casa, após supostamente ter dormido com o novo namorado. A vítima chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu com uma perfuração no coração.

As testemunhas do caso estão sendo ouvidas pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).

Fonte: Correio Brasiliense

Mulher de 32 anos é encontrada morta em Santa Maria

Um dos irmão dela disse à polícia que ela saiu de casa por volta das 23h de domingo (8/9) e não voltou mais

Uma mulher de 32 anos foi encontrada morta na Quadra 104 de Santa Maria, na manhã desta segunda-feira (9/9). De acordo com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom), ela estava com manchas de sangue pelo corpo e aparentava ter sofrido agressões físicas. Dois irmãos da vítima foram chamados para reconhecer o corpo. Um deles relatou à polícia que a irmã havia saído de casa por volta das 23h de domingo (8/9) e não voltou mais. Ela morava com ele e a mãe.
“Moradores da área encontram o corpo em um lote abandonado, em uma área conhecida pelo tráfico de drogas. Temos de esperar o resultado da perícia, mas, pelo que vimos, ela estava com vários cortes na região do pescoço. Provavelmente, foram feitos com garrafas ou pedaços de vidro”, contou o delegado-adjunto da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), Paulo Galindo.
Ele ressaltou que, até o momento, não há suspeitos ou informações sobre o que possa ter motivado o crime. “As investigações continuam. Vamos ouvir as pessoas mais próximas da vítima e aquelas que estavam com ela antes do crime para termos pistas de quem pode ter sido o autor”, completou Galindo.
Fonte: Jornal Times

A vítima de feminicídio que morreu com a medida protetiva no bolso

No dia de sua morte, Jacqueline dos Santos Pereira, 39 anos, estava mais cansada do que o habitual. Desde as 6h30, a gari varria as ruas de Santa Maria com uma vassoura pelo menos dois quilos mais pesada do que estava acostumada. “Ela sentia muita dor nos braços”, lembra a amiga Magda Neiva de Morais, 45 anos, parceira de Jacque, debaixo de sol e chuva, no serviço de limpeza da cidade.

Dona de longos cabelos ondulados, vaidosa e conhecida por manter os lábios sempre pintados, Jacque tinha amanhecido cabisbaixa naquela segunda-feira (06/05/2019). O brilho no olhar e o bom humor presente até mesmo nos momentos de aflição foram substituídos por uma sensação de angústia. À amiga e confidente Magda, contou que o fim de semana tinha sido difícil, pois o filho caçula, de 4 anos, estava doente e ela havia recebido visita inesperada do ex-marido, Maciel Luiz Coutinho da Silva, 41 anos.

Jacqueline Lisboa/Especial para o Metrópoles
Jacqueline dos Santos era gari, mas queria estudar enfermagem
Jacqueline dos Santos era gari, mas queria estudar enfermagem

Na tarde de sábado (04/05/2019), dois dias antes do assassinato, Maciel foi à casa da antiga companheira e, com comportamento especialmente agressivo, dirigiu-se à Jacqueline com xingamentos e ofensas. “Ele disse que a medida protetiva dela não vigorava mais, porque havia sido derrubada pelo juiz”, lembra Magda. Para dar fim às dúvidas, a vítima e a amiga decidiram perguntar aos policiais que faziam ronda na rua se seria possível um juiz retirar uma medida protetiva sem o conhecimento da mulher ameaçada.

Jacqueline estava com o papel na mochila, retirou-o da bolsa e mostrou aos policiais. Eles confirmaram que a ordem da Justiça continuava válida e se colocaram à disposição caso Maciel voltasse a procurá-la. A gari dobrou a medida protetiva, guardou-a no bolso de trás da calça do uniforme laranja e seguiu para casa. Não se despediu de Magda. Ainda hoje a amiga aguarda pelo “tchau, minha linda, até amanhã”, um ritual das duas no fim do turno de trabalho.

O crime

Jacque morreria cerca de uma hora depois, na casa que havia alugado há 15 dias, no Conjunto P da Quadra Central 1, em Santa Maria. Ela queria recomeçar a vida depois de um casamento de 25 anos com Maciel.

Segundo Rodrigo Têlho, delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), Maciel pulou o portão da casa de Jacqueline por volta das 15h40, logo depois de ela ter chegado. Provavelmente, ele estava à espreita, aguardando a oportunidade de invadir a residência da ex-mulher. Embora válida, a medida protetiva guardada no bolso da calça não lhe serviu de nada.

Maciel a atingiu de frente, com uma faca de uso esportivo, habitualmente utilizada para pesca. Desferiu pelo menos três golpes, que acertaram a barriga da ex-mulher, deixando-a com as vísceras expostas. Nas mãos de Jacqueline, ficaram marcas indicando que ela teria tentado se defender.

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Os vizinhos ouviram os gritos do momento em que a vítima foi surpreendida pelo ex-marido, mas não conseguiram deter Maciel. O assassino pulou o muro novamente e fugiu de moto. Quando o socorro chegou, Jacque estava morta.

Horas depois, com o mandado de prisão de Maciel expedido, o delegado Rodrigo Têlho recebeu a informação de que um homem havia morrido atropelado na BR-040 e que, pela placa da moto abandonada próximo à via, seria o ex-marido de Jacqueline. Ao lado do corpo, foi encontrada uma mochila com algumas mudas de roupas – provavelmente, ele fugiria.

No calor do desespero, Maciel teria descido da moto e se atirado em frente a um ônibus, encerrando com dois cadáveres – o dele e o dela – a tempestuosa história do ex-casal.

Jacqueline Lisboa/Especial para o Metrópoles
Após assassinar Jacqueline, Maciel se atirou em frente a um ônibus e morreu
Após assassinar Jacqueline, Maciel se atirou em frente a um ônibus e morreu

O relacionamento

A medida protetiva que acabou manchada de sangue não havia sido a primeira solicitada por Jacqueline. Em 5 de março, após uma briga envolvendo injúria, ameaça e lesão corporal, ela conseguiu uma ordem de afastamento contra Maciel.

Na discussão, a gari pegou uma faca para se proteger do então marido, que não parava de agredi-la. Para ela, apanhar na frente dos filhos, em especial do caçula, de apenas 4 anos, teria sido uma cicatriz profunda demais. A briga os levou à delegacia e foi decisiva para ela encerrar o relacionamento dos dois.

Intimado para depor sobre o caso, Maciel foi encaminhado para um acolhimento psicossocial, também concedido à Jacqueline. Ao longo do tratamento com especialistas em saúde mental, ele teria compreendido: o amor que dizia sentir por ela não era saudável. Enviou para a então esposa um áudio de 10 minutos e 39 segundos, no qual, repetidamente, pediu perdão, reconheceu os sentimentos de posse e admitiu que a desejava longe das amigas e de todas as outras pessoas porque temia que a tirassem dele.

Trechos do áudio de Maciel serão distribuídos ao longo do texto para mostrar como ele estava consciente de todas as suas ações. Ligue o som para escutar a mensagem original.

A mensagem de Maciel aliviou o coração de Jacqueline e no Dia Internacional da Mulher, 8 de março, ela decidiu rasgar a medida protetiva. O casal tentou reatar o relacionamento, mas as marcas psicológicas das agressões distanciaram os dois e Jacque estava cada dia mais cansada de uma rotina que a torturava emocionalmente.

Arte ciumes

Após jornadas estafantes limpando ruas ao sol, a mulher não tinha sossego na própria casa. A gari confessou a uma amiga que todas as vezes que ia tomar banho o marido observava cada parte do seu corpo. Procurava marcas imaginárias, investigando se ela não havia sido tocada por outro homem. “Ele cheirava a calcinha dela, vistoriava tudo e depois eles se relacionavam sexualmente”, relata a amiga, que preferiu não se identificar.

Uma vez, Jacqueline chegou a tomar remédios para ficar dopada e evitar contato íntimo com Maciel. A estratégia não deu certo e ele a obrigou a transar mesmo grogue. “Ele abusou dela dormindo. Foi a primeira vez que falamos sobre ela sair de casa e ir à delegacia, denunciá-lo”, lembra a amiga.

Em 21 de abril, Jacqueline mudou-se, foi morar de aluguel com os dois filhos menores de idade. O mais velho, de 18 anos, resolveu ficar com o pai. Essa situação a manteve próxima do ex-marido. Após a separação, ela continuou fazendo comida e cuidando das compras da casa onde os dois um dia moraram juntos.

Maciel aparentemente estava lidando bem com a situação, mas logo os familiares souberam que ele hackeou o celular da ex-mulher. Ele também pedia aos filhos para a vigiarem, informando-o todos os passos dela.

Perturbado com a possibilidade de Jacqueline estar em um novo relacionamento, Maciel foi à casa da ex-companheira e pediu a chave do carro dos dois de volta. No dia 26 de abril, Jacqueline voltou à delegacia para fazer um novo boletim de ocorrência sobre o assunto. Segundo consta do depoimento prestado por ela na 33ª DP, ele não a ameaçou, mas a atitude intempestiva a deixou preocupada. Em 27 de abril, Jacque conseguiu a segunda medida protetiva contra o ex.

No sábado anterior ao crime, Maciel apareceu de supetão na casa da ex-mulher e, logo em seguida, ligou para Tatiane, irmã de Jacque, exigindo que ela pegasse o chip do celular hackeado. No relato dela, o ex-cunhado teria dito coisas assim: “Pega o meu chip que está no celular dessa vagabunda porque eu não vou na porta dessa mulher mais. Eu tô no buraco, tô no poço sem fundo. Eu vou fazer uma loucura, vou fazer uma tragédia. Você vai me xingar, nem a minha família nem a sua vai me perdoar. Vai lá agora e fala que ela sabe com quem ela viveu durante 25 anos, ela sabe do que eu sou capaz”.

Nesse momento, Tati se deu conta de que o ex-cunhado era capaz de cometer um crime.

As agressões

O enredo de uma vida a dois marcada por ameaças e xingamentos era conhecido apenas pelos mais próximos. Embora animada, carinhosa e descrita por muitos como “uma mulher guerreira”, Jacqueline era reservada e dividia segredos apenas com pouquíssimas pessoas. Para os demais, sua vida parecia em paz, com um casamento feliz, repleto de amor e companheirismo.

No Facebook, onde costumavam trocar declarações de amor, Jacqueline e Maciel pareciam ser um casal apaixonado pelo Flamengo e pelos três filhos, todos meninos, um de 18 anos, outro de 10 e o menorzinho, de 4 anos de idade. Os nomes foram preservados para não expor as crianças.

Nascida em Paracatu, Minas Gerais, Jacqueline veio para Brasília aos 3 anos, quando a mãe, Lenita dos Santos, carioca criada na Vila Isabel, se mudou para a capital para acompanhar o marido.

Desconfiada, Lenita tinha reservas em relação ao genro desde o início do namoro, na adolescência de Jacqueline. Criados juntos na Quadra 7 de Santa Maria, o casal começou a se envolver quando Jacque tinha 15 anos. Casaram-se alguns anos depois, quando ela estava grávida de dois meses do filho mais velho.

O casal “oficializou” a união três vezes. Primeiramente, em uma cerimônia católica, em seguida em uma igreja evangélica e, há dois anos, em uma renovação de votos. “Nesses 25 anos, eu o vi ser agressivo com ela várias vezes. Em uma delas, ele bateu na cara dela na minha frente, quando estávamos preenchendo a ficha para o nosso emprego”, relata Lenita, 58 anos, que também trabalha como gari.

De acordo com a mãe da vítima, uma vizinha de Jacqueline a procurou há muitos anos para avisá-la que a filha era maltratada. Na época, ela contou que Maciel chutava a barriga de Jacque durante a gravidez e a fazia dormir do lado de fora de casa. Lenita afirma que alertou a filha sobre o temperamento doentio do genro. “Parece que ela está chegando, que ela está pertinho de mim”, suspira a mãe, logo após expressar um misto de raiva e de culpa por não ter conseguido desfazer a relação que resultou na morte da filha.

Um mês antes de ser assassinada, Jacqueline pediu à mãe que cuidasse dos filhos caso algo acontecesse com ela. Atualmente, os dois menores moram com o irmão mais velho, de 18 anos, na casa onde viveram em família. O jovem trabalha em uma barbearia, no entanto, a família e os amigos de Jacque dão suporte financeiro, ajudando com os gastos da residência.

Arquivo Pessoal
O casal “oficializou” a união três vezes, sendo a primeira em uma cerimônia católica, a segunda em uma igreja evangélica e, há dois anos, em uma renovação de votos
O casal “oficializou” a união três vezes, sendo a primeira em uma cerimônia católica, a segunda em uma igreja evangélica e, há dois anos, em uma renovação de votos

Viver só

Das mãos de Jacqueline saíam um pudim de milho dos deuses e uma lasanha maravilhosa. Todos os aniversários de dona Lenita dos Santos eram celebrados com uma festa surpresa preparada pela filha. A mãe e os amigos mais próximos costumavam ganhar um bolo confeitado por ela quando completavam anos.

As horas livres de Jacque eram dedicadas aos filhos, com quem costumava ir ao cinema, a parques e clubes. Piscina com o caçula era um dos passeios favoritos dela, fã número um da cantora Roberta Miranda e do pagodeiro Péricles. Nos últimos dias, cantarolava a todo instante os versos de Lençol Dobrado, sucesso da dupla sertaneja João Gustavo & Murilo.

Em 2 de julho, Jacqueline completaria 40 anos. O mês também seria marcado por uma reviravolta em sua vida. Ela havia dito a amigos e familiares que pretendia tirar férias para dar um grande passo em busca de seu maior sonho: se tornar enfermeira.

Saber que Jacqueline estava encontrando coragem para realizar um desejo antigo machuca ainda mais a amiga Magda. Triste, ela mostrou à reportagem o último post publicado por Jacque em seu perfil no Facebook.

Em 24 de abril, Jacqueline compartilhou um vídeo intitulado “Aprenda a viver sozinha”, no qual Anahy D’Amico, psicóloga do programa Casos de Família, do SBT, dá um dos seus famosos “pisões” – conselhos em tom de bronca. No trecho, a terapeuta fala sobre a importância de toda mulher ter independência emocional e saber viver só.

“Nós não precisamos de proteção, nós precisamos de respeito. Nós precisamos de gente que entenda: nós temos o direito de ser o que a gente quer”, dispara a psicóloga televisiva.

Jacqueline tomou para si o recado e, antes de ser assassinada, foi dona de sua própria vida por 15 dias.

Gabriela de Almeida

Gabriela de Almeida

Formada em Jornalismo pelo UniCeub, Gabriela de Almeida tem especialização em Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Universidade de Brasília e atualmente é mestranda em Direitos Humanos e Cidadania na UnB, onde pesquisa fake news, violência e democracia. Sua carreira inclui passagens pelo jornal Correio Braziliense, revista Veja Brasília e portal Metrópoles, veículo no qual atuou como subeditora de cultura e gastronomia. Como assessora de imprensa esteve na divulgação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Festival Favela Sounds e Latinidades, o maior festival de mulheres negras da América Latina.

Elas por elas

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

Até sexta-feira (07/06/2019), 10.906 mulheres do DF já procuraram delegacias de polícia para relatar abusos, ameaças e agressões que vêm sofrendo por parte de maridos, companheiros, namorados ou pessoas com quem um dia se relacionaram. Já foram registrados 19 feminicídios. Com base em informações da PCDF, apenas uma pequena parte das mulheres que vivenciam situações de violência rompe o silêncio para se proteger.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

Veja os perfis anteriores

  • MARIA DE JESUS

    “O Henrique me matou”, escreveu a mulher antes de ser assassinada pelo marido

    “O Henrique me matou”, escreveu a mulher antes de ser assassinada pelo marido

  • ELIANE MARIA

    A história da mulher que morreu protegendo a irmã de um feminicida

    A história da mulher que morreu protegendo a irmã de um feminicida

DIRETORA EXECUTIVA
Fonte: Metropoles

Moradora de Planaltina, Maria José está desaparecida desde sábado (7/9)

Diarista Maria José Batisa, 56 anos, saiu de casa em Planaltina para ir ao salão em Sobradinho e desapareceu familiares e amigos da diarista Maria José Batista, 56 anos, se mobilizam pelas redes sociais para encontrá-la. A mulher mora na Estância, em Planaltina, e foi vista pela última vez por volta das 7h20 de sábado (7/9), quando o filho mais novo, Rafael Batista, 21, a deixou na Rodoviária de Planaltina. Para ele, Maria José disse que estava indo em um salão de beleza em Sobradinho para arrumar os cabelos. Os filhos dela começaram a estranhar quando, por volta das 17h, ela não havia voltado para casa.
O telefone celular de Maria José está desligado e a última vez que ela viu o WhatsApp foi às 10h43 de sábado (7/9). “Fomos ao salão que ela costuma frequentar e descobrimos que não havia horário marcado. Ela também não apareceu por lá. Daí começamos a procurar nos hospitais e registramos boletim de ocorrência”, conta Eder Batista, 30 anos, filho mais velho de Maria José.
Maria José mora em Planaltina. Disse aos filhos que iria no salão em Sobradinho e desapareceu(foto: Arquivo pessoal)Pela busca no Hospital Regional de Planaltina, ninguém com esse nome e características deu entrada na rede pública de saúde do Distrito Federal. Os filhos foram até a 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) por volta das 21h e comunicaram o desaparecimento dela. “Minha mãe tem lupus e toma medicamento. Acho que também toma remédio para dormir ou para depressão, não tenho certeza”, explicou Eder.
Duas vezes por semana, Maria José sai de Planaltina, rumo a Asa Norte, onde tem duas diárias fixas na semana. Quem tiver informações sobre o paradeiro dela pode fazer denúncia anônima no 197, da Polícia Civil ou avisar aos familiares (contatos abaixo).
Orientações
No site da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) a orientação é para que os familiares e amigos não esperem 24h para comunicar o desaparecimento de alguém. A dica é fazer o que fizeram os filhos de Maria José: procurar a delegacia de polícia mais próxima e registrar o sumiço assim que perceber algo diferente na rotina da pessoa.
De acordo com o portal, os casos mais registrados no Distrito Federal são de desaparecimentos voluntários, quando a pessoa deixa de dar notícias por conflitos familiares, violência doméstica, para usar drogas, entre outros motivosd. Ou o que é chamado de sumiço involuntário, como é o caso de vítimas de crimes com restrição de liberdade, acidentes ou crise psiquiátrica, por exemplo.
Serviço
Eder Batista (filho) – (61) 99136-9791
Rafael Batisa (filho) – (61) 99165-0110
Denúncia anônima para Polícia Civil: 197 ou por e-mail 
denuncia197@pcdf.df.gov.br

Links importantes
http://www.desaparecidos.gov.br/
https://desaparecidos.mj.gov.br/

Mulheres tentam recomeçar a vida após serem vítimas de maníacos

Elas sobreviveram à violência cometida por Marinésio Olinto e João Marcos Vassalo e lutam para darem um novo rumo às suas vidas

Rafaela Felicciano/MetrópolesRAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

Dor, angústia, medo e pânico são sentimentos constantes no cotidiano de mulheres vítimas de Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, e João Marcos Vassalo da Silva Pereira, 20. Presos, eles são acusados de crimes bárbaros, como homicídio, estupro e abuso sexual. Atacavam as vítimas em paradas de ônibus. Pelo menos três perderam a vida nas mãos dos dois criminosos. As que sobreviveram tentam recomeçar em meio ao trauma.

Os casos envolvendo os dois assassinos confessos chocaram o Distrito Federal. O modo de agir era semelhante, mas eles tinham rotinas distintas. Marinésio trabalhava como funcionário terceirizado em um supermercado do Lago Norte. Não possuía antecedentes criminais. Casado e pai de uma adolescente de 16 anos, morava no Vale do Amanhecer, localidade próxima ao local da morte da advogada Letícia Curado, 26, que desencadeou uma onda de novas denúncias.

João Marcos era desempregado. Residia no Paranoá Parque e já tinha passagens por tráfico e roubo. Apesar de as abordagens dos dois criminosos terem sido feitas em paradas de ônibus, o modo com o qual cada um chegava a suas respectivas vítimas era distinto. Enquanto o cozinheiro utilizava um carro para se passar por loteiro e fazer com que mulheres entrassem no veículo sem desconfiar do que se passava na cabeça dele, Vassalo atacava as mulheres e já anunciava a intenção de cometer o estupro.

“Pela impessoalidade que Marinésio apresenta ao falar das vítimas e pelo tempo que ele faz isso, para mim, é um psicopata. A outra pessoa não parece ser nada para ele, característica típica de quem possui o transtorno”, diz a psicóloga Maria Christina Borges.

Uma das vítimas de João Marcos Vassalo é a auxiliar de serviços gerias Pedrolina Silva, 50. Moradora do Paranoá Parque, ela foi atacada em uma parada de ônibus da L4 Sul na manhã do dia 1º de setembro, após desembarcar do ônibus. O caso ocorreu seis dias após o caso de Marinésio ganhar repercussão. “Isso me chamou atenção, pois parece que é um crime por imitação. Esse outro rapaz pode ter visto a ação de outra pessoa e se sentiu estimulado a agir igual”, ressalta a psicóloga.

Quando o foco sai dos maníacos e se volta para as mulheres violentadas, a psicóloga Fernanda Falcomer, da Secretaria de Saúde do DF, diz que o trauma é muito grande e difícil de ser superado. “Quando acontece entre a família já é muito complicado, pois são pessoas bastante próximas. Em casos como o de Marinésio e João, ainda há o agravante do fato inesperado”, afirma.

A psicóloga diz que, em episódios como esses, a família das vítimas e a sociedade como um todo passam a sentir medo. “O que acontece com parentes é a vitimização secundária, em que o sofrimento é muito grande. Quanto à população, ver que pessoas estão começando a repetir os atos criminosos gera uma insegurança muito grande”, completa.

Recomeço

Apesar da dificuldade em esquecer o terror vivido, as vítimas de Marinésio e de João Vassalo lutam para escrever um novo capítulo em suas vidas. “Eu poderia estar junto às mulheres que se foram, mas graças a Deus estou aqui”, disse uma mulher de 39 anos, que diz ter sido atacada pelo cozinheiro há oito anos, em Sobradinho.

Auxiliar de serviços gerais de uma padaria, ela conta que o homem tentou estuprá-la. A mulher conseguiu se esquivar do maníaco e, depois, se mudou do Distrito Federal por medo. Agora, ocupar a mente é a sua saída para um recomeço. “Não está nada fácil. Eu tenho medo de tudo. Fui depor morrendo de medo mesmo. Mas estou procurando ir à igreja, fazendo artesanato para distrair minha mente”, contou ao Metrópoles.

Após a prisão de Marinésio, a mulher voltou a tomar remédios controlados para depressão. Apesar disso, ela considera que teve uma nova chance ao permanecer viva. “Deus sabe de todas as coisas. Tudo que passei estou superando aos poucos, porque não é nada fácil. Meu filho depende de mim, nós moramos de aluguel. Então, estou tentando ser forte para passar por isso”, ressaltou.

Outra denunciante do maníaco, uma estudante de 21 anos que relata ter sido assediada em 2017, ainda sofre diariamente ao lembrar do pânico que sentiu à época. “É algo que não sai da cabeça da gente nunca. Quando começo a ver a gravidade da situação é que percebo o quanto que eu corria risco naquele dia, naquela hora, naquele carro”, comentou.

Conforme a mãe da estudante, ela não usa mais aplicativos de transporte nem pega carona com desconhecidos. Agora, é com ajuda dela que a jovem tenta uma nova vida, distante do passado.

Confira o momento em que João Marcos ataca Pedrolina na L4 Sul:

“O que ela pede eu tento fazer, tento estar muito presente na vida dela. Já abri mão de dois empregos para ficar com a minha filha. Faço tudo para mostrar que estou sempre presente. Quero mostrar que já passou, que é um novo começo”, disse a mulher de 47 anos.

Na última quinta-feira (05/09/2019), duas possíveis vítimas de Marinésio fizeram o reconhecimento do cozinheiro no Departamento de Polícia Especializada (DPE). Denunciando terem sido estupradas pelo homem, uma adolescente de 17 anos e uma dona de casa, de 43, confirmaram a identidade do maníaco após ficarem frente a frente com ele.

Segundo a moradora do Paranoá de 43 anos, ela chegou a tentar o suicídio duas vezes devido ao trauma causado pela violência sofrida: a mulher foi estuprada e espancada em 2017. A vítima parou de trabalhar e fez acompanhamento psiquiátrico. Hoje, tem depressão e síndrome do pânico.

A adolescente, vítima do maníaco em abril deste ano, também faz uso de medicamentos. Após o reconhecimento, porém, o desejo da jovem é de se “reerguer”. “Quero conseguir os 15 quilos que eu perdi e vou conseguir, se Deus quiser. Agora, que a justiça já foi feita estou mais tranquila”, disse.

Estudante do terceiro ano do ensino médico, ela ficou quatro meses sem frequentar a escola após ser estuprada. Nesta segunda-feira (09/09/2019), a jovem terá seu primeiro dia de aula e já pensa no futuro. “Eu quero fazer faculdade de direito. Pretendo ser advogada para poder ajudar e defender as pessoas que foram vítimas de violência”, sonha a adolescente.

Marinésio confessou ter matado Letícia Curado e Genir Pereira de Sousa, 47. Até agora, pelo menos 17 mulheres procuraram a PCDF para denunciar o homem. Entre as supostas vítimas de João Vassalo, está uma enfermeira de 32 anos que teria sido abordada em uma parada de ônibus no Lago Sul, no início da tarde de terça-feira (03/09/2019), dia em que o homem acabou preso. A mulher contou que foi agarrada por trás e o agressor só não conseguiu arrastá-la porque um ônibus passou e ela conseguiu embarcar e fugir.

Uma adolescente de 16 anos o reconheceu por tentativa de estupro. Ela contou que a abordagem teria ocorrido também no dia 3 de setembro, horas antes de João Marcos tentar cometer violência sexual contra outra vítima, de 18 anos, na QI 29 do Lago Sul.

Fonte: Metropoles

Será que o ponto G existe? Assunto gera polêmica entre profissionais

Beautiful naked woman covering herself. Isolated on white.

Uma série de pesquisas têm sido realizadas para desvendar a zona erógena e algumas apontam que, na verdade, a área não é real

Piotr Marcinski / EyeEm / Getty ImagesPIOTR MARCINSKI / EYEEM / GETTY IMAGES

Durante muito tempo, o prazer feminino no sexo foi ligado a uma prática envolta em mistério: encontrar o ponto G. A zona erógena, que seria a verdadeira responsável pelo orgasmo das mulheres, foi apresentada pela primeira vez em 1950, pelo ginecologista alemão Ernst Gräfenberg.

Contudo, desde que surgiu, o ponto G tem sido um assunto controverso e bastante contestado. Diversos profissionais da área desacreditam da existência dessa zona de prazer e, nos últimos anos, alguns estudos foram realizados para tentar desvendar a mística por trás do ponto.

Eles acreditam que sim

Ginecologista do Centro de Medicina Fetal (Cemefe), Jordanna Diniz acredita que o ponto G não só existe como pode ser fácil chegar até ele. “O tamanho e o local do ponto G variam de mulher para mulher, mas normalmente está localizado entre duas e três polegadas (entre 5 e 7,5 centímetros) no canal vaginal, na direção do umbigo”, aponta.

Ela afirma que a ideia mais aceita entre a comunidade médica é a da existência do ponto G como um ponto de concentração de terminações nervosas com estimulação externa possível. “No entanto deve-se entender que podemos chegar à excitação máxima estimulando diversas áreas do corpo humano, não somente um ponto isolado”, complementa.

Em uma pesquisa realizada em 2012, o ginecologista Adam Ostrzenski afirma ter descoberto a localização do ponto G após ter dissecado o corpo de uma mulher de 83 anos. O médico encontrou uma estrutura de saco bem delineada localizada na membrana perineal dorsal. Segundo o especialista, a área compreende três regiões distintas e se estende de 8,1 a 33mm.

Em 2008, médicos italianos da Universidade de L’Aquila afirmaram que o ponto G existe, mas que nem todas as mulheres parecem ter. Por meio de ultrassonografias, a equipe descobriu diferenças anatômicas entre mulheres que disseram ter experimentado orgasmos vaginais e um grupo de mulheres que não experimentaram. Os exames identificaram uma região de tecido mais espesso, onde se dizia que o ponto G estava, mas que não era visível nas mulheres que nunca tiveram um orgasmo vaginal.

Eles acreditam que não

Fisioterapeuta pélvica, Andreia Magalhães aponta que as últimas pesquisas sobre o assunto afirmam que o ponto G não existe anatomicamente. “Ele foi ‘descoberto’ por um homem tocando o corpo feminino, mas sem estudo anatômico. Anos depois, uma mulher confirmou, por meio de dissecação de cadáver, que todo o canal vaginal possui uma camada muscular igual, ou seja, o ponto não é real”, garante.

Em 2017, um grupo de médicos do hospital australiano Austin concluiu que não existe nenhuma estrutura anatômica na região, além da parede vaginal. O estudo examinou mulheres entre 32 e 97 anos e foi publicado no periódico científico Journal of Sexual Medicine. Os pesquisadores afirmam que a sensação de prazer se deve à proximidade do clitóris.

A pesquisadora australiana Helen O’Connell, do Hospital Royal Melbourne, dissecou mais de 50 vaginas e também desacredita na existência do ponto G, confirmando a tese que o prazer causado pelo estímulo na região se deve ao clitóris. O mesmo foi encontrado por um estudo da universidade britânica King’s College, que analisou 1.800 mulheres.

Em fóruns de debate internacionais, diversos pesquisadores ainda discutem que os profissionais que defendem a existência do ponto G (e afirmam possuir evidências ) são aqueles que podem se beneficiar financeiramente de tratamentos voltados para a região íntima. Eles ainda acrescentam que as mulheres que confirmam que ele é real, com base em suas experiências pessoais, na verdade estão estimulando o clitóris.

Talvez exista?

A sexóloga Thalita Cesário pondera que não se pode considerar mito a existência do ponto G e que, infelizmente, muita coisa da sexualidade feminina foi negligenciada. “Tudo é novo, polêmico e incerto. O que podemos fazer é estudar, investigar, observar e tentar entender como o ponto funciona e pode contribuir para o prazer feminino”, analisa.

Ela explica que existem teorias que apontam o ponto G como sendo semelhante à próstata. “Minha opinião sobre isso é que ainda é necessário muito estudo até a comprovação. A cada descoberta, nos empolgamos e estimulamos as mulheres a se tocarem, se descobrirem. Por isso o ponto G está tão falado. A indústria pornográfica também contribui para a distorção do assunto”, indica.

Independente da existência ou não do ponto G, o perigo está na ditadura do prazer e orgasmo. Muitas mulheres, por não se conhecerem o bastante, se culpam e se acham inferiores pelo fato de não acharem tal ponto, não ejacularem, etc. Propagar que ele existe na verdade é bom pelo fato de estimular mais pesquisas e também mostrar que devemos falar mais sobre a sexualidade, especialmente a feminina

THALITA CESÁRIO

Estimulando o G

Para estimular a região, Andreia recomenda o toque com o dedo indicador, fazendo um movimento de “vem cá”, posições como papai e mamãe e cavalgando, ou vibrador com estimulação clitoriana. Já Thalita recomenda sentir a região com o dedo indicador de preferência dobrado no formato “gancho”.

A ginecologista Jordanna sugere introduzir dois dedos lubrificados em direção ao umbigo. “Ao colocar todo o dedo, pressione contra a parte dianteira da vagina. Quando você estimular a região certa, haverá um pequeno inchaço. Deslize os dedos de lado a lado. Continue estimulando até o orgasmo.”

Fonte: Metropoles