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segunda-feira, outubro 21, 2019

A história de Joyce, a jovem de 21 anos assassinada pelo namorado traficante

Joyce de Oliveira Azevedo, vítima de feminicídio aos 21 anos, foi – durante mais da metade do último mês – um nome sem rosto para mim, a me provocar perguntas, sempre duras e com poucas resposta. Não havia fotos dela, sequer na polícia. O endereço fornecido pela mãe, Claudiane Azevedo de Oliveira, no Recanto das Emas, não era e nunca foi das duas. Estive lá, acompanhada da repórter fotográfica do Metrópoles, Rafaela Felicciano, no começo de uma busca quase obsessiva.

Fomos também ao local do crime na QSC, em Taguatinga, um conhecido ponto de venda e consumo de drogas. Ali, encontramos um barraco de madeirite cheio de entulhos na frente, onde os usuários se reúnem. O endereço também foi cenário do tiro dado em uma noite, certamente fria, do mês de julho, que dizimou a vida de Joyce. Lá, ouvimos relatos de vizinhos sobre meninas que frequentam o lugar e são “todas iguais” aos olhos da maior parte das pessoas.

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O fato de o irmão do chefe da boca ter nos enviado para conversar com alguns moradores, dando o nome de cada um deles, e informado que não conhecia Joyce porque acabara de sair da prisão, certamente teve efeito de alheamento na memória dos que entrevistamos. É o que acontece onde o medo governa, pensei. Segui minha busca tentando compreender como Joyce chegou àquele barraco e por que saiu de lá morta, depois de ser atingida por Lucas Lisboa Dutra, de 23 anos, um namorado recente.

As testemunhas do crime, foram várias, prestaram depoimento à polícia e sumiram no mundo, deixando telefones inexistentes ou que não atendem. Todas elas estavam reunidas na boca quando Lucas começou a manusear a arma e apontá-la para diferentes pessoas ao redor. O único tiro efetuado pelo feminicida foi contra Joyce. Os que poderiam me contar detalhes a respeito do ocorrido ou da vítima integram o universo de usuários e pequenos traficantes de drogas – e, sem dúvida, não querem ser encontrados.

O autor do disparo, detido desde a semana do crime, responde à ação penal por roubo, em Águas Lindas (GO), onde vivia até recentemente. Lucas passou nove meses preso, preventivamente, e estava em liberdade há pouco tempo, morando de favor na casa de amigos. Uma de suas atividades favoritas, disse o delegado responsável pelo inquérito, era exibir o revólver de calibre 38 que matou Joyce.

Arquivo pessoal
Lucas Lisboa estava em liberdade há pouco tempo, respondia ação penal por roubo
Lucas Lisboa estava em liberdade há pouco tempo, respondia ação penal por roubo

A foto de Joyce, que consegui no último instante da apuração, mostra que Lucas talvez não estivesse errado em seu orgulho pela arma. A moça aparece segurando o revólver como um objeto de desejo, uma joia preciosa, quase um troféu. O machismo tão arraigado em nós, e na nossa estrutura de socialização, não deixa dúvida de que a maior conquista de uma mulher é um parceiro poderoso para chamar de seu – na periferia, as atividades ilícitas costumam ser a forma mais acessível para homens jovens alcançarem esse lugar de poder.

Maísa Campos Guimarães, uma das especialistas que entrevistei, integrante do Grupo de Estudos de Saúde Mental e Gênero do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), confirma que a atração por homens que detêm ou demonstram poder é uma armadilha comum para as mulheres de todas as classes e elemento recorrente em situações de violência de gênero.

Arquivo pessoal
Em uma das poucas fotos de Joyce, a jovem aparece segurando o revólver quase como um troféu
Em uma das poucas fotos de Joyce, a jovem aparece segurando o revólver quase como um troféu

Muro de silêncio

Na escola em que Joyce estava matriculada no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), desde 2018, em Taguatinga, e cursava o 7º ano do ensino fundamental, é comum não encontrar informações seguras sobre os pais ou os alunos nos contatos fornecidos, independentemente de eles terem ou não relações com o mundo ilícito. Faz parte da vida, nesse pedaço do Brasil, a incerteza sobre onde se vai morar ou mesmo dormir no dia seguinte.

Na sala da diretoria, exercida por três mulheres visivelmente comprometidas e preocupadas em fazer o melhor pelos estudantes, chama a atenção os televisores que mostram o monitoramento de câmeras, vigiando todos os ambientes internos e externos da escola, 24 horas por dia. Nas imagens, fica clara uma estrutura física bem cuidada e organizada, com professores em sala de aula, e mais carteiras vazias do que ocupadas.

Não é nada fácil manter alunos na escola quando eles têm mais de 15 anos, estão fora da idade certa para a série que cursam, muitos deles em liberdade assistida, alguns com tornozeleiras eletrônicas, outros ainda sem passagem pela polícia, mas com muito contato e experiência num mundo à parte, no qual os professores não conseguem penetrar.

“A gente não sabe nada da vida dos meninos. Eles não se abrem. No corredor, dá para pescar quem é amigo de quem. Mas é só isso”

Coordenadora do Ensino de Jovens e Adultos

Na diretoria, professores entram e saem, tentando lembrar de Joyce e me contar alguma coisa sobre a ex-aluna que me ajude a enxergar quem teria sido ela, em vida. Nada. Todos têm uma vaga lembrança da moça e se mostram muito envergonhados por isso. “A frequência dela era muito pequena e não destoava dos demais. Nunca causou problemas especiais por aqui”, justificam.

Ouço fragmentos de diálogos trocados entre docentes e coordenação e me vem uma sensação de conversas interrompidas, repetidamente, no mesmo lugar, como um muro de impotência que não conseguimos transpor, e que, se falasse, diria: “Como a gente orienta jovens cujas vidas são tão diferentes de tudo o que conhecemos e de quem temos medo por razões concretas e legítimas?”.

O olhar da diretora, no fundo dos meus olhos, é de compaixão e de dor, diante da minha busca de repórter que mais uma vez dá em nada. Porém, também da procura dela, muito mais desafiadora e cotidiana ao tentar encontrar jogos, atividades, algo que possa interessar aos alunos e fazê-los engrenar nas rotinas necessárias aos estudos.

Ilustração | Metrópoles

Dói pensar na impotência de quem só tem um diploma de ensino médio ou fundamental para oferecer depois de longos anos de dedicação, lutando contra as possibilidades atraentes do lado de fora: de uma vida curta, mas de aventura, paixões ardentes, adrenalina e sensação de poder. “Existe uma ideia muito forte nos jovens, especialmente a de que o amor louco, a paixão e o ciúme estão numa relação muito estreita com a violência”, ouço a especialista da UnB me dizer ao telefone durante a nossa entrevista dias antes, enquanto observo a vida na escola de Joyce.

Talvez por sentir tanto, na própria carne, a situação de violência e pobreza dos alunos, a diretora tenha a imagem de Joyce como uma menina muito franzina e magra, e de uma carência material marcante. O que não corresponde às fotos nas quais ela aparece como uma mulher muito bem feita de corpo, bastante vaidosa e ostentando a arma do namorado com a qual foi morta, como uma espécie de troféu.

Alguém me diz, num dado momento da apuração, vendo minha frustração pela falta de informações: “Por que você insiste nessa história? Conta outra, tem tantas por aí”. Pura verdade. Mas, talvez, essa valha a narrativa exatamente pela invisibilidade de sua personagem principal.

Filhos sem pai

No registro de nascimento de Joyce, não há o nome do pai. Outra marca comum entre jovens da periferia, mas não só. É uma realidade diretamente relacionada à desigualdade de gênero da nossa sociedade e à paternidade irresponsável, sem consequências: dois clássicos do machismo.

Anoto a ausência do pai como mais um componente claro de assimetria de gênero, no entanto, em meio a um mar de violências, esse é um agravante semelhante àquela pluma que, colocada no topo de uma pilha, derruba toda a estrutura. Pode ter sido o peso dela. Como também pode não ter sido.

Procuro o rastro da mãe, Claudiane, uma mulher cuja foto me marcou. Aos 35 anos, parece ter, no mínimo, 50 anos. Com um nó na boca do estômago, fico conjecturando o que teria a maltratado tanto, tão jovem. Nos registros do Cadastro Único da Assistência Social, conhecido como Cadúnico, encontro parte da resposta: a pobreza extrema.

A mãe de Joyce está entre as chefes de família com renda per capita inferior a meio salário mínimo – hoje, R$ 499 por pessoa, fato que coloca Claudiane abaixo da linha de pobreza.

Além da filha assassinada, que não consta mais na última atualização do cadastro, feita em setembro, Claudiane tem mais quatro filhos: Juracy, Agatha, Anna e Carlos, o mais velho de 18 anos e o mais novo de 13.

Em busca por registros de Joyce no Sistema de Saúde, encontro um de atropelamento, sofrido no início de 2019, para o qual forneceu endereço em Samambaia. Como a pancada foi leve, a liberação da jovem se deu no dia seguinte. E, em anos anteriores, atendimentos relacionados a queixas e dores inespecíficas, situações nas quais informou outro logradouro, em Águas Lindas. No Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, conhecido como CAPS AD, não há anotações de passagem dela ou da mãe.

Fora as ocorrências identificadas nos bancos de dados da Assistência Social, da Saúde e da Educação, a única confirmação da existência real de Joyce e de sua mãe é dada pela polícia, que viu o corpo de moça, e pela escola, que, em algum momento após o sumiço da aluna, conseguiu falar com Claudiane por telefone e ouviu seu choro desolado ao relatar o assassinato recente da filha.

Mas as histórias sobre a trama que teria levado a essa morte divergem. Na polícia, há um inquérito enviado ao Ministério Público – com suspeito preso e sem pedidos adicionais de investigação – como feminicídio. Nos corredores do colégio, alunas menores de idade, com as quais não pude falar, teriam comentado que havia uma “casinha” armada para Joyce, gíria que significa tocaia ou armadilha, supostamente feita por outra colega.

Em minhas reflexões, penso que as duas histórias não são necessariamente contraditórias, diante das múltiplas violências que fazem parte do cotidiano de uma jovem como Joyce. O revólver do namorado talvez tenha sido, apenas, mais rápido do que a armadilha da colega.

Ao contar a história de Joyce, assassinada em uma boca de fumo por um namorado recente, sabia que teria dificuldade em provocar empatia no leitor. As fotos publicadas aqui talvez não ajudem muito sem uma longa legenda. E me pergunto: “O que eu espero, ao escrever este relato?”.

Ilustração | Metrópoles

Entrevistando uma assistente social que me auxiliou significativamente, ouvi o que me pareceu a melhor resposta: “O trabalho é uma militância, das mais potentes”. E o meu é, essencialmente, perguntar. E quanto mais agudos e sinceros forem os meus questionamentos, e mais incomodarem a você, que me lê, e provocarem em nós, como coletividade, angústia suficiente para buscar respostas, tanto melhor o terei cumprido.

Então, termino a busca por Joyce registrando duas perguntas doídas e absolutamente urgentes:

“Quando será que começamos a achar que nossos preconceitos, nossas ideias e imagens sobre o mundo e as pessoas valem mais do que a própria realidade?” E mais: “O que falta acontecer para que nós, adultos, reconheçamos o quanto estamos perdidos com relação à subjetividade de milhares de jovens, formados por um contexto de múltiplas violências que não somos capazes de compreender e, a partir disso, reconstruir um diálogo real com eles?”.

Marina Oliveira

Marina Oliveira

Jornalista, autora do livro Debaixo dos Ipês: Crônicas Afetivas, lançado em 2018. Foi repórter do Correio Braziliense e da Gazeta Mercantil. Vencedora da 1ª Edição do Prêmio Tim Lopes e finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, de 2004, com caderno sobre abuso sexual. Gestora de políticas públicas no Ministério da Justiça, consultora do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) e da Organização Internacional para Migrações (OIM). Produtora cultural e autora de contos de ficção publicados em blog, filhote de outro, que deu origem ao seu livro de estreia.

Elas por elas

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

Até sexta-feira (18/10/2019), 12.637 mulheres do DF já procuraram delegacias de polícia para relatar abusos, ameaças e agressões que vêm sofrendo por parte de maridos, companheiros, namorados ou pessoas com quem um dia se relacionaram. Já foram registrados 25 feminicídios. Com base em informações da PCDF, apenas uma pequena parte das mulheres que vivenciam situações de violência rompe o silêncio para se proteger.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

Veja os perfis anteriores

  • CÁCIA REGINA

    A mulher assassinada pelo ex-marido com ácido sulfúrico

    A mulher assassinada pelo ex-marido com ácido sulfúrico

  • DEBORA TEREZA

    A mulher assassinada dentro da Secretaria de Educação do DF

    A mulher assassinada dentro da Secretaria de Educação do DF

‘Sobrevivi à leucemia e virei médica para salvar pessoas com a doença’

Por BBC

Marina Aguiar se formou em Medicina e se especializou em transplantes para tratar pacientes com leucemia — Foto: Arquivo Pessoal/ BBC

Marina Aguiar se formou em Medicina e se especializou em transplantes para tratar pacientes com leucemia — Foto: Arquivo Pessoal/ BBC

A decisão de cursar Medicina surgiu quando Aguiar estava em tratamento contra a leucemia, aos 18 anos.

“Percebi a importância de médicos que acreditem na recuperação dos pacientes. Isso me motivou a querer ajudar pessoas que vivem algo semelhante ao que enfrentei”, conta à BBC News Brasil.

Para ir atrás do sonho de se tornar médica, ela teve de abandonar o curso de Odontologia e enfrentar o temor dos parentes, preocupados com as dificuldades que a jovem, na época ainda em tratamento, poderia enfrentar.

Antes de conquistar o diploma, Aguiar enfrentou situações que a deixaram abalada: o tratamento não deu resultados, não houve doadores compatíveis de medula óssea e um médico não acreditava que ela sobreviveria.

“Fiquei triste muitas vezes. Mas sempre tentava acreditar que tudo daria certo em algum momento”, diz Aguiar.

Ela considera que o diploma de Medicina é a sua maior vitória contra a doença.

Durante o ensino médio, Aguiar tinha dedicação extrema aos estudos para passar em odontologia na Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela foi aprovada no vestibular e começou o curso. Era março de 2006. Em meio à alegria com o início da universidade, uma situação passou a preocupar a adolescente: as dores frequentes nas pernas.

“Fui a diferentes médicos, mas alguns diziam que eram dores psicológicas, em razão da minha preocupação com os estudos. Outros diziam que eram dores relacionadas à coluna. Cheguei a fazer fisioterapia para ver se melhorava”, diz.

Os tratamentos indicados pelos médicos não trouxeram resultados. “Eu tinha feito vários exames que, a princípio, não deram alterados. Até que um dos resultados apontou que eu estava com anemia”, lembra.

A jovem fez tratamento para a anemia, que não surtiu efeitos. Em agosto de 2006, cinco meses após o início das dores, Aguiar fez uma ressonância magnética, que apontou alteração em sua medula óssea.

Ela foi encaminhada a um hematologista, que a examinou e pediu exames mais aprofundados. No dia seguinte, o especialista chamou a mãe de Aguiar, a educadora física Keila Aguiar, e comunicou sobre a doença da jovem, que havia recém-completado 18 anos.

Aguiar foi diagnosticada com leucemia linfocítica aguda (LLA), doença na qual as células que normalmente se transformam em linfócitos – glóbulos brancos que atuam na defesa do organismo – se tornam cancerosas e substituem rapidamente as células saudáveis da medula óssea. Desta forma, o paciente desenvolve anemia e fica com o sistema imunológico extremamente prejudicado.

“Descobri que as intensas dores que eu tinha na perna eram no fêmur, na região da coxa, que é uma área do corpo em que também se encontra a medula óssea. Eram dores causadas pela leucemia”, diz a jovem.

Conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2019 devem ser diagnosticados 12,5 mil novos casos de câncer em pessoas de zero a 19 anos. Desses, os mais frequentes são leucemia, tumores que atingem o sistema nervoso central e linfomas (no sistema linfático). Não há estimativas específicas para cada tipo da doença.

Segundo o DataSUS, foram registradas 831 mortes por leucemia em crianças e adolescentes no Brasil em 2017, dado mais recente.

A descoberta da doença deixou a mãe consternada. Ela conhecia pouco sobre leucemia e diz que, a princípio, chegou a pensar que pudesse ser uma sentença de morte para a filha.

“Comecei a chorar muito quando soube. Perdi o chão. Fiquei arrasada. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer com a minha filha”, relembra a mãe.

A leucemia da jovem foi descoberta em estágio avançado. Ela estava anêmica e frágil. A adolescente soube da doença quando a mãe retornou da consulta. “A princípio, a minha ficha não caiu. Só pensei em procurar o tratamento adequado”, conta Marina Aguiar.

No mesmo dia do diagnóstico, ela foi internada em uma unidade de saúde pública de Goiânia, cidade onde nasceu e morava na época. O plano de saúde dela não cobria quimioterapia ou qualquer tratamento contra o câncer.

“O médico me disse que se eu demorasse mais uma semana para descobrir a doença, talvez não estivesse viva. Foi muito pesado passar por isso. Eu só pensava nos meus planos que teria que deixar de lado, como a faculdade que eu tinha acabado de começar”, diz.

As dificuldades com a quimioterapia

A jovem iniciou os procedimentos de quimioterapia logo após ser internada. Entre agosto de 2006 e abril de 2007, ela viveu entre o hospital e sua casa. “A minha rotina mensal era passar sete dias fazendo quimioterapia, três dias em casa e logo voltar para o hospital para tomar antibiótico, para tratar diversas infecções que contraía por causa da baixa imunidade”, diz Aguiar.

Nos primeiros dois meses de tratamento, os médicos notaram que os resultados eram pouco satisfatórios. Por isso, orientaram que Aguiar deveria passar por um transplante de medula óssea. “Meus pais e meu irmão fizeram exames para ver se poderiam me ajudar, mas não eram compatíveis”, diz a médica.

A jovem foi inscrita no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), mas lá tampouco havia pessoas compatíveis. Só lhe restava esperar por tempo indeterminado até encontrar um doador.

Oito meses se passaram desde o início do tratamento. As quimioterapias foram finalizadas com resultados insatisfatórios, pois as células cancerosas continuavam na medula óssea da jovem.

“Recebi alta hospitalar sem nenhuma expectativa de cura. O médico que me acompanhava me disse que eu poderia fazer um tratamento mais simples, que hoje sei que não me curaria, era uma medida paliativa, só para me dar um pouco mais de tempo de vida.”

Uma tentativa de salvar a filha

Logo que souberam que o tratamento não teve bons resultados, os pais se desesperaram. Diante da ausência de pessoas compatíveis, decidiram seguir o conselho de um médico conhecido da família e gerar um novo filho.

Keila e o marido, o empresário Fernando Augusto Aguiar, recorreram à fertilização in vitro. Era o único método viável, pois a mãe, na época com 39 anos, tinha feito laqueadura depois do nascimento do filho caçula, 12 anos antes. “Quando descobri que ter mais um filho era um modo de tentar salvar a Marina, não pensei duas vezes”, diz a mãe.

O primeiro procedimento não deu certo. “Eu precisava de repouso, mas como passava o dia inteiro com a Marina no hospital, enquanto o meu marido cuidava do nosso filho caçula, acabei não conseguindo seguir as orientações médicas”, diz a educadora física.

Na segunda fertilização, a mãe passou mais tempo em repouso e engravidou de gêmeos. “Foi uma alegria imensa, porque ali pensei que poderia salvar a minha filha”, diz. A expectativa era tentar fazer o transplante por meio da coleta de sangue do cordão umbilical de um dos recém-nascidos.

“Fiquei arrasada, porque o nosso maior objetivo era que o sangue de um dos cordões umbilicais pudesse ajudar a minha filha”, diz a mãe.

A expectativa seguinte era que um dos recém-nascidos, caso fosse compatível, doasse medula óssea à irmã. Quando as crianças completaram um ano, passaram por exames que apontaram que não eram compatíveis.

“Quando soube disso, parece que um buraco se abriu sobre mim. Foi horrível saber que eu não conseguiria ajudar a minha filha”, conta a mãe.

Tratamento de manutenção

Em abril de 2007, quando encerrou os meses de quimioterapia, Aguiar optou por não fazer o novo tratamento proposto pelo médico que a acompanhava e procurou outro especialista no Hospital do Câncer de Goiás (HCG).

No HCG, ela conheceu o hematologista César Bariani. “Ele me fez ter esperanças de que poderia me curar. Isso foi muito importante naquele momento”, diz a hoje médica. O especialista deu início a um tratamento definido como uma intensa quimioterapia de manutenção na paciente. O tratamento era mais fraco que o primeiro, e Aguiar não precisou ficar internada. Dessa vez, ela não perdeu todo o cabelo e nem teve fraqueza extrema.

“Muitos pacientes não aguentam chegar a essa segunda fase, quando não conseguem a cura no primeiro tratamento. Acredito que eu tenha conseguido porque era muito jovem”, afirma. Ela deveria fazer o procedimento somente enquanto aguardava um doador de medula. Uma das expectativas, no início da quimioterapia de manutenção, era aguardar os exames de compatibilidade nos irmãos gêmeos dela.

Aguiar conta que a preocupação com os estudos esteve presente desde o primeiro dia em que foi internada para tratar a leucemia. “Não queria perder nenhum semestre”, diz.

Na época em que estudou a distância, colegas de classe a visitavam no hospital para ajudar a jovem com os conteúdos. “Mesmo internada e fazendo um tratamento muito agressivo, nunca reprovei”, diz. Apesar de fragilizada, ela reservava horários para estudar. Os professore iam até o hospital para aplicar as provas.

Ela concluiu os primeiros semestres de Odontologia sem reprovar em nenhuma disciplina.

Aprovação em Medicina

Enquanto fazia a quimioterapia de manutenção, Aguiar decidiu que se tornaria médica. “Nos meses em que fiquei internada, me encantei pela medicina. Mas decidi, de fato, que seguiria por essa área nesse começo da quimioterapia de manutenção.”

“Quando o doutor César Bariani me deu esperanças, enquanto o médico anterior tinha me dito que não havia mais alternativas, decidi que queria fazer medicina para que também pudesse dar esperanças para outros pacientes”, diz ela.

Em dezembro de 2007, a jovem prestou vestibular para medicina em uma universidade particular de Goiânia. Foi aprovada. Os parentes se assustaram com a decisão. “Eles tinham medo de que eu não tivesse preparo emocional para lidar com pacientes com leucemia. Achavam que eu poderia não conseguir.”

No início de 2008, ela trancou o curso de odontologia e ingressou na faculdade de medicina. Por causa da quimioterapia de manutenção, ela combinou com os diretores da nova universidade que faltaria alguns dias da semana para fazer o tratamento.

O curso particular foi pago pelo pai da jovem. “Mesmo com algumas dificuldades, porque o curso de medicina custa caro, ele me apoiou”, relata.

Marina se dividia entre as aulas de medicina e o tratamento contra a leucemia. No início de 2009, quase dois anos após começar a quimioterapia de manutenção, a jovem estava sem esperanças. Depois que ela descobriu que os irmãos – Pedro Augusto e Davi Augusto Aguiar, hoje com 11 anos – não eram compatíveis, ela não tinha nenhum outro possível doador de medula. O médico disse que ela teria que parar com o tratamento, pois seu organismo não suportaria.

Quando ela suspendeu o tratamento, fez novos exames, que apontaram que não havia mais células cancerosas em sua medula óssea. Porém, por ser um tratamento de manutenção e mais fraco que o primeiro, as chances de a leucemia voltar eram consideradas altas.

“Depois que terminei a manutenção, passei a realizar exames semanais, para que qualquer retorno da doença fosse descoberto logo no início. Com o tempo, esses exames se tornaram quinzenais, depois mensais, trimestrais e assim foi indo. Os anos foram passando e a doença nunca retornou”, diz a médica.

Hoje, ela é considerada curada. “É preciso esperar 10 anos, depois do fim do tratamento, para atestar a cura”.

Ela classifica a sua cura como um milagre. Evangélica, Aguiar faz uma cerimônia religiosa todos os anos, desde o fim do tratamento, para comemorar. “Tenho certeza de que a atenção dos médicos que acreditaram na minha cura e a minha fé foram fundamentais”, diz.

Em dezembro de 2013, ela se formou em medicina. “Foi uma emoção muito grande”. Ao concluir o curso, ela fez dois anos de residência em clínica médica, na qual há estudos sobre diferentes áreas da profissão, e mais dois anos de residência em hematologia, para cuidar, principalmente, de pacientes que também lidam com a leucemia.

A especialização em hematologia foi feita no HCG, onde ela tinha feito o tratamento contra a leucemia por dois anos. “Fui a primeira residente em hematologia no hospital. Foi muito importante para mim trabalhar ali. No começo, os médicos tinham receio e pensavam que poderia me prejudicar emocionalmente, por eu ter me tratado ali. Mas eu sempre disse que tinha certeza de que queria ficar ali”, diz.

No início deste ano, ela concluiu a especialização em transplante. Aguiar planeja, até o começo de 2020, fazer o seu primeiro transplante de medula óssea, em um paciente que ela acompanha no hospital particular em que trabalha desde abril, em Brasília.

A intenção de auxiliar os pacientes até onde puder, que ela tem desde que decidiu cursar medicina, é algo que a médica carrega consigo. “Sempre quero dar o meu máximo para poder ajudar. Sei que nem todas as vezes vai ser possível, mas sempre quero ter a certeza de que fiz tudo o que pude”, afirma.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: G1

DF sedia debate sobre educação, feminicídio e machismo

Evento contará com a participação do ex-secretário de Educação Rafael Parente. Entrada é franca

Stela Woo/MetrópolesSTELA WOO/METRÓPOLES

Com o objetivo de promover debates sobre os problemas sociais enfrentados pelo Distrito Federal em 2019, a startup KolaboraMundo prepara uma roda de discussões para 22 de outubro. Na oportunidade, que faz parte do programa DF do Amanhã, empresários, magistrados e educadores vão falar sobre machismofeminicídio, educação e masculinidade tóxica.

Um dos convidados é o ex-secretário de Educação Rafael Parente. Ao lado do educador, participam: o coordenador do Núcleo Permanente Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (NJM/TJDFT) Ben-Hur Viza; a manager do Facebook Cadija Tissiani; a psicóloga Valeska Zanello; a empresária Carine Elpidio; e a educadora Cristina Castro.

O evento está previsto para ocorrer às 19h, no auditório do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), na 704/904 Sul. A entrada é franca.

De acordo com os organizadores, a proposta do programa DF do Amanhã partiu da necessidade de discutir temas de relevância social. “Tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, existem essas discussões sobre os problemas das cidades, dos estados. Nos encontros, discutem-se desde as dificuldades até o planejamento de soluções. E eu não vi esse tipo de discussão acontecendo em Brasília”, disse Rafael Parente ao Metrópoles.

O objetivo é estender o programa e promover outros eventos. “Vai ser o primeiro. Esperamos que cresça e que consigamos levar para frente, fazendo outras discussões, outras oficinas e debates, que discutam não só os problemas, mas soluções também”, finalizou o educador.

As inscrições podem ser feitas aqui.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: Metropoles

Michelle Bolsonaro se reúne com esposas de governadores

Segundo primeira-dama objetivo do encontro foi divulgar o Programa Pátria Voluntária

Nesta terça-feira (8), Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para comentar o encontro que teve com esposas de governadores. O evento aconteceu em Brasília.

Na publicação, a esposa do presidente Jair Bolsonaro falou sobre o propósito da reunião.

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– Realizamos um primeiro encontro com as primeiras-damas dos Estados brasileiros, com o objetivo de divulgar o Programa Pátria Voluntária – declarou.

Michelle compartilhou ainda sua avaliação da conversa que teve com suas convidadas.

– Conversando com elas, pude conhecer algumas das ações que já desenvolvem. Temos em comum a vontade de ajudar quem precisa e dar visibilidade a causas importantes. Juntas, podemos motivar mais pessoas a serem voluntárias e contribuírem para um Brasil mais solidário.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: Pleno.News

Mulheres que venceram o câncer de mama contam a experiência em livro

Outubro é o mês da campanha de prevenção do câncer de mama


Resultado de imagem para Três das 40 mulheres que participaram da coletânea Nossa história, nosso milagre!
Três das 40 mulheres que participaram da coletânea Nossa história, nosso milagre!(foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)

“Viver a vida por mais que esteja difícil. Tentar viver da forma mais leve possível”. As palavras são da professora Suzana 

Mahmud Said, 44 anos. O intuito é incentivar mulheres que descobriram recentemente o câncer de mama. Ela foi diagnosticada com a doença em julho de 2018. Um nódulo no seio direito, que apareceu inicialmente como benigno, trouxe uma das notícias mais difíceis que ouviu na vida. No entanto, preferiu encarar o lado positivo da situação. Com otimismo, fé e apoio da família, a batalha foi vencida. A cura veio neste ano.
Suzana lembra que, ao abrir o resultado com o diagnóstico do câncer de mama em casa, os filhos dela, de 12 e 19 anos, começaram a chorar. “Foi nessa hora que percebi que quem tinha de ser forte era eu”, conta. A mãe da professora teve a mesma enfermidade aos 48 anos. Após dois anos de luta, morreu devido a uma metástase. “Quando foi a minha vez, acreditei muito no que os médicos falaram. Como descobri no início, a chance de cura era grande, e eu confiei.”
Para a gerente de vendas Suramya Soares, 40, a notícia chegou de forma dura. “O médico abriu o resultado e já avisou que eu perderia o cabelo e teria que tirar uma mama. Disse que não tinha outra forma de me contar aqui. Na hora, fiz até uma brincadeira, porque foi algo que eu não quis acreditar. Não tenho casos na família e não imaginava passar por isso.” Ela lembra que saiu da consulta passando mal. O diagnóstico saiu em 7 de fevereiro de 2018. No mês seguinte, em 13 de março, foi a primeira quimioterapia.
“O cabelo começou a cair. Quando vi aquilo, engoli o choro, mas eu não quis raspar e cortei na altura do ombro. Depois de uns dias, minha irmã apareceu careca. Ela raspou antes de mim para me incentivar. Aquilo me deu uma força tão grande. O medo era do preconceito das pessoas, mas foi tranquilo. Foi tão bom tomar banho carequinha”, brinca. Em 21 de novembro do ano passado, Suramya passou pela cirurgia de retirada da mama e, hoje, espera pelo procedimento de reconstrução do órgão. Também está curada.

A publicação

Parte dos dois relatos estão no livro Nossa história, nosso milagre!, que será lançado na próxima terça-feira, no auditório da Legião da Boa Vontade (LBV). Cada uma escolheu um tema para abordar relacionado à doença. A obra relata o tratamento de 40 mulheres que tiveram ou têm câncer. Mas nem só de narrativas positivas a publicação é feita. Pessoas que perderam alguma parente vítima da doença também contaram a vida antes, durante e após o tratamento.
A ideia do livro surgiu depois de uma série de conversas informais entre médico e paciente. A mastologista Thereza Racquel de Mello, durante 11 meses, acompanhou e tratou a professora Rosilda de Souza, que descobriu o câncer em 2018. Após a trajetória, elas tiveram a ideia de escrever um livro que falasse sobre superação. Com a ajuda da oncologista Ludmila Thommen, especialista em câncer de mama, e da residente em mastologia Daniela Omar, Thereza e Rosilda se uniram ao projeto.
“Não imaginei que uma das piores coisas que aconteceram na minha vida me trouxesse orgulho depois. Quando tive a doença, chorei demais. Recebi o apoio da minha família, mensagens, cartas de alunos. Tudo isso me dava vontade de ficar boa logo”, destaca a professora. “Em toda consulta, eu falava para a doutora Racquel que estava cansada de ficar em casa. Já tinha assistido a todas as séries. Precisava fazer algo novo. Foi quando ela me chamou para fazer parte desse projeto tão legal, que pode mudar a forma de diversas mulheres verem o câncer de mama”, lembra Rosilda.
Para Thereza, a proposta é ajudar outras pacientes a enfrentarem a doença ainda no início e mostrar que existe solução e cura. “Cada história e cada tratamento são diferentes, mas as pacientes se sentem mais confortáveis quando se identificam com as outras.”

Outubro Rosa

“As mulheres precisam ter o hábito de se conhecer. Caso identifiquem algo diferente, devem procurar um médico imediatamente, seja um mastologista, seja um ginecologista. Além disso, fazer os exames todo ano. Vale lembrar que o câncer de mama também pode ser diagnosticado em homens. É mais raro, mas acontece. As pessoas pensam no câncer de mama como algo que leva à morte, mas, não, ele tem cura”, ressalta a médica.
Lançamento e autógrafos do livro Nossa história, nosso milagre!
8 de outubro (terça-feira). Auditório da Legião da Boa Vontade (LBV) — SGAS 915, Asa Sul. A partir das 19h. Para solicitar o livro, entrar em contato pelo e-mail outubrorosa2019@gmail.com

Hábitos que ajudam a prevenir o câncer de mama

• Alimentar-se de forma saudável
• Amamentar
• Evitar bebidas alcoólicas
• Evitar uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais e terapias de redução hormonal
• Manter o peso corporal adequado
• Praticar atividade física
Fonte: Instituto Nacional de Câncer (Inca)

Números

• Estimativa de novos casos no Brasil em 2019: 59.700
• 1% do total de registros de câncer de mama no Brasil é diagnosticado em homens
• Uma em cada seis mulheres terá câncer de mama no Brasil
Fonte: Correio Brasiliense

Cantor é condenado a 30 anos de prisão após matar namorada a facadas

O artista sertanejo cometeu o crime na frente da mãe da vítima, em 2018

ReproduçãoREPRODUÇÃO

O cantor sertanejo Antônio Marcos Bueno foi condenado a 30 anos de prisão após ser acusado de assassinar a namorada, Camila Lourenço, de 32 anos, a facadas. O crime ocorreu em abril de 2018; Bueno desferiu 10 facadas no corpo de Camila.

O julgamento do acusado ocorreu no Fórum de Araraquara, em São Paulo, na terça-feira (1º/10/2019). Segundo o jornal local da EPTV, parentes e amigos da vítima se reuniram em frente ao fórum.

Izabel Cristina Lourenço, mãe de Camila, desabafou à emissora. “Minha filha era uma menina muito doce, muito família, amiga e o que a gente quer é só justiça”. Bueno cometeu o assassinato na frente de Izabel.

Após o veredicto, Bueno foi condenado por homicídio, feminicídio, por motivo torpe e meio cruel. Ele ficará em regime fechado. No julgamento, a defesa de Bueno alegou legítima defesa, mas não convenceu o júri popular.

“Hoje vamos dormir sabendo que a alma dela [Camila] está descansando e sabendo que a justiça foi feita”, declarou a irmã, Valéria Diogenes Lourenço.

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Centro especializado para mulheres é revitalizado

População ganhou uma brinquedoteca reformulada, com ar condicionado novo. Fachada, móveis e piso foram trocados

AGÊNCIA BRASÍLIA *
Nova fachada foi apenas uma das melhorias promovidas no Ceam Ceilândia | Foto: Secretaria da Mulher / Divulgação

Em reunião com servidores da Secretaria da Mulher e moradores da Região Administrativa IX, as obras de revitalização do Centro Especializado em Atendimento à Mulher (Ceam) foram apresentadas na manhã desta segunda-feira (30/9).

Foram dois meses de mudanças no equipamento, que é um espaço de acolhimento e atendimento psicológico, social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência. Concluída a obra de revitalização, foi entregue à população uma brinquedoteca reformulada e com ar-condicionado novo. Também foi refeito o visual da fachada e trocados os móveis e o piso do local, entre outros diversos reparos na estrutura física.

Para a secretária da Mulher, Ericka Filippelli, a revitalização dos equipamentos de atendimento às mulheres é importante para que elas se sintam abraçadas pelo poder público. “Este é um espaço de apoio para que a mulher se fortaleça, conheça seus direitos e consiga seguir em frente com seu processo de denúncia ou de reconstrução da sua família”, discursou.

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“Nós queremos que as mulheres que estejam passando por uma situação de violência procurem o Ceam e sintam-se acolhidas. E que, por meio do atendimento dos excelentes profissionais que temos ou pela convivência com a história de outras mulheres, ela seja fortalecida”, acrescentou.

As unidades do Ceam proporcionam atendimento e acolhimento necessários à superação da situação de violência, contribuindo para o empoderamento da mulher e o resgate de sua cidadania. O acesso ao serviço independe de qualquer tipo de encaminhamento.

Na apresentação do novo espaço da Secretaria da Mulher, servidores relataram um pouco de suas experiências durante os atendimentos. A assistente social Graciele Félix Reis foi uma das que falaram sobre a importância do Centro Especializado em Atendimento às Mulheres.

“No Ceam nós não recebemos só as mulheres que já denunciaram seus companheiros. Para ser atendida aqui a mulher não precisa de boletim de ocorrência policial e não necessariamente as mulheres que atendemos querem se separar do autor de violência. Nosso trabalho é ajudá-la a romper o ciclo da violência, ressignificar a sua vida e resgatar sua autoestima, para que vivam de maneira mais digna”, disse Graciele.

Para a chefe da unidade, Rosemary Bernardes Silva, é fundamental o reconhecimento ao trabalho feito diariamente pela equipe de profissionais do Ceam Ceilândia. “Não são só qualificados do ponto de vista técnico. São qualificados também como seres humanos que colocam a defesa da vida das mulheres do Distrito Federal em primeiro lugar. Isso é fundamental”, elogiou.

Onde encontrar:

Ceilândia – QNM 2, conjunto F, lote 1/3 – Ceilândia Centro

Planaltina – Jardim Roriz, Área Especial, entrequadras 1 e 2

Brasília – Estação do Metrô da 102 Sul

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Fonte: Agência Brasilia com informações da Secretaria da Mulher

CPI do Feminicídio: Buriti cobra que base na CLDF assuma protagonismo

Criada em dezembro, aliados do GDF tinham pouco interesse na comissão até a interferência do Executivo, que trata o tema como prioridade

O Palácio do Buriti se articulou e a Comissão Parlamentar de Inquérito do Feminicídio (CPI do Feminicídio) terá maioria do colegiado formado por membros da base. Apoiada por praticamente todos os deputados distritais, a tendência era que ela fosse composta, em maior número, por oposicionistas, mas o Poder Executivo cobrou empenho da base em um tema que considera tão importante.

Criada no último dia 17 de setembro para investigar falhas nas políticas de combate à violência contra a mulher, a CPI foi proposta pelos distritais Arlete Sampaio (PT) e Fábio Felix (PT), membros da oposição, e não encontrou resistência dos aliados do governador Ibaneis Rocha (MDB).

Preocupado com o aumento de casos de feminicídios no DF, o Palácio do Buriti passou a olhar com mais atenção os nomes escolhidos na CPI. Temendo um cenário de ataques políticos por parte da oposição, o Executivo passou a acionar os aliados, pedindo que eles assumissem o protagonismo nas discussões no Parlamento local.

No dia seguinte à sua criação, saiu a determinação da Mesa Diretora para a indicação por parte dos membros, assim como o quociente de cada um. O prazo venceu na quarta-feira (25/09/2019), mas o limite não foi respeitado pelos grupos, que, dois dias depois, ainda não haviam oficializado os nomes.

Reservas e excluídos

Nomes dados como certos, como a própria Arlete Sampaio e Leandro Grass (Rede), acabaram sendo limados do colegiado. Ocuparam seus lugares os distritais Hermeto (MDB), vice-líder do governo; e o líder do governo, Claudio Abrantes (PDT).

Hermeto admitiu que não tinha interesse em participar da CPI, o mesmo ocorreu com Rafael Prudente (MDB), que teria de acumular a função com os afazeres de presidente da Câmara Legislativa. A vaga do bloco emedebista havia sido acertada com o PT e iria para Arlete Sampaio. A petista foi avisada pelo próprio Hermeto na tarde de quinta-feira (26/09/2019) que o acordo estava desfeito.

“Eu, como vice-líder do governo, não poderia ficar de fora. Preciso estar ali para representar o partido e também como membro da base do governo”, disse Hermeto ao justificar a mudança de direção

Com Leandro Grass ocorreu algo parecido. Seu bloco, formado pelos pedetistas Claudio Abrantes e Reginaldo Veras, pediu sua vaga. O trato é que o líder do governo seja o titular no papel, mas, na prática, Grass é quem participará dos debates.

A mobilização do governo não parou por aí. Telma Rufino (Pros), que é da base, era dada como certa no bloco junto com outros evangélicos da Casa. Porém ela também deixou a indicação de lado e abriu espaço para Rodrigo Delmasso (Republicanos). O mesmo parlamentar, vice-presidente da Câmara Legislativa, já havia declinado do posto, mas, segundo o mesmo, a pedido do colega Martins Machado (Republicanos), reconsiderou a decisão e vai trabalhar na CPI do Feminicídio.

As duas outras vagas ficaram com os deputados Fábio Felix, proponente da CPI ao lado de Arlete Sampaio, e Roosevelt Vilela (PSB), considerados oposição e independente, respectivamente.

Felix acredita que os trabalhos poderão ser tocados sem prejuízo dos resultados, mesmo sem o governo ter maioria.

“Ainda há espaço para negociar espaços dentro da comissão, mesmo com o governo tendo maioria. Precisamos ter pessoas que tenham interesse em fazer ela andar. Essa não é uma CPI contra o governo, mas para buscar alternativas para a máquina não parar de combater o aumento de mortes de mulheres. Não temos problema nenhum em a maioria ser da base, pois a comissão não é nem da base nem da oposição: queremos um instrumento para mapear e combater a violência contra a mulher”, afirmou Fábio Felix.

O secretário de Articulação Política do GDF na Câmara Legislativa, Bispo Renato Andrade (PR), seguiu a mesma linha de raciocínio:

“Na realidade, a articulação tentou mostrar que não precisava de uma CPI desde o início. Mas, como saiu, decidimos mostrar que ela é importante e colocamos pessoas ligadas ao governo”, explicou Bispo Renato, que garantiu não ter ocorrido nenhuma interferência direta do governador Ibaneis Rocha (MDB) nas mudanças de postura dos deputados.

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Fonte: Metropoles

Violência sexual: menos de 10% das cidades têm delegacia da mulher

Brasília(DF), 03/01/2016 - Viatura da Policia Civil em frente a Delegacia de Atendimento á Mulher - DEAM - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Pesquisa do IBGE aponta ainda que apenas 9,7% dos municípios oferecem serviços especializados de atendimento às vítimas

Michael Melo/MetrópolesMICHAEL MELO/METRÓPOLES

Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais e Estaduais: Perfil dos Municípios (Munic) e Estados (Estadic) Brasileiros 2018, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25/09/2019).

Em 2018, 1.221 mulheres e 1.103 crianças foram atendidas por casas-abrigo de gestão municipal voltadas para o acolhimento de mulheres em situação de violência. No entanto, mesmo após mais de uma década da criação da Lei Maria da Penha, só 2,4% dos municípios brasileiros contavam com esse tipo de casas-abrigo. Em 2013, esse porcentual era ligeiramente maior, de 2,5%.

No ano passado, das 3.808 cidades com até 20 mil habitantes, apenas nove tinham casas-abrigo. Entre os municípios com mais de 500 mil moradores, 58,7% dispunham dessa estrutura.

A principal atividade ofertada pelas casas-abrigo foi o atendimento psicológico individual (74,5%). As creches eram as atividades menos presentes nestas instituições, apenas 19% delas ofereciam esse tipo de serviço de apoio.

O porcentual de municípios com organismo executivo de políticas para mulheres caiu de 27,5% em 2013 para 19,9% em 2018, aproximando-se do patamar de 2009 (18,7%).

Na maioria dos casos (62,8%), a estrutura responsável pela formulação, coordenação e implementação de políticas para as mulheres está subordinada a outra secretaria. Há secretarias exclusivas para esse fim em somente 12,8% das cidades.

Dos 1.109 municípios com organismo executivo de política para mulheres, 90,5% são geridos por mulheres na faixa de 41 a 60 anos (48,9% do total de mulheres). A maioria das titulares é de cor branca (53,6%), seguida da cor parda (35,2%).

A última edição do Plano Nacional de Política para Mulheres ocorreu em 2015, mas aumentou o porcentual de cidades que adotam Plano Municipal de Políticas para Mulheres, de 4,5% em 2013 para 5,3% em 2018, um crescimento de 17% no período.

Em Sergipe e Goiás, esse tipo de organismo executivo era gerido por homens. A maioria das gestoras era branca, na faixa de 40 a 60 anos, com ao menos o ensino superior completo. Dos grupos específicos que recebem ações políticas, o grupo de lésbicas esteve presente na maioria dos estados (18 unidades federativas), seguido pelas mulheres negras (17) e pelas indígenas (17).

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Fonte: Metropoles

Demi Moore diz que mãe deixou homem estuprá-la por 500 dólares

Abuso aconteceu quando a atriz tinha 15 anos

Rio – Após contar que foi estuprada aos 15 anos, Demi Moore deu mais detalhes sobre o caso recentemente no programa “Good Morning America”. A atriz revelou que sua mãe, Virginia King, deixou um homem alcóolatra violentá-la por 500 dólares.

“Foi estupro e uma traição devastadora revelada pela pergunta cruel dele: ‘Como é a sensação de ser prostituída por sua mãe por 500 dólares?”, contou a atriz no programa. O caso também está em sua biografia, “Inside Out”.

A atriz contou que sua mãe era alcóoltra e costumava levá-la a bares para chamar atenção dos homens. Em uma das vezes, assim que voltou para casa, Demi encontrou um homem mais velho lá. Foi então que aconteceu o estupro.

Demi acredita que o gesto da mãe não foi intencional e que não houve uma transação direta. Mas reconhece que foi ela quem deu a chave de casa ao homem e que depois recebeu o dinheiro. “Acho que no fundo do meu coração, não. Não acho que tenha sido uma transação direta, mas ela ainda deu a ele o acesso e me colocou em perigo.”, afirmou.

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Fonte: IstoÉ