23.2 C
Brasília, BR
quinta-feira, abril 2, 2020

Empresário sofre infarto ao volante, capota o carro e morre

Empresário sofre infarto ao volante, capota o carro e morre - O Livre

Um adolescente que estava no veículo ficou ferido, mas foi socorrido consciente ao hospital

O empresário Rildo Lorezon, de 50 anos, morreu no início da noite dessa terça-feira (31/03) após capotar a caminhonete em que estava em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá (MT).

O veículo capotou e parou do outro lado da via, dentro do terreno de um posto desativado.

Leia a reportagem completa no O Livre, parceiro do Metrópoles.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: Metropoles

ONU e OMC alertam para risco de “escassez de alimentos” provocada pelo coronavírus

ONU e OMC alertam para risco de “escassez de alimentos” provocada pelo coronavírus

Prateleiras vazias em um supermercado de Londres em 31 de março de 2020 – AFP

Existe um risco de “escassez de alimentos” no mercado mundial por perturbações derivadas da Covid-19 no comércio internacional e nas cadeias de abastecimento, advertiram os dirigentes de dois organismos da ONU e da OMC.

As incertezas “podem gerar uma onda de restrições à exportação” que podem provocar uma “escassez no mercado mundial”, afirmam em um comunicado incomum o chinês Qu Dongyu, que dirige a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), e o brasileiro Roberto Azevêdo, diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para os três organismos multilaterais é “importante” garantir os negócios comerciais, “em particular para evitar escassez de alimentos”, afirma o texto.

Os três organismos se preocupam com a “desaceleração da circulação de trabalhadores da indústria agrícola e alimentícia”, que bloqueia várias agriculturas ocidentais, e com os “atrasos nas fronteiras para os contêineres” de mercadorias, gerando “um desperdício de produtos perecíveis”.

Também destacam a necessidade de “proteção” dos trabalhadores do setor para “minimizar a propagação do vírus no setor e manter as cadeias de abastecimento alimentar”.

“Ao proteger a saúde e o bem-estar dos cidadãos, os países devem assegurar que o conjunto das medidas comerciais não perturbe a rede de abastecimento alimentar”, completam os diretores da FAO, OMS e OMC.

“Em períodos como este, a cooperação internacional é essencial” completam.

“Devemos garantir que nossa resposta à pandemia de Covid-19 não crie de maneira involuntária uma escassez injustificada de produtos essenciais e exacerbe a fome a desnutrição”, conclui o texto.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: IstoÉ

Hidroxicloroquina remédio mágico?

A hidroxicloroquina tem sido apontada como a luz no fim do túnel no combate à Covid-19. Mas o risco de efeitos colaterais e a falta de estudos sobre a eficácia ainda limitam sua adoção

Crédito: Divulgação

URGÊNCIA Testes em laboratório combinam drogas já existentes no mercado (Crédito: Divulgação)

Com a escalada global da Covid-19, também avança a urgência na busca por uma vacina capaz de prevenir o contágio ou um remédio eficaz no tratamento da doença. Até agora não se criou nenhuma droga nova para combater o coronavírus. Há vários estudos e experimentos em curso, que avaliam entre 10 e 20 medicamentos feitos a partir de remédios já conhecidos e usados para outras doenças.

É o caso da cloroquina e a da hidroxicloroquina, drogas de uso específico contra a malária e doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide. As pesquisas para utilização dessas drogas contra a Covid-19 ainda estão em fase inicial. Há poucos testes em seres humanos e sua eficácia em grandes grupos e cenários fora do ambiente hospitalar ainda não foram comprovadas. A única certeza é que essas drogas podem produzir sérios efeitos colaterais. A hidroxicloroquina já vem sendo usada em casos extremos no País. Pelo menos quatro pacientes que estavam na UTI em estado grave no Hospital Igesp, em São Paulo, receberam alta após sete dias de uso de hidroxicloroquina combinada com outras drogas.

O Ministério da Saúde exige seu uso controlado: por apenas cinco dias, sob monitoração médica e para pacientes internados com quadros graves de insuficiência respiratória. Apesar do controle da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), a droga ganhou visibilidade pública e provocou uma corrida às farmácias. O desabastecimento prejudicou os usuários habituais do medicamento e levou o presidente Jair Bolsonaro a anunciar a expansão imediata na produção, com a ajuda dos laboratórios do Exército.

Apesar da empolgação, o medicamento está longe de ser unanimidade. A comunidade científica brasileira alerta para o perigo do uso de drogas não testadas amplamente, mesmo que tenham mostrado resultados preliminares positivos. “Não vejo estudos elaborados com robustez, para um medicamento, dando resultado em menos de seis meses. Para uma vacina levaria até mais, de um a dois anos”, diz o infectologista Victor de Castro Lima, da Faculdade de Medicina da USP. Para ele, a cloroquina é a “bola da vez” porque a droga já é bem conhecida da comunidade médica. “Já se tentou usá-la contra o HIV e influenza. Até existe a aplicabilidade da droga, mas uma solução farmacológica a curto prazo não existe.” No curto prazo, Lima recomenda “higiene, isolamento de casos, etiqueta respiratória e isolamento social”.

 

Risco de efeitos colaterais

Formado na Universidade do Estado do Amazonas, o médico Emanoel Costa conhece bem a realidade das populações acometidas por doenças tropicais como a malária, entre outras. Ele se diz surpreso com a reação do governo. “Sabemos que existe um anseio muito grande pela cura da Covid-19, mas seu uso é complicado porque não há estudos suficientes e não se pode desprezar o risco associado dos efeitos adversos.” Entre os efeitos colaterais ele lista lesões na retina, hepatite medicamentosa e hemólise (quebra de hemácias), que leva ao óbito. Outro problema, segundo Costa, é que a hidroxicloroquina vinha sendo comprada sem receita médica, o que agora é proibido. “É um perigo para quem não precisa, porque está se automedicando, e também para quem precisa, que vai perder o controle da doença, como no caso do lúpus”, explica.

Para Natan Chehter, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o problema é que os remédios contra a malária ainda estão sendo testados contra a Covid-19. “O que existe é um protocolo de pesquisa, não existe recomendação. Como posso propor o uso para a população do mundo inteiro se só testamos em 50 pessoas?”, questiona. Outra dificuldade são os efeitos colaterais, estes já bem conhecidos. “Mas um tratamento que recomenda as pessoas a ficarem em casa, mesmo que tenha eficácia comprovada, não tem o mesmo glamour que um estudo com uma pílula mágica que vai trazer a cura sem muito esforço.”

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: IstoÉ

Ministro do STF LUIS ROBERTO BARROSO: A ideia de prorrogação de mandatos é aterradora 

O ministro Luis Roberto Barroso, do STF, assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em maio, mas desde já tem uma demanda antecipada de problemas. A maioria deles vem da classe política, que deseja adiar as eleições municipais, marcadas para outubro, por conta do coronavírus. Imagina-se que em outubro a pandemia já tenha acabado, mas o processo eleitoral começa bem antes com a realização da pré-campanha em março e as convenções partidárias em julho e agosto, quando a doença poderá ainda não estar debelada. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi o primeiro a pedir o adiamento das eleições. Alguns sugerem até que se prorrogue os mandatos dos atuais prefeitos por mais dois anos, coincidindo assim com a realização das eleições gerais em 2022. Barroso, no entanto, em entrevista exclusiva à ISTOÉ, diz que ainda é cedo para a tomada dessa decisão, admitindo que, se a pandemia não tiver cessado até julho, o TSE poderá adiar o pleito,“mas apenas por alguns meses”. Adverte que isso só será possível se o Congresso aprovar uma emenda constitucional nesse sentido. Mas, de antemão, não aceita a ideia de prorrogação de mandatos. Para ele, essa medida é “aterradora” para a democracia.

O senhor assumirá o TSE em maio, em meio ao outono, período crítico do coronavírus. O senhor acha que o processo eleitoral será comprometido pela pandemia?
Nós estamos em março. As convenções partidárias serão em agosto. As eleições em outubro. De modo que eu acho que ainda está cedo para tomar qualquer decisão sobre as eleições.

Já há políticos no Congresso sugerindo que se o coronavírus se estender até julho, o TSE deveria adiar as eleições municipais. O senhor acha essa medida necessária?
Não se pode descartar a necessidade de se adiar as eleições por algumas semanas. Mas, de preferência, que se realizem ainda em 2019, sem prorrogação de mandatos. A ideia de prorrogação de mandatos é aterradora. As eleições são um item vital para a democracia. Acho que, se houver impossibilidade material de realizá-las na data correta, nós devemos adiar pelo prazo mínimo indispensável para que se possa fazer as eleições sem qualquer risco à saúde pública. Aqui, é importante dizer: a saúde pública é o bem maior a ser protegido, mas logo atrás vem o respeito aos ritos da democracia.

Prorrogar mandatos de prefeitos até 2022 para coincidir eleição municipal com eleição presidencial, isso nem pensar?

Essa é uma questão política. Quem tem de decidir isso é o Congresso. Eu acho ruim cancelar as eleições municipais agora, com prorrogação de mandatos.

Por que seria inconstitucional?
Sim. Qualquer coisa nessa área, mesmo o adiamento das eleições, depende de emenda constitucional, porque a data das eleições deve ser sempre no primeiro domingo de outubro. Está previsto na Constituição.

O ministro da Saúde sugere adiar as eleições, alegando que, se elas forem realizadas, “será uma tragédia”. O que o senhor acha dessa declaração?
Eu não comento declaração dos outros, porque não a ouvi de viva voz. E não sei em qual contexto foi dita. Mas o que eu penso é que está cedo para se decidir isso e, se for necessário adiar, que seja por um período mínimo. Como já disse, a ideia de se cancelar as eleições para coincidir mandatos é aterradora.

Durante a campanha eleitoral há comícios, carreatas, convenções partidárias e aglomerações de pessoas. Isso pode ser proibido?
Nós devemos ter eleições dentro de um quadro de normalidade, em que se possa ter as convenções partidárias e se possa ter algum grau de aglomeração. Eu tenho a expectativa de que até o período da campanha eleitoral, que começa na segunda quinzena de agosto, a doença já esteja controlada. Se não estiver, aí teremos que pensar em alternativas. Mas imagino que até junho se possa ter um quadro mais claro da viabilidade ou não de se realizar eleições.

Há políticos defendendo que os R$ 2 bilhões que seriam gastos pelos partidos sejam alocados na Saúde. O próprio TSE gastará R$ 1 bilhão com as eleições. O senhor concorda com o redirecionamento dos gastos para enfrentar a pandemia?
Quanto ao fundo eleitoral, é uma questão política sobre a qual eu não gostaria de me manifestar. Não é que eu não tenho opinião, mas eu não gostaria de me manifestar. Quanto ao TSE, todas as instituições da República custam algum dinheiro. Para termos a polícia funcionando, há um custo. Para se ter o Judiciário e os hospitais funcionando, há um custo. A democracia também tem custos e precisa ter o seu tribunal funcionando. Eu até acho que se deve contingenciar verbas e tirá-las de alguns lugares, mas a democracia tem um preço a ser pago e se nós queremos viver em democracia, esse é um custo que infelizmente não dá para cortar.

O presidente Bolsonaro disse que as eleições de 2018 foram fraudadas e que ele ganhou no primeiro turno. Foi leviandade da parte dele?
Eu só julgo as pessoas nos autos. Não estou aqui para julgar a declaração do presidente. Mas, o que posso dizer, em nome do TSE, é que nunca foi apresentada qualquer prova de ocorrência de fraude nessas décadas em que utilizamos as urnas eletrônicas. Se alguém nos trouxer uma prova, vamos apurar e investigar. Nunca houve uma denúncia que tivesse qualquer fundamento. O sistema é totalmente auditável. Existe um conjunto de pessoas que pode fiscalizá-lo. Sempre comporta aprimoramentos, mas nunca se documentou nada desfavorável ao sistema das urnas eletrônicas, que é um sistema admirado em todo o mundo. Portanto, retornar ao voto impresso é mais ou menos você cancelar a assinatura da Netflix ou da GloboPlay para comprar um vídeo cassete. Ou seja, é voltar no tempo.

O senhor já disse que o voto impresso é, inclusive,inconstitucional, certo?
Houve uma tentativa de voto impresso nas últimas eleições presidenciais de 2018, da relatoria do ministro Gilmar Mendes, e o Supremo, ao julgar uma medida cautelar, suspendeu o voto impresso. Além disso, o retorno ao voto impresso custaria alguns bilhões de reais, pois teríamos que comprar impressoras, acoplá-las a todas as 500 mil urnas, se é que isso é viável. Seria necessária uma licitação para trocar todas as urnas. Não é um custo baixo para se introduzir um sistema menos eficiente e de maior risco. Na história do Brasil, sobretudo na história da República Velha, sempre foi um processo cheio de fraudes. Não sei de onde vem a crença de que o voto impresso tem menos fraudes. O que diminuiu as fraudes foi o voto eletrônico.

 

As nossas urnas eletrônicas são confiáveis?
São totalmente confiáveis e nós estamos sempre reforçando os esquemas de segurança. Há um período inclusive em que o TSE convoca as pessoas para tentar violar o sistema, para que se possa descobrir alguma vulnerabilidade. Acho, sim, que o sistema é seguro. Basta verificar que sob esse sistema já foram eleitos o presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula duas vezes, Dilma duas vezes e o presidente Bolsonaro. Alguém acha que o resultado dessas eleições não foi verdadeiro?

É possível implantar um sistema de votação online, com pessoas votando pela Internet ou por celular?
Preciso lembrar que ainda não sou o presidente do TSE e que o tribunal é muito bem dirigido pela ministra Rosa Weber, mas nós já estamos planejando as eleições do futuro utilizando meios tecnológicos mais baratos do que a urna eletrônica, porque elas custam caro. Temos que comprar periodicamente urnas para reposição, pois elas envelhecem e isso custa muito dinheiro. Já temos um grupo programando as eleições do futuro. É claro que temos de ter cautela, porque o voto é secreto e precisamos de mecanismos auditáveis que impeçam as fraudes. Mas, certamente, temos de modernizar ainda mais o sistema.

O senhor acha que o financiamento de campanhas deveria voltar a ser feito pelas empresas?
O financiamento de campanhas por empresas no Brasil era deletério, mafioso. O empresário podia tomar dinheiro emprestado no BNDES e financiar o candidato da sua preferência. Portanto, usava dinheiro público para defender seus interesses. A empresa podia fazer doações para os três principais candidatos, como aconteceu em 2014. Destinaram recursos para Aécio, Dilma e Marina. Ao doar para os três, você não está exercendo o direito político. Ou você foi achacado ou está comprando favores futuros. Qualquer uma das alternativas é péssima. O sistema permitia que a empresa que financiou a campanha fosse contratada depois pela administração vencedora. A doação de campanha era paga com contrato administrativo. Portanto, era tudo uma profunda indecência e da mais absoluta imoralidade. Por isso, em boa hora, com o meu voto, o Supremo derrubou esse modelo.

Devemos manter o que está aí então?
O financiamento público do horário eleitoral eu acho que vai bem. O próprio fundo partidário já havia se incorporado à vida brasileira, mas pelo fundo eleitoral eu não tenho nenhuma simpatia. Acho que quem deve financiar a democracia é a cidadania, os próprios cidadãos. A política tem de poder mobilizar os interesses dos cidadãos para que façam pequenas doações. Sou a favor do financiamento privado por pessoas físicas. Nos Estados Unidos as empresas não podem doar para os candidatos. Os candidatos nos EUA fazem rotineiramente jantares para arrecadação de fundos e pedem doações. É assim que deve ser. É preciso derrotar essa mentalidade brasileira de que tudo tem que vir do Estado. Os sindicatos, em vez de conquistarem os trabalhadores, querem ter a contribuição sindical obrigatória. E os empresários, ao invés de conquistar os consumidores, tentam obter do Estado o financiamento público para seus negócios e ter reserva de mercado. E na política também acontece a mesma coisa: ela tem de conquistar o eleitor e não o Estado. O financiamento ideal é o financiamento privado pela cidadania.

Com todos os ataques que temos visto nos últimos dias ao Congresso e ao Judiciário, o senhor acha que a democracia brasileira corre riscos?
Não acho que corramos riscos. Nós temos instituições sólidas, que amadureceram muito e tem resistido a chuvas, trovoadas e vendavais, sem que ninguém cogite soluções que não sejam as do respeito à legalidade democrática. E mesmo nos momentos em que houve manifestações que poderiam relembrar períodos autoritários, com referência ao AI-5, por exemplo, a reação da sociedade foi tão vigorosa que eu acho que demonstrou a robustez da democracia brasileira. Agora, há uma onda de restrições democráticas no mundo, que já atingiu alguns países, e nós precisamos estar atentos. A verdade é que as instituições no Brasil funcionam bem, com todos os poderes atuando democraticamente. O presidente já editou medidas provisórias que o Congresso rejeitou e ele já tomou medidas que o próprio Supremo derrubou.Então, tanto as decisões do Congresso, quanto as do Supremo, foram adequadamente cumpridas. Isso é a democracia. É preciso não confundir autoritarismo com conservadorismo. Ou autoritarismo com políticas das quais alguém possa não gostar. Assim é a democracia: uma hora a gente vence e na outra a gente perde. Nesse momento, não vejo qualquer risco para a democracia, porque as instituições funcionam bem, estão atentas e assim devem continuar.

Quando o presidente Bolsonaro estimulou atos que propunham o fechamento do Congresso e do Judiciário, o senhor acha que ele criou uma crise institucional desnecessária?
Essa é uma pergunta para comentaristas políticos. Eu tenho por princípio falar só sobre as instituições. Não é próprio para um juiz comentar o varejo político. Acho que hoje vivemos uma crise sanitária, que traz como conseqüência uma dificuldade econômica, mas não vejo nenhuma crise institucional, nem imagino que ela possa vir.

A expansão do coronavírus preocupa o Poder Judiciário? As atividades no STF e nos fóruns podem ser suspensas?
Todos os segmentos da vida brasileira serão impactados. Eu tenho muitas preocupações porque a doença afetará não só o Judiciário, mas também prejudicará a economia, as empresas, os pequenos negócios, o cabeleireiro, a academia de ginástica, o restaurante, etc. Portanto, essa pandemia traz uma aflição generalizada. O Supremo, pela natureza de seu trabalho, será menos afetado do que os outros tribunais. O STF não precisa da presença de partes e hoje 95% dos processos são eletrônicos. Nós temos formas de realizar nossas sessões online, o que chamamos de plenário virtual, que evita maior impacto.

O senhor é a favor da aprovação de medidas que implantem a prisão após condenação em segunda instância que estão em discussão no Congresso?
Não tenho nenhuma dúvida de que o Congresso precisa aprovar a prisão após condenação em segunda instância. Acho que a alteração que produzimos em 2016 teve um impacto extremamente relevante e positivo sobre o sistema penal brasileiro. Não aumentou os índices de encarceramento. Não atingiu o andar de baixo, mas funcionou como um grande desestimulo à corrupção e um incentivo às colaborações premiadas. O sistema em que o processo não termina não serve para ninguém. Não serve para o País, não serve para o Judiciário e não serve para os advogados. O sistema tem que funcionar. Nós nos acostumamos com patamares muito ruins de Justiça. Temos de enfrentar isso corajosamente. Portanto, tenho a expectativa de que o Congresso seja capaz de atender ao sentimento da sociedade brasileira que tem uma imensa demanda por integridade e pelo fim da impunidade. Tudo dentro da Constituição e dentro das leis, sem vingadores mascarados. Mas precisamos ter um sistema penal que funcione, em que as pessoas deixem de delinqüir pelo temor de que serão exemplarmente punidas. Quando o sistema penal não consegue punir ninguém que ganha mais do que cinco salários mínimos, você cria um país de ricos delinqüentes e de pessoas que, sem muita cerimônia, praticam corrupção ativa, passiva, peculato, fraudes em licitações, desvios em toda parte. Nós criamos um país em que a regra era a que todo contrato público federal relevante tinha alguém levando vantagem indevida. O modelo padrão da contratação do serviço público federal no Brasil era movido por propinas, com o superfaturamento das obras e fraudes em licitações. Não é possível que nos tornemos um país desenvolvido com esse padrão de ética privada que se pratica no Brasil. Sou defensor de um pacto de integridade.

Como seria esse pacto?
Ele teria regras simples: no espaço público, não desviar dinheiro. E no espaço privado não passar os outros para trás. Essa seria a grande revolução brasileira. Exige do Legislativo uma reforma política para baratear eleições, porque o financiamento eleitoral traz os problemas de corrupção. Iria exigir do Executivo que os agentes públicos não se considerem sócios do Brasil ou donos do Brasil, para levar vantagem indevida em todos os contratos. E o Judiciário que trate com seriedade os crimes de colarinho branco e possa romper com a mentalidade de que o sistema penal só existe para punir o menino pobre. Com esse pacto celebrado, na democracia há espaço para todo mundo, para liberais, progressistas e conservadores. Só não deve ter espaço para a desonestidade.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: IstoÉ

Minas investiga excesso de corpos em funerária

Crédito: Reprodução/ Google Maps

O governo de Minas Gerais investiga a chegada de 41 cadáveres, em um intervalo de 48 horas, em uma funerária do bairro de Nova Gameleira, em Belo Horizonte. Segundo boletim de ocorrência da Polícia Militar obtido pelo Estado, os laudos das mortes apontam causas de insuficiência respiratória aguda, pneumonia e covid-19, apesar de o governo mineiro não ter confirmado, até sexta-feira, nenhuma morte por coronavírus.

O governo de Minas admite que corpos estão sendo enterrados no Estado sem que se saiba se a morte se deu por causa da nova doença. O diagnóstico do coronavírus depende de exames laboratoriais “realizados em vida, e não de necropsia”, afirma a Secretaria de Saúde. “Após o término da contingência epidemiológica, caso a autoridade policial entenda ser necessária, a exumação do corpo a poderá ser realizada”, diz.

No dia 22 de março, a PM mineira recebeu uma denúncia anônima, em que um morador relatava a existência de corpos acumulados em uma funerária da região metropolitana de Belo Horizonte. Ao chegar ao local, a equipe do 5.º Batalhão se deparou com o gerente da funerária, que narrou que, entre os dias 20 e 22 deste mês, 73 cadáveres haviam chegado com laudos da causa da morte parecidos: pneumonia ou insuficiência respiratória.

Pelo menos um dos laudos, segundo a PM, apontava a causa da morte como coronavírus. O corpo era oriundo da cidade de Betim. O governo de Minas, apesar de admitir que investiga os casos, continuou afirmando, neste sábado, que nenhuma morte foi confirmada.

A Secretaria de Estado de Saúde explicou, no entanto, que a notação de covid-19 referente a este corpo não quer dizer, necessariamente, que a causa do óbito foi por coronavírus, e sim que a morte aconteceu durante o período de pandemia.

Justificativa. Segundo a Secretaria de Saúde, a confusão aconteceu porque a Polícia Civil teria orientado os médicos legistas a registrarem a descrição “morte em momento de vigência da pandemia pelo covid-19” em laudos de mortes suspeitas no Estado. “O objetivo da anotação era justificar a não realização do exame interno, no cadáver e não significa, absolutamente, que a causa da morte foi a doença”, justifica o governo, que afirma ainda que alterou a descrição de causa das mortes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro afirma que crise econômica é pior do que coronavírus

Presidente sugeriu uma campanha para que idosos fiquem em casa. “O povo tem que trabalhar, o povo quer trabalhar”, prosseguiu

Bolsonaro diz que 'pequena crise' do coronavírus é 'mais fantasia ...

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que a crise econômica causada pelo isolamento social traz mais prejuízos à sociedade do que a pandemia de coronavírus. Ele disse que é urgente a volta ao trabalho dos brasileiros, insistiu que governadores e prefeitos estão errados em decretar quarentenas e previu a possibilidade de “desemprego em massa” em entrevista na estrada do Palácio da Alvorada na noite desta quinta-feira (26/03).

Quarentena vertical
Segundo o presidente, está sendo feito pelo governo um plano do que ele chama de quarentena vertical, quando apenas pessoas dos grupos de maior risco ficam isoladas. “O próprio Mandetta [Henrique, ministro da Saúde] já está convencido disso”, afirmou.

“Tem que voltar quase tudo [os setores econômicos] e fazer uma campanha ‘fique em casa’. Não deixe o vovô sair de casa, deixa ele num cantinho. Quando você voltar, toma banho, passa álcool atrás da orelha. De preferência, não fique perto do teu idoso”

Fonte: Metropoles

Coronavírus: 10 mitos e verdades sobre a doença nas redes

Pelo fato de ainda ser uma doença em processo de descoberta, mitos e verdades vêm rondando as redes sociais e assustando a população

coronavírus

JUAN GAERTNER/SCIENCE PHOTO LIBRARY/GETTY IMAGES

Com o primeiro caso registrado há quase cinco meses, na China, o coronavírus é uma doença que pode ser silenciosa e fatal. Em pouco tempo, a Covid-19 se alastrou pelo mundo e chegou em todos os países.

Pelo fato de ainda ser uma doença em processo de descoberta, mitos e verdades rondam as redes sociais e assustam a população. De acordo com a infectologista Ana Helena Germoglio, a mutação do vírus é o principal motivo da dificuldade em estudá-lo.

“Apesar de ser um vírus que já existia, esse novo tipo ainda não tinha se manifestado. O primeiro caso foi no fim do ano. Tudo ainda é muito novo e a cada dia a gente aprende algo sobre ele”, explicou.

Com isso, a especialista defende embasar as medidas locais naquelas adotadas por outros países que já conseguiram controlar a situação. Enquanto as pesquisas da doença estão em desenvolvimento, ela ressalta a importância da prevenção para evitar um maior alastramento da Covid-19 pelo mundo.

O Metrópoles separou 10 perguntas sobre o coronavírus que vem aparecendo nas redes sociais para desvendar se são mitos ou se tem algum embasamento.

1- O vírus é transmitido pelo ar?

2 – Vitamina C pode curar o coronavírus?

Mito. “Não existe nenhum estudo comprovatório de nenhuma vitamina ou remédio para curar o coronavírus“, disse. Ela ressaltou a importância de manter um bom nível de vitamina C no sangue, mas que não há eficácia comprovada nesse caso em específico.

3 – Jovens e crianças estão imunes à doença?

Mito. Segundo a médica, ninguém está imune à doença. Ela explicou que na população pediátrica (abaixo de 9 anos), o aparecimento dos sintomas ou gravidade da situação tem sido menores. Mas o fato de ser assintomático não significa a falta da infecção.

4- O vírus pode não apresentar sintomas quando infectado

Verdade. “No total, 80% das pessoas infectadas não vão apresentar sintomas ou vão sentir somente um desconforto leve, como um resfriado”, explicou a médica. Ela alertou que o momento certo de procurar um hospital é quando os sintomas considerados mais graves, como febre e falta de ar, surgirem.

5 – Existe cura para a doença?

Mito. A médica explicou que não existe um procedimento específico para o coronavírus. Como toda doença viral, pode haver uma “cura espontânea” pelo ciclo do vírus, tal como a gripe ou resfriado. Mas isso não significa que tenha um tratamento “criterioso” para o caso. “A gente pode dizer que o indivíduo está recuperado quando desaparecem os sintomas, mas não tem nada que cure a doença ainda”, explicou.

6 – O coronavírus foi inventado em laboratório?

Mito. “Não há absolutamente nada que chegue perto dessa hipótese, nada científico”, disse a médica, ao afirmar que o coronavírus já existia em outras formas de mutação.

7 – A dengue é mais comum que o coronavírus?

Verdade. O número de casos de infectados por dengue no Brasil é maior em comparação ao coronavírus. Somente este ano, teve um aumento de 300% dos casos no Distrito Federal. Entre 29 de dezembro e 18 de janeiro, segundo dados do Ministério da Saúde, foram identificados mais de 30 mil casos de dengue no país.

8 – Metanol pode matar o vírus?

Mito. A especialista ressaltou que não há um medicamento com eficácia comprovada, apesar de a cloroquina estar sendo testada. Porém, ela pontuou que, mesmo que o álcool curasse a doença, a ingestão não é recomendada.

9- O vírus não sobrevive a clima quente.

Mito. No início da pandemia, a hipótese era de que o vírus só sobrevivia a lugares frios. Porém, o fato da proliferação da doença no Brasil e em outros países de clima quente comprovou o oposto.

10 – O coronavírus pode ser transmitido por meio de objetos ?

Verdade. De acordo com a infectologista, a contaminação por superfície é a mais comum. Por isso, a importância de sempre higienizar as mãos e evitar tocar muitas superfícies e sempre higienizar muito bem as mãos.

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: Metropoles

Pandemia da miséria

A paralisação da economia tem um impacto destrutivo ainda maior sobre a população de baixa renda. Segundo o Data Favela, 72% dos moradores de Paraisópolis, em São Paulo, não têm condições de fazer quarentena

Crédito: Tárcio Teixeira

ALTA DENSIDADE Comunidade de Paraisópolis: cerca de 60 mil pessoas podem ser infectadas (Crédito: Tárcio Teixeira)

A crise atual tem um impacto ainda mais perverso sobre a população de baixa renda. Muitos profissionais sobrevivem da economia informal ou dependem de remuneração por serviços pontuais para pagar as despesas do dia a dia. Com a paralisação geral provocada pelo coronavírus, a maioria dos serviços não essenciais foram cancelados ou adiados. Para piorar a situação, o isolamento individual recomendado pelas autoridades médicas nem sempre é uma opção para quem divide o pequeno teto com famílias muitas vezes numerosas. Em localidades onde a densidade populacional é alta e as necessidades básicas são mais altas ainda, as perspectivas com a situação atual são as piores possíveis. É assim que vivem moradores de Paraisópolis, a segunda maior comunidade da cidade de São Paulo. Próxima ao Morumbi, um dos bairros mais nobres da capital paulista, Paraisópolis tem cerca de 100 mil habitantes espalhados por 21 mil domicílios em uma área de 10 quilômetros quadrados. Enquanto a densidade demográfica do Morumbi é de 4,1 mil habitantes por quilômetro quadrado, a de Paraisópolis tem mais que o dobro: 10 mil.

O problema é tão sério que Paraisópolis decidiu desenvolver o seu próprio sistema para enfrentar a crise da Covid-19. A estratégia criada pela associação de moradores, formada por 420 líderes comunitários, instituiu a figura do “presidente de rua”, cuja função inclui cuidar de cerca de 300 moradores. “Eles vão fazer aquilo que o poder público não faz”, afirma Gilson Rodrigues, presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis. Segundo ele, os presidentes de rua vão mapear os 10 quilômetros quadrados de área da favela e organizar o fluxo de doações, cestas básicas e itens de higiene. “Fazer quarentena é possível para quem mora em prédios. Na favela é difícil”, diz o morador Marcus Vinícius Conceição dos Santos.

“Na favela é difícil fazer quarentena. É por isso que o trabalho da Associação dos Moradores é essencial para conter o coronavírus” Marcus Vinicius Conceição dos Santos, morador de Paraisópolis

Quarentena não remunerada

De acordo com levantamento do Data Favela, organização que mapeia o comportamento e o consumo das comunidades de baixa renda, 72% da população de Paraisópolis não têm dinheiro para suportar a condição de quarentena.

A pandemia agrava a condição de precariedade das pessoas que vivem na favela. Ainda segundo o Data Favela, 84% dos moradores em comunidades acreditam que terão redução da renda por causa do coronavírus — 79% já começaram a cortar gastos. Embora a recomendação geral seja para que todos mantenham a higiene e lavem as mãos, o acesso à água e saneamento é escasso.

“Aqui ainda tem lugares em que falta água. Temos caixa d’água há apenas um ano”, conta Jéssica dos Santos, auxiliar de enfermagem. Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, apesar de quase toda a população de São Paulo ter abastecimento de água, as formas irregulares de obtenção que ocorrem em pontos da favela podem prejudicar. “Em dois dias a água armazenada irregularmente apodrece e pode causar doenças”, afirma o médico. Segundo suas estimativas, cerca de 60 mil pessoas podem ser infectadas pelo coronavírus na comunidade de Paraisópolis, o que significa que pelo menos três mil delas vão precisar de internação em unidade intensiva. “Seria uma calamidade” diz ele.

As dificuldades também estão nas comunidades do Rio de Janeiro. No complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte na capital fluminense, 55% dos moradores vivem com renda per capita abaixo da linha da pobreza. Segundo o Censo Maré, pesquisa realizada em 2019 por um grupo de moradores ligado à ONG Redes da Maré, cerca de 140 mil pessoas vivem nas 16 comunidades locais — o complexo abriga um dos maiores centros populacionais do País. A pesquisa apontou que cerca de 7,4% dos moradores têm 60 anos ou mais. Por isso, a ONG Redes da Maré lançou uma campanha para arrecadar doações para os idosos e pessoas carentes da região.

A campanha, que também sugere medidas de limpeza e higienização de materiais, segue as orientações da Fundação Oswaldo Cruz. Comerciantes e fornecedores são tratados com prioridade para estimular o consumo e a economia local. Esse tipo de iniciativa pretende ajudar moradores como Márcia Regina Rodrigues dos Santos, cozinheira e moradora da comunidade Nova Holanda, bairro do Complexo da Maré. “Na minha casa vivem cinco pessoas e eu sou a única que trabalha”, afirma Márcia. Ela lembra que, graças à pandemia, alguns colegas de trabalho foram demitidos e sua carga horária aumentou. As circunstâncias da crise ainda impuseram a ela uma outra agravante cruel: a redução de salário. A crise, bastante grave, é de saúde, mas as consequências, igualmente drásticas, também são econômicas.

As dificuldades também atingem as favelas do Rio de Janeiro. No Complexo da Maré, cerca de 7,4%
da população têm 60 anos de idade

Postagem: http://egnews.com.br

Fonte: IstoÉ

O coronavírus e a pandemia do oportunismo

Por: Regis Machado*

No início de fevereiro, com a megaoperação de repatriação de 34 brasileiros que viviam em Wuhan, na China, epicentro da doença coronavirus disease 2019 (Covid-19), o Brasil testemunhou o prenúncio de um drama que passaria a assombrá-lo dali em diante. Após ficarem quinze dias de quarentena numa base militar de Anápolis (GO) e testarem negativo para o vírus Sars-CoV-2 em três sucessivos exames clínicos, aqueles brasileiros puderam, finalmente, retornar aos seus Estados de origem [1].

Passado o episódio, bastaram apenas mais dois dias para, em 25/2, o Ministério da Saúde anunciar o primeiro caso de Covid-19 no Brasil: um homem que acabara de voltar da Itália, país que enfrentava, então, um surto da doença [2]. Um mês depois, já contando, segundo os registros oficiais, 2.201 casos confirmados e 46 mortes, números esses em ascensão diária, o Ministério reconheceu a transmissão comunitária da Covid-19 em todo o país, orientando os gestores nacionais a adotarem medidas para promover o distanciamento social e evitar aglomerações [3].

Há, contudo, uma segunda pandemia em curso, a qual, se não atacada, tem potencial para causar ainda mais estrago do que a do novo coronavírus. É que, nesse contexto atribulado, em meio à comoção social causada em torno do combate à Covid-19, o terreno é fértil para o surgimento de propostas notoriamente oportunistas. A mais recente, por exemplo, explora o desgaste que o governo, para aprovação da reforma da previdência, promoveu sobre a imagem dos servidores públicos para sugerir, covardemente, o confisco de até 50% dos respectivos salários [4].

Ainda mais esdrúxulo e perigoso é o PL 791/2020, sendo gestado na Câmara dos Deputados, que institui um comitê nacional para “chancelar” as contratações públicas relacionadas ao enfrentamento da pandemia [5]. De acordo com o projeto, os processos de contratação seriam submetidos à chancela monocrática de um Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), designado pelo Presidente da Corte, e homologados pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvido previamente o Procurador-Geral da República. Numa só tacada, seriam completamente afastados os controles do Ministério Público de Contas da União, de todas as instâncias do Poder Judiciário abaixo do STF, dos demais Procuradores da República e dos auditores que compõem o corpo técnico do TCU, o que é flagrantemente inconstitucional e afronta diversos precedentes do próprio STF. Para se ter ideia do potencial dano dessa tresloucada proposta, basta lembrar que o montante envolvido nessas contratações será multibilionário [6].

Não raro, esse surto de oportunismo acaba se alastrando para a seara política, o que agrava ainda mais o quadro. No caso tupiniquim, os governadores de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, que já externaram pretensões presidenciais, parecem querer antecipar, de maneira inconsequente, uma disputa eleitoral que deveria ocorrer somente em 2022. À frente de Estados cujas contas, em geral, já estão bastante comprometidas [7], esses governadores, alegando necessidade de promoção do isolamento social em função da Covid-19, decretaram a parada completa da atividade econômica, mandando fechar, inclusive, divisas e aeroportos, medida que, além de gerar pânico na população, implicará na quebra generalizada de empresas e no consequente agravamento do desemprego [8]. A ideia seria, futuramente, jogar esses problemas na conta do presidente Jair Bolsonaro, buscando, assim, inviabilizar a sua reeleição.

Como se viu, em tempos de pandemia, é sempre recomendável redobrar a atenção com relação ao surgimento desse outro vírus, o do oportunismo, igualmente contagioso. No apagar das luzes, membros imunodeficientes do Legislativo e do Executivo podem manifestar o principal sintoma dessa doença: uma vontade incontrolável de tentar emplacar propostas descabidas, absolutamente incogitáveis sob o manto da normalidade. E, se não se cuidar, o Judiciário, aglomerado ali na Praça dos Três Poderes, também corre o risco de se contaminar [9]. Saúde!

*Auditor do Tribunal de Contas da União (as opiniões do autor não constituem posicionamento institucional do TCU)

[1] https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/02/brasileiros-deixam-quarentena-apos-fim-da-suspeita-de-coronavirus.shtml

[2] https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/02/brasil-confirma-primeiro-caso-do-novo-coronavirus.shtml

[3] https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46593-coronavirus-46-mortes-e-2-201-casos-confirmados

[4] https://agora.folha.uol.com.br/grana/2020/03/deputado-do-psdb-apresenta-projeto-para-reduzir-salario-de-servidor-publico-em-ate-50.shtml

[5] https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2241635

[6] https://www.agoranoticiasbrasil.com.br/jair-bolsonaro-se-reune-com-mais-governadores-e-cita-r-600-bi-em-recursos-contra-covid-19

[7] https://istoe.com.br/a-heranca-petista-e-os-estados-quebrados

[8] https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/bolsonaro-critica-doria-witzel-e-ibaneis-por-clima-de-terror

[9] https://www.poder360.com.br/coronavirus/alexandre-de-moraes-suspende-divida-de-sp

Postagem: http://egnews.com.br

Brasil tem 4,3 milhões de idosos vivendo sozinhos; coronavírus muda rotinas e impõe desafios

Maria José Ramos mora em Barra Mansa, no sul do estado do Rio de Janeiro — Foto: Arquivo Pessoal

Maria José Ramos mora em Barra Mansa, no sul do estado do Rio de Janeiro — Foto: Arquivo Pessoal

Para superar essas dificuldades, alguns recorrem aos familiares, amigos e vizinhos.

Brasil tem 4,3 milhões de idosos vivendo sozinhos: número por estado — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Brasil tem 4,3 milhões de idosos vivendo sozinhos: número por estado — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Maria José com o casal Hugo e Larissa, vizinhos que ajudam no período de quarentena — Foto: Arquivo PessoalMaria José com o casal Hugo e Larissa, vizinhos que ajudam no período de quarentena — Foto: Arquivo Pessoal

Maria José com o casal Hugo e Larissa, vizinhos que ajudam no período de quarentena — Foto: Arquivo Pessoal

Moradora de Barra Mansa, no Sul do Rio de Janeiro, Maria José Ramos, de 73 anos, é mãe de três filhos e tem um neto. Ela mora sozinha há 10 anos desde que parte dos familiares foi morar na capital fluminense e um filho foi morar nos Estados Unidos.

Quando a crise do coronavírus se agravou, os vizinhos do condomínio fizeram uma “rede de ajuda” para casos de necessidade.

“Os meus vizinhos todos já se ofereceram para fazer compra para mim ou para me ajudarem em casos de emergência”, conta Marzé, como é conhecida pelos amigos. “Eu tenho o Hugo aqui no prédio, que é o amigo do meu neto e é como se fosse um neto também. No último domingo, ele trouxe comida aqui que a esposa dele fez. A gente fez uma cadeia de colaboração aqui no condomínio.”

Em entrevista ao G1, ela diz que não parou sua atividade física semanal no período de isolamento social. Além de praticar pilates, ela aproveitou para intensificar a leitura para não ficar tão irritada com as restrições de convívio.

“Eu estou irritada, mas sigo quietinha em casa. Eu estou fazendo todos os exercícios de pilates para passar o tempo. A professora está mandando para a gente os vídeos do que temos que fazer pelo WhatsApp. Eu estou fazendo em casa durante uma hora”, afirma. “Acordo, tomo café, faço pilates, faço minhas orações e tenho lido bastante.”

Servidora pública do Tribunal Regional do Trabalho,  Ana Margarida Pereira Pinto, de 67 anos, continuou trabalhando em casa após epidemia do novo coronavírus — Foto: Arquivo pessoal

Servidora pública do Tribunal Regional do Trabalho, Ana Margarida Pereira Pinto, de 67 anos, continuou trabalhando em casa após epidemia do novo coronavírus — Foto: Arquivo pessoal

“Não tenho abusado deles, não. Tenho me virado bem sozinha”, conta Ana Margarida, que mora no Grajaú, Zona Norte do Rio. “Uma coisa que está ajudando muito é fazer chamada de vídeo, pelo WhatsApp, com 3 pessoas. Dá uma sensação de proximidade muito grande”, diz.

Ela afirma que criou uma rotina para se dividir entre trabalho, atividades domésticas e lazer.

“A gente ficou sozinho. A gente não pode ter nossa faxineira, nossa ajudante. Porque elas correm risco e a locomoção está dificultada”, diz. “Estou fazendo tudo na minha casa. Estou procurando fazer isso: ter momento dedicado ao trabalho, momento dedicado para organização da casa e um momento para lazer, ver alguma coisa, bater papo com os amigos.”

Apoio da família

Geoneva Leal, de 86 anos, foi para a casa da filha Júlia, enquanto está em vigor o isolamento social por conta do coronavírus — Foto: Arquivo pessoal

Geoneva Leal, de 86 anos, foi para a casa da filha Júlia, enquanto está em vigor o isolamento social por conta do coronavírus — Foto: Arquivo pessoal

Já Geoneva Leal, de 86 anos, foi para a casa da filha Júlia, na Tijuca, Zona Norte do Rio, enquanto está em vigor o isolamento social. Ela se diz privilegiada por ter uma família que a acolhe tão bem.

“Estou sendo tratada como uma princesa”, conta Geoneva. Ela diz que está aproveitando a companhia dos netos, Stephanie e Giovanni. O contato também é constante com a outra filha, Aida, mas pelo telefone e pela internet.

Sua maior preocupação é com quem não tem o mesmo apoio e está sofrendo as consequências do coronavírus.

“Na época da guerra não se passava o que está passando hoje. Nós tínhamos vale para apanhar comida, tinha lugar que dava leite, não faltava nada. Agora tem gente desempregada, sem salário”, afirma Dona Gena, como é conhecida, lembrando de sua infância durante a Segunda Guerra Mundial.

Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul lideram

O Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul têm o maior número de idosos vivendo sozinhos em relação à população total do estado, de acordo com os dados do IBGE obtidos pelo G1.

No Rio, há 544 mil pessoas com mais de 65 anos morando sozinhas, ou 3,2% da população.

Entre os gaúchos, há 351 mil idosos vivendo sós, ou 3,1% da população.

O estado com menos idosos vivendo sozinhos é o Amapá, com 4,8 mil, ou 0,5% da população.

Estados com mais idosos vivendo sozinhos
Percentual de idosos vivendo sozinhos em relação à população total do estad
Idosos vivendo sozinhos (%)3,13,1332,22,222221,91,91,91,91,81,81,71,71,61,61,51,51,31,31,21,21,11,10,80,80,50,5RJBAMGGOSCESALMSPIRNACDFRRAP00,250,50,7511,251,51,7522,252,52,7533,253,5

PA
Estados 1,2
Fonte: Levantamento do G1 com base em dados do IBGE