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sexta-feira, novembro 27, 2020

Mais de 300 pessoas aguardam transferência para leitos de covid no Rio

© Marcello Casal Jr./Agência Brasil


O número de pacientes com novo coronavírus (de covid-19) que aguardam transferência para leitos no sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro chegou a 358, segundo informou a Secretaria de Estado de Saúde no início da tarde de hoje (27). Entre esses pacientes, 207 devem ser transferidos para enfermarias e 151 para unidades de terapia intensiva (UTI).

A taxa de ocupação dos leitos de UTI da rede estadual destinados à covid-19 é de 80%, enquanto as enfermarias chegaram a 51%.

Na capital e Baixada Fluminense, os leitos de UTI para o tratamento da covid-19 chegaram na manhã de hoje (27) a 92%, considerando unidades de saúde municipais, estaduais e federais. O percentual foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que também informou uma ocupação de 69% nas UTIs.

Segundo a secretaria municipal, 301 pacientes aguardam transferência para leitos no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, sendo 120 de UTI. A secretaria destaca que “as pessoas que aguardam leitos de UTI estão sendo assistidas em leitos de unidades pré-hospitalares, com monitores e respiradores”.

Em toda a rede SUS na capital, há 1.082 pessoas internadas em leitos especializados para a covid-19, e chega a 509 o número de hospitalizados em terapia intensiva.   

Esta semana, o subsecretário de Saúde do município, Jorge Darze, disse que a cidade “ainda não chegou a um patamar de ter a capacidade zerada” e explicou que, entre a indicação da necessidade de um leito e a efetiva internação, há um processo que pode durar horas para que se consiga a transferência”. 

Já a Secretaria de Estado de Saúde explicou, ontem (26), que “a fila de espera por leitos ocorre porque, para pacientes com comorbidades, a Central Estadual de Regulação busca vagas que contemplem todas as suas necessidades clínicas, garantindo a assistência especializada a cada caso”.  

Taxa de letalidade

O Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz divulgado ontem (26) apontou “uma piora expressiva” da taxa de letalidade da covid-19 no estado do Rio de Janeiro, que chegou a 6,4%. Em outros estados, a letalidade é entre 2% e 3%.

“Esse valor é considerado alto em relação a outros estados e aos padrões mundiais, à medida que se aperfeiçoam as capacidades de diagnóstico e de tratamento oportuno da doença, o que revela graves falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde”, disse a equipe multidisciplinar da Fiocruz. 

O coordenador do Sistema Monitora Covid-19 da Fiocruz, Christovam Barcellos, esclarece que a letalidade é uma taxa calculada utilizando o número de casos confirmados da doença e o número de óbitos causados por ela. O indicador, então, depende da realização de testes e diagnósticos para se aproximar da realidade.

Sanitarista do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), Barcellos destaca que esse número está mais ligado à capacidade de diagnóstico que ao risco de morte ao contrair a doença.

“O que pode estar acontecendo no Rio de Janeiro é uma falha no diagnóstico do caso, enquanto o diagnóstico do óbito pode ainda estar sendo bem feito. É importante a população saber que não significa que se você pegar a doença, você tem mais chances de morrer. Isso [a taxa] aponta falhas no sistema de saúde, e não que os casos do Rio de Janeiro sejam mais graves”, esclareceu.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Estado de Saúde ainda não respondeu.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

Fiocruz: aumento de casos e óbitos de covid-19 deve servir de alerta

© Reuters©


O aumento de casos e óbitos de covid-19 no Brasil entre 8 e 21 de novembro ainda não pode ser chamado de segunda onda, mas deve servir de alerta para reforçar o sistema de saúde, avalia o Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que foi atualizado ontem (26) com os dados das semanas epidemiológicas 46 e 47. O texto pede atenção na análise dos dados, já que as semanas estudadas sucedem um período em que houve defasagem nos registros, no contexto dos ataques cibernéticos sofridos por órgãos federais.

“Ainda não se pode afirmar que o Brasil vive uma segunda onda da pandemia, mas a inversão da tendência de redução desses indicadores [de casos e óbitos] deve servir como alerta para todo o sistema de saúde, no sentido de reforçar a infraestrutura hospitalar e intensificar ações de atenção primária integrada à vigilância”, afirma o boletim, que reitera a importância de combinar o distanciamento social à realização de testes para a identificação ativa de casos e contatos, com isolamento dos casos e quarentena dos contatos.

A Fiocruz avalia ainda que “a combinação dos problemas no fluxo de dados e o aumento súbito do número de casos deve ser tratada com bastante atenção, pois significa que no momento atual podemos ter um quadro de indicadores que efetivamente não reflete a realidade, agravado pela ausência de testes e de busca ativa de casos e contatos”.

Entre 8 e 21 de novembro, foi observada tendência de alta na incidência da doença nos estados do Amapá, Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina. Já o número de óbitos sofreu “aumento expressivo” em Roraima (+7,9%), Minas Gerais (+6,6%), no Rio de Janeiro (+10,1%), em São Paulo (+7,7%),  no Rio Grande do Sul (+5,2%) e em Goiás (+7,5%).

A Fiocruz aponta que a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país voltou a crescer e “revela um quadro preocupante”. As taxas mais altas no período ocorreram em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, no Distrito Federal, Paraná, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

A ocupação dos leitos de unidade de terapia intensiva para covid-19, segundo o boletim, continuou em uma tendência de piora, com Amazonas (86%) e Espírito Santo (85,1%) na zona de alerta crítica. A situação piorou na Bahia (61,1%), em Minas Gerais (64,5%), no Rio de Janeiro (70%) e em Santa Catarina (78,1%), e esses estados voltaram para a zona crítica intermediária.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Saúde

Covid-19: Brasil tem 171 mil mortes e 6,2 milhões de casos acumulados

© REUTERS/Wolfgang Rattay/Direitos Reservados


O número de casos acumulados de covid-19 passou de 6.166.606 para 6.204.220 entre ontem e hoje (26) . Nas últimas 24 horas, foram registrados 37.614 diagnósticos positivos para a doença, abaixo dos 47.898 acrescidos às estatísticas ontem.

As mortes decorrentes da pandemia do novo coronavírus saíram de 170.769 para 171.460. Entre ontem e hoje, foram registradas 691 óbitos, número superior às 654 notificações incluídas no balanço de ontem. Ainda há 2.177 óbitos em investigação, dados referentes a ontem.

As informações estão na atualização diária do Ministério da Saúde, divulgada na noite desta quinta-feira (26). O órgão divulga a cada dia um balanço a partir de informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde.

Ainda conforme a atualização do ministério, há 504.161 pacientes em acompanhamento. Outras 5.528.599 pessoas já se recuperaram da doença.

Covid-19 nos estados

Os estados com mais mortes pela covid-19 são São Paulo (41.773), Rio de Janeiro (22.394), Minas Gerais (9.904), Ceará (9.545) e Pernambuco (8.987). As Unidades da Federação com menos óbitos pela doença são Acre (722), Roraima (723), Amapá (802), Tocantins (1.155) e Rondônia (1.535).

Situação epidemiológica da covid-19 no Brasil 26/11/2020Situação epidemiológica da covid-19 no Brasil 26/11/2020

Situação epidemiológica da covid-19 no Brasil 26/11/2020 – 26/11/2020/Divulgação/Ministério de Saúde

Edição: Liliane Farias

Fonte: EBC Saúde

Covid-19: Saúde anuncia recursos para leitos e programa de imunização

© Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou hoje (26) que recursos remanescentes para o enfrentamento da pandemia de covid-19 serão aplicados em leitos e no programa de imunização. 

O titular do Ministério da Saúde informou que se reuniu com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) para discutir a aplicação dos recursos remanescentes na pasta para ações relacionadas à pandemia, montante na casa dos R$ 6 bilhões.

O valor deverá ser investido em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), por meio de repasse a estados e municípios com vistas a manter leitos abertos, adiantando recursos de custeio de parte da estrutura que seriam repassados em 2021.

“Pactuamos hoje que vamos trabalhar com a incorporação do maior número possível de UTIs, vamos continuar com as UTIs que foram feitas para a covid-19, dentro das regras do SUS [Sistema Único de Saúde]. Isso vai permitir que Brasil dê salto em atendimento. Vamos cumprir um ano adiantado, para 2021”, sublinhou.

Pazuello acrescentou que parte dos recursos também será direcionada para despesas relativas a cirurgias tratamentos impactados pela pandemia. Outra destinação será o planejamento e execução do plano de imunização contra a covid-19.

O ministro afirmou que a definição da logística deste plano ocorrerá quando houver mais informações sobre quais vacinas estarão disponíveis. “Cada vacina tem característica diferente, número de dose, logística. Precisamos aproximar da chegada para fechar o plano logístico”, disse.

Prematuridade

Pazuello participou de uma entrevista coletiva acerca de ações para apoio a crianças prematuras e suas mães, da gestão ao puerpério. Uma portaria foi assinada liberando R$ 324 milhões em iniciativas voltados a estes públicos.

Os valores serão disponibilizados a mais de 600 maternidades ligadas à rede do SUS. Estas poderão solicitar recursos para a aquisição de equipamentos e estruturas, como camas, cardiotopografia (para avaliação do bem-estar do feto), banquetas de parto e sonar doppler (para ouvir o coração do bebê).

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante apresentação de ações voltadas ao cuidado às gestantes e recém-nascidos no Sistema Único de Saúde (SUS).O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante apresentação de ações voltadas ao cuidado às gestantes e recém-nascidos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante apresentação de ações voltadas ao cuidado às gestantes e recém-nascidos no Sistema Único de Saúde (SUS). – Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Repiques”

Pazuello disse também que não há, no país, uma segunda onda de covid-19, termo utilizado por especialistas, e apresentou outra classificação. Segundo ele, a primeira onda seriam os casos e mortes, com “repiques”. A segunda onda consistiria em cirurgias e tratamentos não realizados pelo cancelamento de cirurgias eletivas ou pelo medo de pacientes de se dirigirem ao hospital.

“Estamos falando também de repique de contaminação e mortos em algumas regiões. É só acompanhar o site [Painel Covid-19 do Ministério da Saúde] e podemos ver os dados. No Sul e Sudeste o repique é mais claro. No Norte e Nordeste o repique é menos impactante, com algumas cidades fora da curva. No Centro-Oeste é mais no meio do caminho”, analisou.

Conforme o ministro, a terceira onda envolveria os casos de violência doméstica contra a mulher em função do isolamento, com violência psicológica e física, incluindo feminicídios, estupros e outras práticas condenáveis. “A quarta onda é aumento de casos de automutilação e suicídios. Não confundam ondas como novo surto. É surto que podem virar endemia e depois pandemia, o troço é grave. Temos que estar atentos”, completou Pazuello.

Edição: Bruna Saniele

Fonte: EBC Saúde

DF oferecerá teste genético a mulheres com risco de câncer de mama

© Divulgação/Sociedade Brasileira de Mastologia


O governador Ibaneis Rocha sancionou hoje (26) lei que obriga os hospitais públicos do Distrito Federal (DF) a realizarem teste de mapeamento genético em mulheres com elevado risco de desenvolver câncer de mama. A lei, originada na Câmara Legislativa do DF, foi publicada hoje no Diário Oficial do DF.

De acordo com a lei, cabe ao Executivo distrital assegurar todos os recursos necessários à disponibilização do teste genético em mulheres classificadas em laudo médico como de alto risco de desenvolver câncer de mama. Esse teste identifica mutação no gene BRCA. Mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2 aumentam muito as chances da mulher desenvolver câncer de mama ou de ovário.

“A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal deve preparar os laboratórios dos seus hospitais para credenciá-los na coleta do material”, diz a publicação. Além disso, o governo local tem 60 dias para editar os atos que se fizerem necessários para a fiel execução da lei.

 

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde

Bombeiros vão fiscalizar prevenção à covid-19 em bares e boates do Rio

© Tânia Rêgo/Agência Brasil


O cumprimento das medidas de prevenção à covid-19 em bares, boates e casas de espetáculo também será fiscalizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, a partir de determinação divulgada ontem (25) pelo governo estadual.

Além de autorizarem os eventos no estado, os bombeiros também farão vistorias entre 20h e 5h para verificar o cumprimento de regras como a limitação de público, o distanciamento social, o uso de máscara e a disponibilização de álcool 70.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros e secretário de Defesa Civil, coronel Leandro Monteiro, os estabelecimentos que forem flagrados descumprindo a lotação de público de determinada no Decreto Estadual 47.345, de 5 de novembro de 2020, serão interditados e terão suas licenças cassadas.

O decreto estabelece que bares, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos congêneres devem limitar o acesso do público a dois terços da sua capacidade de lotação. As regras permitem a apresentação de música ao vivo, mas proíbem pista e espaço de dança. Além disso, são autorizados os serviços de consumo de bebidas alcoólicas apenas para os clientes sentados em mesas e cadeiras nas áreas internas e externas, respeitando o distanciamento mínimo de um a dois metros. O sistema de self-service para refeições está proibido.

Já casas de shows e espetáculos, boates e arenas fechadas só podem funcionar com reserva de lugares numerados, respeitando a limitação de 50% da capacidade de público. Assim como nos bares, é permitida música ao vivo, porém vedada pista e espaço de dança para evitar concentração de público nestes locais.

Os pedidos para a realização de eventos no estado deverão ser submetidos ao Corpo de Bombeiros por meio do Sistema Eletrônico de Informação. Além da viabilidade dos eventos, a corporação fará a avaliação considerando a situação de cada município.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Saúde

Governo amplia ações para gestantes e recém-nascidos no SUS

© Marcello Casal/Agência Brasil


Em alusão ao Novembro Roxo, mês da conscientização para os cuidados e prevenção da prematuridade, o Ministério da Saúde apresenta ações voltadas ao cuidado às gestantes e recém-nascidos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Serão apresentadas ações de qualificação do pré-natal e do parto na Atenção Primária, atenção aos bebês pré-termo e dados de nascimentos de prematuros no país.

Neste momento, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello; a primeira-dama, Michelle Bolsonaro; e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves; participam do evento online.

Acompanhe ao vivo

 

De acordo com a Organização Não Governamental (ONG) Prematuridade, 340 mil bebês prematuros nascem no Brasil todos os anos. São 12% dos nascimentos do país, acima da média mundial de prematuridade, que é 10%. Leia mais
 

Edição: Liliane Farias

Fonte: EBC Saúde

Pacientes mortos pela covid desenvolveram fibrose pulmonar

© Gian Galani /PUCPR


Estudo realizado por professores da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) comprovou que pacientes que morreram em decorrência do novo coronavírus (covid-19) desenvolveram fibrose nos pulmões. O estudo apurou também que os pacientes que se recuperarem e sobreviverem à covid provavelmente vão ter essa sequela pulmonar. 

“A pessoa vai ter alta, mas o pulmão vai ficar com essa fibrose. Isso não volta atrás. Vai ficar com um pouco de sequela e a sequela vai ser tanto maior quanto mais grave for a doença”, disse hoje (26) à Agência Brasil a professora da PUCPR Lucia de Noronha, que participou do projeto.

O estudo sugere que medicamentos que interfiram com esse processo de formação de fibrose, como o bloqueador da Interleucina-4 ou de TGF Beta, e até mesmo de corticoide, poderiam diminuir o quadro de fibrose pulmonar severa nos pacientes com covid-19. “Isso poderia fazer com que o paciente saísse com uma melhor condição pulmonar. Porque agora a gente não pode se preocupar somente com a cura, mas com a cura e o que fica no paciente após a cura. Ou seja, qual a sequela que ele vai ter”, disse Lucia.

Amostras

Os pesquisadores compararam seis amostras pulmonares de pacientes que morreram devido à covid-19 severa com dez fragmentos de pulmões de indivíduos infectados pelo vírus H1N1pdm09, responsável pela pandemia de gripe suína de 2009 e, também, com 11 amostras de pacientes que morreram por problemas cardíacos ou oncológico e não tiveram lesão pulmonar como causa da morte. “Na covid, a gente viu mais fibrose”. Segundo explicou a professora, existem dois motivos para isso. O primeiro é porque a lesão pulmonar da covid é diferente. Ela é mais afeita a fazer fibrose, por si só. Outro motivo é que a covid é uma doença mais longa.

No H1N1, em três dias o paciente ia a óbito ou começava a recuperar o pulmão. Já na covid, os pacientes ficam 30 dias na UTI. “É muito prolongado [o tempo de internação] antes dele receber alta. Esse tempo de lesão, esse tempo em que o pulmão fica sendo comprometido, propicia você ter mais fibrose. Não é só a gravidade da doença, mas é a gravidade mais tempo. São duas coisas”. 

De acordo com informações da Escola de Medicina da PUCPR, a fibrose torna os tecidos espessos e rígidos, limitando a capacidade respiratória dos pulmões, uma vez que a condição dificulta a absorção e transferência de oxigênio para a corrente sanguínea.

Lucia de Noronha disse que a comparação com amostras de pacientes que não morreram em função de lesão pulmonar permitiu aos pesquisadores quantificar a fibrose. Foram usados fragmentos de pacientes mais ou menos da mesma idade. A conclusão é que as pessoas que morreram da covid têm muito mais fibrose. “A gente consegue ver também que quanto mais tempo esse paciente ficou na UTI, mais fibrose ele tinha. Então, é gravidade dependente de tempo”.

Consequências

O tempo longo de permanência dos pacientes com covid nas UTIs acarreta problemas como a falta de leitos disponíveis e traz consequências para os doentes, entre as quais a fibrose que “não tem volta”, ressaltou Lucia. Os pacientes que se recuperam da doença e recebem alta e têm pouca fibrose talvez não sintam muito porque toda pessoa tem uma reserva pulmonar, disse a professora. “A gente tem mais pulmão do que necessitaria, justamente para, se você tiver uma pneumonia, sobreviver”, explicou Lucia. Mesmo com pouca fibrose, o paciente pode ficar cansado se fizer muito exercício.

Tendo muita fibrose, mesmo caminhadas curtas ou subidas de escadas podem afetá-lo. “A restrição vai depender da quantidade [de fibrose]”. Em casos extremos, a pessoa pode ficar dependente de oxigênio. Fica com dificuldade respiratória, que é progressiva. “Quanto mais lesão, mais dificuldade respiratória”. Dependendo da extensão da lesão, o quadro pode levar à morte.

Pesquisa

Os pesquisadores definiram três ou quatro moléculas chave que estão envolvidas no resultado final da pesquisa, que é a fibrose, para poder sugerir um meio de bloqueio. Agora, o estudo terá continuidade com 25 pacientes que morreram de covid-19.

“O próximo passo é estudar esses 25 [pacientes] com mais moléculas que trabalham junto com essas três ou quatro. Digamos que eu estudei o capitão da equipe e agora vou estudar os soldados. Vou estudar outras moléculas para poder fechar melhor esse mecanismo. Nós estamos comparando com os pacientes que estão vivos e dos quais a gente coletou sangue. A gente já percebeu que é mais ou menos a mesma coisa. O que a gente viu nos mortos está vendo nos vivos”. 

Segundo Lucia de Noronha, entender o que ocorreu com os mortos ajuda a entender o mecanismo que será dosado no sangue dos pacientes internados mas que receberão alta. 

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). As famílias dos pacientes permitiram a biópsia. O resultado do estudo foi publicado na revista Scientific Report, considerada uma das principais publicações científicas do mundo.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

Covid-19: pesquisa aponta queda nos serviços de radioterapia no país

© Secretaria da Saúde de Sergipe/Divulgação


Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR) revela que durante a pandemia do novo coronavírus, 60% dos serviços de radioterapia do país tiveram queda no atendimento. Nas cinco regiões do país as informações coletadas apontam que 61% desse serviço teve mais de 20% de redução do movimento, sendo que 15% viram o número cair em mais da metade. Dos 256 serviços de Radioterapia existentes no país apenas 126 responderam o questionário Não houve respostas de serviços do estado de Rondônia.

As causas apontadas pelos serviços de radioterapia para a redução do volume de pacientes atendidos foram multifatoriais e, em alguns casos, mais de uma foi relatada. As três principais foram o não encaminhamento dos pacientes, por seus médicos, para a radioterapia; medo do paciente e familiares em realizar a radioterapia e a redução do diagnóstico de novos casos de câncer. “A demanda reprimida pode gerar filas para tratamento e aumento dos casos mais avançados de câncer”, avaliou a SBR.

Distância

A distância que o paciente precisaria percorrer para receber o tratamento, ao longo de semana foi um dos motivos que levaram à redução dos encaminhamentos dos médicos para radioterapia, com a recomendação de isolamento social, a situação se agravou.

Ainda segundo o mapeamento, no Brasil, a média de deslocamento até o local mais próximo para um procedimento de radioterapia é de 76 quilômetros (km). Enquanto no estado de São Paulo a distância média é 33 km, um paciente que mora em Roraima e no Acre, estados que não contam com esse serviço, a distância média é de 1.605,5 km e de 1.487,3 km, respectivamente.

Hipofracionamento

Para reduzir a necessidade de vezes que o paciente precisa se descolar uma medida adotada é o hipofracionamento. A técnica permite utilizar, de forma segura eficiente, menos aplicações com frações mais altas de radiação por sessão comparada ao método convencional. “O tratamento é mais rápido e ainda preserva os resultados terapêuticos. Na prática, significa que ao invés das 40 sessões de tratamento, o paciente poderá ser submetido a 20 (hipofracionamento moderado) ou até a cinco sessões (hipofracionamento extremo), o que resulta em uma redução de oito vezes. Medida, portanto, essencial nesse momento de pandemia”, explica o radio-oncologista e presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Arthur Accioly Rosa, que é também diretor de Radioterapia do Grupo Oncoclínicas.

Entre serviços mapeados, 98 (77,8%) adotaram medidas de hipofracionamento. O modelo de tratamento foi mais frequente no Centro-Oeste, com oito dos nove serviços (88,9) realizando este procedimento. Na sequência estão as regiões Nordeste (16 de 20 serviços – 80%), Norte (4 de 5 – 80%), Sudeste (52 de 66 – 52%) e Sul (18 de 26 – 69,2%). As principais indicações/localizações para hipofracionamento foram para pacientes com diagnóstico de câncer de mama, metástase óssea, metástase cerebral, assim como pele, próstata, sistema nervoso retal e reto.

Covid-19

A pandemia de covid-19 também impactou equipes dos serviços de radioterapia. Mais da metade dos serviços tiveram pacientes (52%) e colaboradores (54%) com casos diagnosticados do novo coronavírus.

A frequência média à radioterapia com pacientes e funcionários diagnosticados com covid-19 foi de 52,4%: Centro-Oeste (44,4%), Nordeste (75%), Norte (60%), Sudeste (53%) e Sul (34,6%). A).  As principais condutas frente ao diagnóstico de covid-19 foram interrupção da radioterapia e isolamento do paciente (34,5) e realização da radioterapia no final do expediente (26,5%).

O impacto causado pela pandemia também demandou a adoção de sistemas de teleatendimento. Dentre os serviços, 80 adotaram serviço telefônico, 41 atuaram nas mídias sociais, 23 efetuaram atendimento por telemedicina e 17 trabalharam com videoconferência. “A SBRT propôs diversas recomendações para o enfrentamento do novo coronavírus. Agora pretendemos analisar a adesão e o impacto destas ações, no intuito de planejar medidas para não haver atraso no tratamento dos pacientes com câncer”, relata o coordenador do comitê de enfrentamento e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Harley Francisco de Oliveira.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Saúde

Mais de 200 pessoas aguardam leitos de covid-19 no Rio e na Baixada

© Reuters / Kai Pfaffenbach / Direitos Reservados


O número de pacientes que aguardam transferência para leitos de covid-19 em unidades públicas do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense era de 220 na manhã de hoje (26), segundo a Secretaria Municipal de Saúde da capital. De acordo com o órgão, as 79 pessoas à espera de vagas de unidade de terapia intensiva (UTI) estão sendo assistidas em leitos de unidades pré-hospitalares, com monitores e respiradores.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, em todo o estado do Rio de Janeiro, 276 pessoas com suspeita ou casos confirmados de covid-19 aguardam transferência para leitos de internação na rede pública. O número representa aumento em relação ao de ontem, quando havia 229 pessoas nessa situação.

Dos pacientes que aguardavam transferência na manhã desta quinta-feira, 123 são casos que requerem vagas de terapia intensiva.

Taxa de ocupação

Na capital, a taxa de ocupação dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivos para covid-19 está em 90%, no caso de UTIs, e em 70%, no caso das enfermarias. O número informado pela Secretaria Municipal de Saúde leva em conta vagas em unidades de saúde municipais, estaduais e federais na capital. Ontem, os percentuais eram de 91% para UTI e 69% para enfermaria.

Ao todo, havia na manhã de hoje, 1.044 pessoas internadas em leitos do SUS na capital, sendo 493 em UTIs. Na rede municipal, havia 255 pessoas internadas nos 271 leitos disponíveis de UTI, o que equivale a 94% de ocupação.

Já a taxa de ocupação em todas as unidades da rede estadual do Rio de Janeiro está em 79% para UTIs e 48% para enfermarias, informou a Secretaria de Estado de Saúde.

Mortes

O estado do Rio de Janeiro chegou ontem (25) a 22.256 vítimas de covid-19 desde o início da pandemia, em março. O número de pessoas que adoeceram no estado é de 343.995, das quais 315.467 são consideradas recuperadas.

A média móvel de mortes por covid-19 no estado interrompeu a alta observada entre 10 e 20 de novembro, conforme o painel de monitoramento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No período, a taxa subiu de cerca de 30 mortes diárias para mais de 110, se considerada a média dos novos óbitos divulgados em sete dias. Ontem, a média móvel chegou a 79 mortes diárias, continuando, porém, mais que duas vezes maior que a registrada 15 dias antes.

Para esse cálculo, pesquisadores somam o número de mortes registrado nas últimas 24 horas com as mortes dos últimos seis dias. Em seguida, dividem o resultado por sete, para obter uma média aritmética. O objetivo do cálculo é reduzir oscilações diárias para observar a tendência da pandemia. 

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde